Retrato de Luís Lavoura

Desde o início da crise financeira toda a política europeia tem sido orientada no sentido de favorecer os ricos.

De facto, o principal leitmotiv da política financeira europeia, o seu princípio orientador, tem sido o de que todas as dívidas devem ser pagas e todo o dinheiro investido em empréstimos deve ser devolvido.

É por isso que não se deixa nenhum banco nem nenhum Estado falir (houve uma exceção apenas, um haircut aos credores da Grécia). Porque, se um banco falisse, todos aqueles que tivessem de alguma forma (depósitos a prazo, obrigações, ações) emprestado dinheiro a esse banco ficariam a arder. É claro que á esquemas de garantia dos depósitos, ou quais garantem o dinheiro dos pequenos aforradores - até 100.000 euros. Mas a União Europeia tem insistido que não somente o dinheiro dos pequenos aforradores seja salvaguardado - o banco não pode falir para que também os grandes aforradores não percam um tostão.

Basicamente, o que a União Europeia tem feito desde o princípio da crise é forçar os contribuintes a pagar para garantir as fortunas dos ricos.

se prefere a Argentina... aí

xyz (não verificado) on Quinta, 14/02/2013 - 20:58

se prefere a Argentina... aí é que as dívidas não foram pagas.
Se começarem a não pagar as dívidas aqui... e aqui pode ser Portugal ou a Europa eu imediatamente movo o meu dinheiro para outro lado... ou transformo-o noutra coisa que não perca valor.
Basta um pequeno sinal e é o que eu faço e é o que toda a gente faz.
É a falência de todo o sistema bancário europeu que defende?

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Sexta, 15/02/2013 - 11:45

Quando o Lehman Brothers faliu houve uma data de dívidas que não foram pagas. O que é que as pessoas fizeram? Fugiram todas com o dinheiro para outro lado? Não, porque não havia mais lado nenhum para onde fugir. Aguentaram com as perdas.

Da mesma forma, se a União Europeia não tivesse apoiado maciçamente o setor financeiro, teria havido falências e dívidas que não teriam sido pagas. Os ricos teriam perdido montes de dinheiro, mas nem por isso teriam fugido, porque não teriam lado nenhum para onde fugir.

Uma coisa é deixar de investir na Argentina e passar a investir no Chile. Outra, muito distinta, é deixar de investir na Europa.

é o capitalismo...

zeca marreca de braga (não verificado) on Quinta, 14/02/2013 - 12:58

chama-se a isso capitalismo neo-liberal!

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Quinta, 14/02/2013 - 13:34

Eu diria que é capitalismo de Estado.

Liberal é que não é nada. Liberdade é também responsabilidade. E não é cavalgar os contribuintes.

Na relação entre capitalismo

Jaime Macedo (não verificado) on Quinta, 14/02/2013 - 21:57

Na relação entre capitalismo e Estado, este é a parte fraca da relação. Há muito que o Estado e o interesse público está refém dos interesses de alguns que podem, isto é, que detêm e exercem efetiva e materialmente o poder, ao contrário do Estado que o detêm apenas formalmente. Por outro lado a ligação entre capitalismo e leberalismo, conforme a história o mostra, tem sido o exercício da liberdade dos fortes sobre os fracos. Sim, há que dizê-lo: nem todos podem ser fortes, e falar de igualdade de oportunidades pode não passar de uma falácia pois não é mais que garantir que a condição de partida é semelhante. Que fazer dos fracos? Excluí-los? Instrumentalizá-los como despojos para os vencedores deste modelo de sociedade que construímos?

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação