Como já muitas vezes se tem dito, são as crises que impulsionam a Europa em direcção a uma maior integração. Tal é uma afirmação lógica, pois, são as crises que revelam as fragilidades da Europa, que a colocam entre a espada e a parede, e que a obrigam a resolvê-las.
Um destes momentos foi a crise grega. É hoje evidente que a moeda única implica que estamos todos no mesmo barco e que uma crise na Grécia tem implicações na Alemanha e em Portugal. Tal significa que hoje, mais do que nunca, perante um possível não pagamento de dívida por parte da Grécia, todos os países da zona Euro têm que intervir para evitar o pior, acabando por ser punidos por erros que não cometeram.
Ora, se temos o risco de ter que pagar pelos erros dos outros, também deve ser um direito podermos ter uma palavra a dizer antes de os outros cometerem erros. Os orçamentos nacionais deverão por isso passar a estar sujeitos a uma fiscalização a nível supranacional. A Alemanha e a França propuseram recentemente exactamente isso, exigindo que Bruxelas possa controlar e regular as políticas fiscais e a despesa de cada Estado da União Europeia, podendo intervir antes de os mesmos serem discutidos nos parlamentos nacionais.
Igualmente, a nuvem vulcânica que parou todo o tráfego na Europa está a gerar uma onda de protestos de ineficiência na capacidade de decisão a nível político, que demorou demasiado tempo a reagir às decisões técnicas e levou possivelmente a excessos no que toca ao fecho do espaço aéreo Europeu. Aparentemente, e esta é a queixa, a nível técnico a máquina europeia já funciona muito bem, mas os técnicos não tinham ninguém a nível político que pudesse tomar decisões que necessitavam de ter sido mais rápidas.














Dificilmente
Luís Lavoura on Terça, 20/04/2010 - 15:24Eu diria que dificilmente os países europeus poderão ter sucesso com a tentativa federalista de resolver os problemas.
O problema básico não está na Europa propriamente dita, ele está na liberdade das transações financeiras entre países. Essa liberdade tende inexoravelmente a permitir o exacerbar de desequilíbrios financeiros, até ao dia em que os especuladores "roem a corda" e deixam um país cair.
Este problema tanto pode ocorrer com um país europeu como com um país de qualquer outra parte do mundo.
Suponhamos que há um país deficitário (pode ser um défice comercial ou um défice do orçamento nacional, tanto faz). Como as transações internacionais de capitais são livres, esse país pode financiar facilmente o seu défice, ano após ano. E o défice pode ficar cada vez maior, sem parar. Até a um dia em que todos os especuladores internacionais decidem chegar à conclusão de que esse país já está demasiadamente endividado e decidem deixar de lhe emprestar dinheiro. Nesse dia, o país, que estava habituado a viver à custa de empréstimos maciços de dinhero, fica de repente completamente "depenado".
As livres transferências internacionais de capitais atuam como uma droga: permitem a um país viver high, numa permanente euforia, graças a injeções cada vez maiores da droga, durante alguns anos, até a um dia em que a droga é recusada e nessa altura o tipo fica com uma ressaca de caixão à cova.
euro
Luís Lavoura on Terça, 20/04/2010 - 15:11O próprio euro já foi uma resposta federalista da Europa à crise. A ideia da criação de uma moeda única europeia surgiu na sequência de ataques de especuladores financeiros às moedas nacionais do Reino Unido, da França e da Itália. Basicamente, os especuladores apercebiam-se de que um país estava em situação frágil e atiravam-se todos à uma a ele, obrigando-o (após tentativas goradas de defesa) a desvalorizar a sua moeda. Como resposta a estes ataques, alguns países da União conceberam a ideia de unificarem as suas moedas (indexando-as ao marco alemão, com efeito), para elas ficarem mais fortes. Foi assim que surgiu o euro.
Agora verifica-se, porém, que a solução não foi suficiente. Os especuladores financeiros continuam a poder derrubar os países um a um.
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