Retrato de Luís Lavoura

Como é bem observado pelo The Economist desta semana, com o resgate a Espanha a União Europeia cometeu um grave erro e perdeu uma excelente oportunidade.

Cometeu um grave erro porque vai efetuar o resgate dos bancos espanhois através do Estado espanhol, isto é, utilizando este último como fiador, em vez de o fazer de forma direta. Ao fazer isto transforma o problema da dívida dos bancos espanhois num problema de dívida do Estado espanhol, potencialmente aumentando drasticamente esta última dívida. Todos os contribuintes espanhois ficam agora penhorados através dos bancos espanhois.

Perdeu uma excelente oportunidade de ensinar aos mercados que os bancos podem falir e de introduzir a supervisão europeia do setor bancário. A União Europeia poderia ter aproveitado este ensejo para comunicar aos bancos espanhois que estaria disposta a resgatar alguns (os mais importantes em termos sistémicos) de entre eles, em troca de passar a ser ela, União Europeia, a supervisioná-los --- mas que deixaria falir os restantes. Desta forma a União Europeia tentaria impôr alguma disciplina de mercado ao setor bancário, e ao mesmo tempo daria um primeiro passo no sentido de começar a assumir a responsabilidade pela supervisão (e pela garantia aos depositantes) dos maiores bancos da União.

Os erros pagam-se caro e, como já hoje é evidente, este erro vai ser pago muito em breve. Pelos espanhois em primeiro lugar mas, depois, pelos restantes europeus.

disciplina

Aires F. Ferreira (não verificado) on Quarta, 20/06/2012 - 10:47

Ora, não poderia concordar mais. É um erro continuar com esta impunidade no sistema bancário.

Cump,
A. F.

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