Foi você que pediu um crash imobiliário? Foi você que pediu uma crise sub-prime?

Se nós vivemos numa democracia e está neste momento a ser construída uma crise devo concluir que alguém a pediu.
Digo já que eu não fui.

A generalidade das famílias portuguesas, especialmente a classe média-baixa está com um grande nível de endividamento, suportado apenas pelo património da sua casa.
Muitos nem isso, pois com os créditos rápidos e o jogo da bolha, houve muita economia familar a rebentar.

Mas olhando para o mercado da habitação, onde se centra esta dança do deve e do haver, notamos que existem muitas casas para além das necessárias ou das que o mercado consegue absorver.
Contudo, continuam a ser dadas autorizações para construir casas como se a população portuguesa fosse de repente duplicar.

A consequência é a desvalorização dos imóveis que impede os proprietários de conseguirem pagar os empréstimos e como não o conseguem, sobem ainda mais os juros.
Com os juros a subir, os proprietários apressam-se a vender as suas casas e diminuem as compras, o que faz subir ainda mais os juros…
E por aí adiante…

Isto não é nenhuma análise prospectiva ou um aviso do que poderá acontecer.
Isto é algo que já está a acontecer.

Mas curiosamente, a construção não pára.
Dando o exemplo de Oeiras, por ser o que eu conheço. Há muita gente a mudar-se para cá, mas os preços não sobem porque a velocidade de construção é maior que a de aumento da procura. Ainda a semana passada queriam construir torres de 20 andares junto à estação de Oeiras.
E neste momento a periferia está na moda. Quando a tendência se inverter os preços vão cair ainda mais.

Mas se tudo isto já está a acontecer, porque razão se continua a permitir este nível de construção ?
Não devíamos ter aprendido com o caso americano?

Foi você que pediu um crash imobiliário?
Eu não fui…

Retrato de Luís Lavoura

Tem toda a razão

Luís Lavoura on Sexta, 08/08/2008 - 10:25

O Hugo tem muitíssima razão.

E é neste ambiente que muitas pessoas ainda pretendem que os proprietários de prédios abandonados, ditos "devolutos", os re-habilitem... É claro que esses proprietários, se forem previdentes, não o farão, pois que o mercado imobiliário está em colapso (de tão saturado que está de casas a mais), pelo que as esperanças de retorno de um qualquer investimento neste setor são mais que duvidosas.

A solução em Portugal deveria ser a mesma que aquela que alguns municípios americanos já estão a ensaiar: demolir sistematicamente prédios e casas que estão desabitados.

Luís Lavoura

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