Retrato de Luís Lavoura

Muitas pessoas, recorrentemente, dizem que o Estado deveria dar mais e melhores condições para as pessoas terem filhos, porque a má dinâmica demográfica (a baixa natalidade, a diminuição da população, etc) do país assim o exigem.

Isso é, em minha opinião, um erro. Nenhum país desenvolvido do mundo atual tem a sua população a crescer devido a as pessoas terem muitos filhos. Em todos os países desenvolvidos nos quais a população cresce, isso deve-se essencialmente a um balanço positivo do saldo migratório.

Ou seja, se se pretende que a população cresça, é muito mais importante dar-se condições (isto é: permitir-se, porque o Estado, em matéria de imigração, é em geral apenas um obstáculo) para que mais imigrantes venham para Portugal e se fixem cá, do que dar-se condições para que os portugueses tenham mais filhos. Porque, por mais filhos que os portugueses venham a ter, eles nunca serão suficientes, nem de longe, para fazerem a população voltar a crescer. Tirem daí a ideia.

(Nota: a população portuguesa não está, de facto, a decrescer. Está a crescer. Neste post só falei de ela estar a decrescer para simplificar o argumento.)

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