Dizem que as razões para a União Europeia financiar Espanha são diferentes das razões para financiar Portugal. Portugal tem um problema de finanças públicas, enquanto que o problema em Espanha é exclusivamente no setor bancário.
Isto é parcialmente verdade. Portugal fez investimentos descabidos e tem empresas públicas a perder dinheiro a rodos, provavelmente muito mais do que Espanha.
Por outro lado, há que notar que as finanças públicas espanholas estão (relativamente) boas precisamente pela mesma razão pela qual os bancos espanhois estão falidos, ou seja, porque a economia espanhola sofreu uma bolha no setor do imobiliário. Essa bolha permitiu que, durante anos a fio, o Estado espanhol encaixasse uma quantidade anormalmente alta de impostos. O dinheiro que os bancos espanhois emprestavam a rodos aos empresários da construção civil acabava, em parte, sob a forma de impostos no Estado espanhol. Por esse motivo, durante os tempos da bolha o Estado espanhol gozava de um superávite orçamental.
Ou seja, há uma simetria de problemas: as finanças do Estado espanhol estão relativamente boas pelo mesmo motivo pelo qual as finanças dos bancos estão relativamente más. Não é portanto correto que se considere o Estado espanhol como um modelo de virtudes orçamentais, que de forma nenhuma o foi.














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