Retrato de Luís Lavoura

Dizem que as recentes eleições para o Parlamento Europeu foram indevidamente ganhas por partidos "eurocéticos", referindo-se assim a partidos como a Frente Nacional francesa, o Partido da Independência do Reino Unido, e a Alternativa para a Alemanha.

Mas, eu diria que as eleições para o Parlamento Europeu têm sido sempre ganhas, lamentavelmente, por partidos eurocéticos. A União Europeia tem sido sempre governada por eurocéticos, que procuram entregar um mínimo de poder a essa união e manter um máximo de poder nos seus Estados membros. Nunca os partidos dominantes permitiram, por exemplo, que a União Europeia tivesse ao seu dispôr recursos financeiros significativos - o seu orçamento é menos de 1% do PIB da União, e mesmo esse minúsculo quinhão serve quase totalmente para financiar uma única política comum (a agrícola), não tendo portanto qualquer capacidade redistributiva. Nunca os partidos dominantes permitiram que os bancos - o cerne do poder financeiro - europeus estivessem sob o controle das autoridades centrais da União, em vez de permanecerem sob o controle dos Estados membros -e atuando em geral no estrito âmbito de cada Estado separadamente. Nunca os partidos dominantes permitiram, sequer, a formação de verdadeiros partidos políticos europeus, que atuassem de forma autónoma a nível de toda a União - como o BJP e o Congresso atuam, por exemplo, na União Indiana, em competição direta com dezenas de partidos regionais.

Quem são os verdadeiros eurocéticos? São quem tem sempre governado a Europa. Eles não se devem admirar que o povo agora vote em partidos nacionalistas, porque eles próprios, os que governam a União, têm-se sempre recusado a pensar noutros termos que não estritamente nacionais.

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