Retrato de João Cardiga

O João Mendes aborda no artigo abaixo o tema das escolhas individuais e sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

Eu julgo que ambas não devem estar ligadas mas não é isso que me motiva este artigo. Antes quero especular sobre qual dos dois estilos de vida é que têm maior custo para a sociedade. Este é um exercício meramente especulativo mas pretendo que sirva para abordar este tema de uma forma um pouco diferente do normal. A questão é:

- Será o estilo de vida saudável o que implica uma maior custo para a sociedade ou um estilo menos saudável?

A resposta que vem à cabeça é que obviamente é quem tem o estilo de vida menos saudável que implica o maior custo à sociedade, mas será mesmo?

Então vejamos o meu caso, em que o meu estilo de vida menos saudável se prende com Tabaco e beber uma pouco de alcool. Se é verdade que a minha probabilidade de contrair um cancro é muito maior, e daí implicar mais custos para a sociedade também verficamos que eu por fumar e beber alcool também:

a) vivo menos 10 anos em média que uma pessoa saudável;
b) pago muito mais impostos que uma pessoa que vive um estilo de vida saudável (que por exemplo não fuma nem bebe alcool);

O que é que isto implica? Bem que o meu estilo de vida garante ao estado menos 10 anos de pagamento de reforma, mais receita fiscal, um melhor rácio de população activa vs população inactiva e muito provavelmente o mesmo custo de saude que uma pessoa com estilo de vida saudável pois não tem de cuidar de mim numa altura em que existe um maior desenvolvimento de doenças como Alzheimer, Parkinson, etc...

Por isso e se estamos a falar de sustentabilidade financeira de sistema nacional de saude eu diria que o estilo de vida menos saudável é bem melhor para a sociedade do que o estilo de vida não saudável, financeiramente falando.

E como sou solidário com estes temas escrevi este artigo a fumar um cigarro e a beber uma cerveja...

Retrato de João Cardiga

é por isso...

João Cardiga on Segunda, 24/08/2009 - 21:30

É por isso que não se deve tratar a saude como um negócio ou uma optimização financeira...

Retrato de Luís Lavoura

Tem razão

Luís Lavoura on Segunda, 24/08/2009 - 14:00

Este post tem razão. Fumar é benéfico para os contribuintes, dado que os fumadores morrem mais cedo e por isso gastam menos dinheiro em pensões de reforma.

Um antigo vizinho meu, que fumava como um turco (sem ofensa para os turcos!), morreu aos 66 anos de um cancro do pulmão que o levou em quatro meses, isto é, trabalhou ativamente até quatro meses antes de morrer. E como o cancro de pulmão geralmente é detetado tão tarde que nessa altura já é intratável, certamente que o Serviço Nacional de Saúde gastou bem pouco dinheiro a tratá-lo, porque quando o cancro foi detetado já nada haveria a fazer. Abençoada morte!

Mas, já agora, há outros estilos de vida pouco saudáveis que acabam por custar caro aos contribuintes. Uma prima minha, além de fumar uns bons cigarrinhos, fartou-se de passar dias inteiros na praia quando era adolescente e jovem. Aos 30 anos apanhou um cancro da pele que a levou em três meses. Basicamente aquilo que contribuiu não chegou para lhe pagar a educação...

Luís Lavoura

Ok.

Cardiga (não verificado) on Segunda, 24/08/2009 - 01:08

Ok Julgo que agora já percebi.

Relativamente a mim próprio digo-te já que muito provavelmente sim. Além do dinheiro de impostos que pago em IRS ainda tens de juntar todo o dinheiro que pago em Imposto de Alcool, Imposto de Tabaco e respectivos Iva's. Portanto só isso deve ser suficiente para eu pagar todo os meus futuros tratamentos e ainda sobra. Só para teres uma noção a receita do Imposto sobre o Tabaco acrescido de IVA (que é uma estimativa por baixo) representa 20% do total de despesas do Ministério de Saude (o que incluí todos os custos mesmo os que não estão directamente relacionados com os tratamentos de saude) o que me parece um racio de cobertura demasiado elevado para os custos inerentes ao cancro do pulmão.

P.S. Ainda bem que adivinhaste ;)

Retrato de João Mendes

A questão, da forma mais

João Mendes on Domingo, 23/08/2009 - 22:35

A questão, da forma mais brutalmente simples, é a seguinte: mais pessoas com problemas de saúde, maior utilização do sistema de saúde por parte dessas pessoas. Será isto verdadeiramente compensado por pagares mais impostos?

(E adivinhei as tuas respostas!)

Respostas

Cardiga (não verificado) on Domingo, 23/08/2009 - 21:28

Aqui vão as respostas:

"...onde entra aqui a responsabilização pessoal das pessoas pelas escolhas que tomam?"

Na doença em si, que é uma consequência suficientemente grave para a pessoa. Ou achas que o espectro de morrer é indiferente, ou ficar limitado na sua vida é indiferente para a pessoa? Este é o caso típico em que a própria pessoa sofre na pele as consequências dos seus actos. Não é necessário existir uma dupla responsabilização. Além de que quando falas em saude é muito dificil (além de eu achar moralmente errada) aplicares uma medida que responsabilize a pessoa aos seus actos, pois duas pessoas com escolhas iguais poderão ter um peso no custo do SNS diferente derivado dos genes que tem.

"Não se estaria aqui, simplesmente, a subsidiar comportamentos que acabam por gerar custos para toda a gente, mesmo gente não envolvida na tomada da decisão, e não apenas para o próprio?"

Todos os nossos comportamentos geram custos para as outras pessoas, se nestes temas abrirmos esse caminho estaremos a abrir a caixa de pandora. Embora o principio que me parece estares a defender seja noutros temas o correctos, neste caso julgo que não pois já existe uma penalização para o próprio. Mais como te disse anteriormente achas que a pessoa que passou por uma zona perigosa deverá ser penalizada se for roubada?

"Como responderias a isto?"

Da mesma forma que já respondi anteriormente, nos serviços de acesso universal (os serviços core do estado) não deverá existir uma discriminação comportamental. Quem escolhe ter uma vida mais saudável não o faz para minimizar o custo da sociedade (que como escrevi poderá ser maior até) mas para aumentar o seu nível de satisfação, o mesmo deve ser permitido fazer a quem escolhe outro estilo de vida. Por vezes todos nós temos de suportar o custo de outros para que todos nós possamos gozar de algo maior, neste caso a liberdade de optar, se diminuires essa liberdade de opção existirão uns que ficam melhor mas a sociedade como um todo perde. No fundo é como na ditadura, ninguém sofre numa ditadura senão for contra ela, os problemas só acontecem quando és contra a mesma, isto é não tens opção de ser diferente. Se aumentares o custo de vida para quem não segue uma vida saudável, estarás no fundo a limitar as opções de uma pessoa em nome de "justiça" (julgo ser o principio com que defendem esse tipo de financiamento), se substituir a palavra "justiça" por "segurança" verificarás que é o tipo de comportamento que existe numa ditadura.

"Relativamente à sustentabilidade financeira, até que ponto a maior utilização do sistema nacional de saúde gerada pela existência de um número razoavelmente elevado de pessoas que o utilizam é verdadeiramente compensada pelos factores que indicaste?"

Epá, eu peço desculpa mas não percebi totalmente a questão. Consegues reformular?

Retrato de João Mendes

Breve resposta

João Mendes on Domingo, 23/08/2009 - 21:00

Bom, mas então uma questão, para saber o que pensas sobre o tema: no caso de essas pessoas utilizarem o serviço nacional saúde para tratar das doenças que as apoquentem devido a escolhas próprias, e sendo o sistema de saúde pago por todos, onde entra aqui a responsabilização pessoal das pessoas pelas escolhas que tomam? Não se estaria aqui, simplesmente, a subsidiar comportamentos que acabam por gerar custos para toda a gente, mesmo gente não envolvida na tomada da decisão, e não apenas para o próprio? Como responderias a isto?

Relativamente à sustentabilidade financeira, até que ponto a maior utilização do sistema nacional de saúde gerada pela existência de um número razoavelmente elevado de pessoas que o utilizam é verdadeiramente compensada pelos factores que indicaste?

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