Retrato de Luís Lavoura

Há cerca de trinta anos, a Suíça, que era então constituída por 24 cantões, criou um novo cantão, o Jura, a partir, salvo erro, de partes dos cantões de Neuchâtel e de Vaud. O processo não foi, evidentemente, trivial: ele implicou em particular que o número total de cantões de língua francesa passasse a ser maior e que portanto esses cantões passassem a ter maior peso dentro da confederação. Mas, vista do exterior, a Suíça em nada se alterou e ninguém se ralou que ela tivesse passado a ter mais um cantão.


Em minha opinião, a separação da Escócia do Reino Unido deverá ter, no limite, pouco mais importância do que a separação do Jura dos cantões de Neuchâtel e Vaud. Tratar-se-á de um simples rearranjo interno da União Europeia, problemático a curto prazo dentro da União mas genericamente irrelevante para o resto do mundo e, a médio prazo, para a própria União. A União Europeia continuará a ter as mesmas fronteiras e a mesma economia, apenas os seus poderes internos serão ligeiramente rearranjados, um rearranjo que a médio prazo se esquecerá.

Portanto, não há drama nenhum. A Escócia pode separar-se do Reino Unido e, eventualmente, outras regiões europeias poderão separar-se dos países que atualmente integram. Uma vantagem da União Europeia é, precisamente, tornar largamente irrelevantes esses rearranjos internos. E a União Europeia deve aprender a viver com eles e a integrá-los sem problemas.

Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação