Retrato de Filipe Melo Sousa

Homens e mulheres adultos, embrulhados num lençol, deverão ser enterrados num buraco cavado no chão, e amarrados de maneira a não poder mover os braços. O homem é enterrado até à cintura, a mulher deve ser enterrada até aos seios. O Buraco é enchido de areia, de modo a impedir qualquer movimento adicional.

A sessão de lapidação é pública. O código penal da república islâmica (artigos 102 e 104), define as condições da lapidação:

" As pedras usadas para matar não deverão ser demasiado grandes, de modo a não matar após ter recebido apenas uma ou duas. Também não deverão ser demasiado pequenas para que se possam chamar pedras. O tamanho médio é escolhido de maneira a fazer expiar o pecado através do sofrimento.

Os lapidadores deverão permanecer a uma distância de 15m do seu objectivo e escolher as pedras com cuidado. As pedras com arestas vivas são especialmente escolhidos por provocar sangramentos mais espectaculares. Uma pedra cortante deve de preferência ser atirada à cara do condenado. As pedras redondas necessitam menos precisão, e podem ser atiradas ao corpo, pois são eficazes em qualquer lado. São ideais para quebrar ossos e provocar hemorragias internas fatais."

18 mulheres já foram executadas diante de Khatami, a quem Shirin Ebadi dedicou o seu prémio Nobel.

Queria só acrescentar um comentário: ao contrário de quem posta denunciando as execuções em países democráticos, sem temer qualquer tipo de represália ou ameaça, eu pensei duas vezes antes de colocar este post, pois estou a fazê-lo de cara descoberta, assinando, e com a fotografia ao lado.

http://www.iran-resist.org/IMG/wmv/Lapidation.wmv

Retrato de Filipe Melo Sousa

Cartilha fundamentalista

Filipe Melo Sousa on Quarta, 25/04/2007 - 21:10

Agora o pedro viana passou-se. Devo ter blafesmado alguma entidade sagrada para ele, e está para aí a barafustar e a falar muito depressa numa língua que desconheço. Fala de homenzinhos verdes chamados permites, bruxas, sítios lendários e terras que não existem. Lamento, mas não sou praticante nem conheço a sua confissão. Não o posso ajudar. Há permites, permites.. onde os há? :)

Em algumas palavras o

Ricardo Francisco on Quarta, 25/04/2007 - 00:27

Em algumas palavras o Anti-Americanismo...

Filipe...podias fazer uma entrada de blogue.

Retrato de Filipe Melo Sousa

A Inveja mata

Filipe Melo Sousa on Terça, 24/04/2007 - 23:18

Antes pelo contrário, se existe uma obsessão é aquela que o pedro viana tem para com os EUA. Tenho vindo neste post a criticar vários tipos de atropelos e ameaça à liberdade, vindos da esquerda, da direita e das religiões. Sem privilegiar nenhum deles em especial. Estranhamente (ou não) existe um alvo incriticável: qualquer país que esteja em confronto com a América. A moral do pedro viana não permite criticar o Irão, a Coreia do Norte, a Venezuela, os dogmas das alterações climáticas, a França de Chirac nem o Fidel Castro.

Numa lógica maniqueísta e dual que o pedro viana tem do mundo, qualquer crítica a um dos países catalogados no eixo do mal, é um apoio a uma política conservadora expansionista (e não neo-liberal como gosta tanto de lhe chamar), política essa que diz ser a política americana.

Existe no entanto um sentimento mais profundo por detrás de tanto despeito: a inveja e a cobiça. Eu vivo descomplexadamente com a realidade de ter uma potência mais bem-sucedida que a União Europeia, mas não é o caso de todos. Porque afinal, a américa demonstrou ao mundo o fracasso ideológico dos modelos conservadores, marxistas, religiosos ou totalitários no passado. Aos derrotados mais nada resta que semear o despeito, o sentimento de revanche. Resta negar ou relativizar os sucessos dos outros. Resta negar a si próprio que se procurava obter em primeiro lugar aquilo que não se conseguiu obter no passado. Resta dizer que nunca foi participante no jogo em que perdeu. Resta regozijar-se sempre que é atingido um alvo da democracia liberal que a américa representa, através de um atentado. Resta destilar o ódio constatando as assimetrias de riqueza, que se atribui invariavelmente a confrontos de força desiguais. Resta contentar-se com qualquer revés americano. Resta criticar o direito de se defenderem que qualquer povo tem. Resta criticar a vontade de ter mais e melhor. Resta criticá-los por serem imperfeitos nas virtudes que originaram, e desculpar qualquer seu inimigos fazendo uso de argumentos tu quoque falaciosos e irrelevantes, desproporcionais e desonestos.

Quando se modeliza o mundo ao considerar que uma perda do inimigo é um ganho nosso, está engrenado um modelo compensatório que abre a porta a uma política da terra queimada. Pouco importam os inocentes. Pouco importa a justiça. Apenas importa a revanche, a custo de muitas vidas humanas.

"Tenho vindo neste post a

pedro viana (não verificado) on Quarta, 25/04/2007 - 12:05

"Tenho vindo neste post a criticar vários tipos de atropelos e ameaça à liberdade, vindos da esquerda, da direita e das religiões."

Vindos da Direita?... Exemplos? E vindas das religiões? Assim no plural? Exemplos? E já agora críticas a outros países que não o Irão, e ocasionalmente a Coreia do Norte e a Venezuela, também há exemplos? Só neles a nível mundial se violam os direitos humanos?... Então a Venezuela é um autêntico "buraco negro", denunciado continuamente pela Amnistia Internacional como um dos piores regimes à face da Terra. Se o ridículo....

"A moral do pedro viana não permite criticar o Irão, a Coreia do Norte, a Venezuela, os dogmas das alterações climáticas, a França de Chirac nem o Fidel Castro."

Há permite, permite, critique à vontade. Sem mentir de preferência. Consegue? Quantas vezes já o apanhei a usar informações falsas nos seus posts?...

"Numa lógica maniqueísta e dual que o pedro viana tem do mundo, qualquer crítica a um dos países catalogados no eixo do mal, é um apoio a uma política conservadora expansionista (e não neo-liberal como gosta tanto de lhe chamar), política essa que diz ser a política americana."

A política é neo-conservadora, mas casa bem com a política neo-liberal de tentativa de imposição a nível mundial do conceito de "mercado livre". Quanto ao facto da política americana ser expansionista, não existem dúvidas. Basta ler a críticas da direita isolacionista americana:

http://www.amconmag.com/

"Eu vivo descomplexadamente com a realidade de ter uma potência mais bem-sucedida que a União Europeia"

Mais bem sucedida... isso diz tudo sobre o conceito de sociedade do Filipe Melo Sousa. Tentem fazer uma sondagem no MLS: preferiam ter nascido num país europeu ou nos EUA? Temo que o Filipe se sentisse um bocado isolado...

"Quando se modeliza o mundo ao considerar que uma perda do inimigo é um ganho nosso, está engrenado um modelo compensatório que abre a porta a uma política da terra queimada. Pouco importam os inocentes. Pouco importa a justiça. Apenas importa a revanche, a custo de muitas vidas humanas."

Está a gozar! Ou então está completamente delusional... quem acha que o inimigo do meu inimigo meu amigo é? Já criticou qualquer país aliado dos EUA, ou os próprios, quando direitos humanos fundamentais são postos em causa?! Quem é que aqui é coerente na defesa de princípios e quem é que fecha os olhos à sua violação numa óptica de "nós-contra-eles"? Quem apoia políticas de terra queimada, de assassinatos, de mortes em massa de inocentes resultado de invasões miitares, como o fez ao colocar num seu post um artigo que advogava a invasão do Irão e se necessário o uso de armas nucleares durante o conflito?! O Filipe está completamente delusional: diz que defende os inocentes e a vida humana ao mesmo tempo que defende a tortura, a morte e a destruição (mas só pelos "bons" claro...). Espero que passe com o tempo, senão pode tornar-se num distúrbio psicológico grave.

Solidário

Ricardo Francisco on Terça, 24/04/2007 - 16:54

Deixo aqui o meu voto de solideriadade para com o Filipe Melo Sousa.

Não há o mínimo de proporcionalidade entre os atentados à liberdades associados aos EUA e à proporção da "tinta" usada para atacar os EUA.

Os governantes do EUA fazem muita asneira...mas comparar uma democracia liberal com qualquer regime autoritário ( e continuam a ser a maioria neste mundo), é de muito mau gosto para com todos os que morrem todos os dias às mãos do estado que os deveria proteger.

Mais uma vez, sem dizer que nos EUA tudo corre bem, digo à vontade, quem nos dera a nós...quanto mais aos Iranianos.

Alguns comentários: 1) não

pedro viana (não verificado) on Terça, 24/04/2007 - 12:15

Alguns comentários:

1) não encontrei em lado algum qualquer apoio para a afirmação de que "18 mulheres já foram executadas diante de Khatami", aliás parece-me deveras estranho que um presidente ande a assistir pessoalmente a execuções de pessoas comuns pelo país fora, mas na cabeça do Filipe todo o governante iraniano é com certeza uma besta sanguinária;

2) nem sequer encontrei informação sobre as tais 18 execuções; mas o Filipe nunca se preocupou com se informar, e informar os seus leitores, devidamente, portanto aconselho aos leitores destes post que leiam por exemplo

http://www.ipsnews.net/news.asp?idnews=35701

onde se torna claro que a) a lapidação está na Lei iraniana, b) têm sido condenadas pessoas à lapidação, c) a grande maioria dessas condenações nunca é executada, tendo havido durante alguns anos uma moratória, d) recentemente terão havido alguns casos de execução por lapidação, e) há movimentos abertos **no interior do Irão** que se opõem à lapidação.

3) coitadinho do Filipe, que corre tão grande risco... há outros países, que o Filipe se abstém de criticar - será que desses é que tem verdadeiramente medo?, que são mais "extrovertidos" que o Irão e que apreciam muito raptar pessoas em países estrangeiros enviando-as para buracos onde estas são torturadas e mortas. Onde é que está realmente a coragem do Filipe?...

4) será que o Filipe é contra a pena de morte? Vamos, não custa nada, será que consegue afirmar: a pena de morte é indefensável qualquer que seja a circunstância, independentemente do país onde é aplicada ou do modo como é executada. Eu subscrevo esta afirmação. Tal como aposto que a grande maioria dos membros do MLS, e o Filipe?...

Retrato de Filipe Melo Sousa

Mais uma vez, o pedro viana

Filipe Melo Sousa on Terça, 24/04/2007 - 13:28

Mais uma vez, o pedro viana não entende que uma acusação não é feita em prejuízo da outra. Visto que o pedro viana não acrescenta nada de construtivo a esta discussão, e mostra-se completamente complacente para com esta violação dos direitos humanos (estranhamente só intervém quando está o Irão em causa, e sempre em sua defesa, nunca percebi porquê), abstenho-me de argumentar.

Mas respondo a uma questão: sou a favor da pena de morte em casos de crime contra a humanidade. Provavelmente para grande indignação do pedro viana, mas é assim a democracia.

Eu não defendo regimes

pedro viana (não verificado) on Terça, 24/04/2007 - 21:37

Eu não defendo regimes autoritários, dominados por oligarquias que oprimem a maioria da população, e que usam a tortura, a intimidação e a pena de morte para lidar com a dissidência, como é o caso do Irão. Mas regimes como o Iraniano há, infelizmente, às mãos cheias por esse mundo fora, sendo alguns desses regimes muito provavelmente bem piores. A única razão porque apareço frequentemente a comentar os posts do Filpe Melo Sousa sobre o Irão é porque este mostra uma obsessão tal com esse país (nunca o vi comentar casos muito mais sérios de violação de direitos humanos, como são por exemplo os casos do Sudão e da Etiópia), que o leva a constantemente dizer "inverdades" que invariavelmente exageram as já de si graves violações de direitos humanos no país. Noutra qualquer altura, tal obsessão passava-me ao lado, seria até "pitoresca", no entanto, neste momento o Irão não é um país qualquer, é o próximo alvo dum governo americano belicista que não hesita em matar milhares e milhares de seres humanos para atingir os seus objectivos de domínio geoestratégico. Conscientemente ou não (ainda estou para perceber), o Filipe Melo Sousa, com a sua obsessão iraniana contribui para uma propaganda mentirosa, tão semelhante a outra que levou ao desastre em que se encontra um país viziho do Irão, e que visa amolecer a oposição da opinião pública a mais uma guerra criminosa. Pactuar ou contribuir para ela é efectivamente ganhar direito a poder, espero bem que não, no futuro dizer: em contribui para matar iranianos.

O Irão não deve ser criticado? Claro que sim. Sem mentiras e fabricações, e lembrando que de modo nenhum o regime iraniano é excepção no mundo em vivemos como alguns obssessivamente parecem achar.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Complemento

Filipe Melo Sousa on Terça, 24/04/2007 - 12:06

Apenas complementei a informação, porque considero que existe uma lacuna injusta na denúncia: são precisamente aqueles que mais infringem os direitos humanos que são menos criticados. O que se passa no Irão é bem mais grave do que chatear senhoras que passam na rua. Lacuna que pretendo aqui reparar. Sem prejuízo das tuas críticas a outros. Não lhes retiro nada.

A injecção letal é levada a cabo de modo a uma pessoa não sentir nada. Acho normal e saudável questionar-se a eficácia da anestesia. Mas apenas isso, porque acredito que de facto a anestesia funciona.

E não vou comparar as duas situações, nem os dois países. Porque existe um oceano civilizacional a separá-las.

Retrato de Miguel Duarte

Acreditas?

Miguel Duarte on Terça, 24/04/2007 - 12:23

O link que eu coloquei é precisamente porque existem factos que levantam sérias dúvidas sobre essa anestesia funcionar sempre. Poderia dizer-se que é a primeira investigação na área, mas não é.

Mas no fundo, à excepção da guilhotina (talvez antecedida de uma anestesia) ou de um tiro certeiro na cabeça, que outra forma de matares uma pessoa conheces que não sujeita potencialmente a pessoa a tortura?

Mas sinceramente, o meu argumento ia no sentido de acabar com a pena de morte nos EUA, que é suposto ser um país civilizado, e não, de discutir qual o método mais eficaz de matar um condenado.

Retrato de Luís Lavoura

Depois destas descrições,

Luís Lavoura on Terça, 24/04/2007 - 12:03

Depois destas descrições, cada vez me convenço mais que afinal o dr. Guillotin era um humanista - inventou um método de execução (a guilhotina) rápido e indolor, se bem que algo inestético...

Luís Lavoura

Retrato de Miguel Duarte

E isso é uma desculpa para os EUA?

Miguel Duarte on Terça, 24/04/2007 - 11:31

Sabes, se tivesses colocado este post por si, concordaria a 100%, é uma vergonha.

No entanto, não percebo é a tua insistência em ilibares uns porque existem piores. Ambos são maus, ambos estão errados. Morrer à pedrada e morrer asfixiado são duas formas de tortura terríveis (tens alguma preferência por uma delas?). Ambas devem ser terminadas.

Perdoas a um terrorista que só matou 2 pessoas, porque existem outros que matam 20? Ou condenas ambos?

Basicamente, quer o exemplo americano, quer o teu exemplo, estão abaixo dos meus padrões do aceitável e me repugnam (já para não falar que a pena de morte em si me repugna). Não vou desculpar um, por existir um pior, até porque os EUA são precisamente um estado de direito que tem no mínimo a obrigação moral de respeitar os direitos humanos, coisa que não está a fazer. Não vou baixar o meu padrão no que toca aos direitos humanos só porque alguns países regrediram para um nível igual ou inferior à idade média.

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