Retrato de Luís Lavoura

Há quem afirme que os eucaliptos ardem "como pólvora" e que são eles os responsáveis pela grande extensão de área ardida. Mas eu possuo dois eucaliptais nas fraldas da serra do Caramulo, que este ano arderam (tive dezenas de milhares de euros de prejuízo). E, visitando a área ardida, que verifiquei? Que os eucaliptos não arderam, nem como pólvora nem como coisa nenhuma - aquilo que ardeu foram os matos que cresciam por baixo deles (e que nem eram muitos, porque eu tivera o cuidado de limpar esses matos ainda recentemente). O mato ardeu e os eucaliptos ficaram chamuscados, mas não arderam. O fogo passou, célere, pelas propriedades, queimando o mato todo mas não chegando a pegar às árvores.

O mesmo aconteceu nos dois grandes incêndios que em anos passados varreram a serra algarvia: o mato ardeu, mas os sobreiros não. Os sobreiros permanecem vivos, apenas o mato por baixo deles ardeu.

O maior problema dos fogos em Portugal não são as árvores, carvalhos ou sobreiros ou eucaliptos ou pinheiros. As árvores muitas vezes não chegam a arder. O maior problema é o mato que, esse sim, arde como pólvora.

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