Parece que hoje entra em vigor mais uma medida, daquelas que - adivinho - costumam ser impostas pela União Europeia, para dignificar e garantir a pureza e qualidade de um produto: obrigam o azeite a ser servido nos restaurantes em garrafas seladas, eliminando os tradicionais galheteiros.
Eu acho, naturalmente, muito bem que os restaurantes tenham disponível azeite em recipientes selados, tal como têm água engarrafada e vinho engarrafado. Quem quer esses produtos, paga-os e consome-os. O que não posso concordar é que se pretenda obrigar todos os restaurantes a seguir esses "elevados" padrões de segurança (?) alimentar e promoção da qualidade.
Como é evidente, esta medida vai (1) encarecer as refeições, uma vez que os clientes que desejarem azeite vão ter que pagar por ele, e (2) provocar mais lixo, que em grande parte nem reciclado será, uma vez que as pequenas embalagens de azeite serão, com toda a probabilidade, diretamente deitadas no lixo pelos donos dos restaurantes.
Resta-nos a esperança de que o povo português, com o seu tadicional bom senso, desrespeite esta medida. Ao fim e ao cabo, servir vinho a copo também é proibido pela União Europeia (pelas mesmíssimas razões que em relação ao azeite), e no entanto muitos restaurantes fazem-no.
P.S. A segurança alimentar não é, como toda a evidência, garantida por este tipo de medidas. Basta ver a quantidade de acidentes gravíssimos que têm ocorrido com garrafas de água que aparecem nas mesas contaminadas com produtos químicos altamente corrosivos, que os clientes acabam por ingerir.














Levanta-te e ri
Cirilo Marinho on Quinta, 12/01/2006 - 00:10O 4º parágrafo (o do não cumprimento da lei) fica realmente muito bem num discurso liberal. Depois admira-te, Miguel Duarte, que apereçam por aí anónimos a pensar que a malta quer é que o estado morra, desde que haja erva...
Vários acidentes gravísssimos com água engarrafada? Vou passar a dar mais atenção ao noticiário da tvi albanesa.
Que tal, Luis, presenteares-nos com mais um post de antologia, ainda nas temáticas fracturantes, como por exemplo, os direitos dos anões ou a apanha do mexilhão?
:lol:
as colheres de pau
Vitor Jesus on Quarta, 11/01/2006 - 14:29O' meu caro Luis!
Mas para que complicar o que e' simples? Higiene! Ou tb nao concordas com a regra dos cafes que diz "os pasteis depois de servidos nao podem ser devolvidos"?
O Hugo deixa um comentario bem completo e sucinto. Mas nem era preciso ir tao longe. Nunca pensei que alguem nao defendesse uma medida destas.
Lembra-me duas coisas
1. ha' uns tempos tb se proibiu as colheres de pau. Achei bem mas causou uma especie de nostalgia. A colher de pau e o rolo da massa sao os simbolos lar-doce-lar por excelencia. ;)
2. As cantinas de Coimbra que bem conheci. Havia umas jarras de agua disponiveis pelas salas para uso livre. Eu bem me lmebro de juntar umas gotinhas de vinagre e oferecer aquilo com ar de sonso. E havia BEM pior, acreditem! Era exactamente por isso que comprava sempre agua engarrafada... :)
relação cliente produtor
Hugo F Garcia (não verificado) on Quarta, 11/01/2006 - 13:18Eu sou fortemente a favor desta medida.
A imposição de embalagens fechadas cria uma relação produtor-cliente. Permite ainda a valorização pela marca. Desta forma eu enquanto cliente decido se estou disposto ou não a pagar um valor extra pela marca de qualidade.
A marca é responsável pela qualidade dos seus produtos. Sabendo o seu produtor que a sua marca vale uma fortuna ele não vai querer desperdiça-la diminuindo a qualidade dos seus produtos.
E uma coisa que falta muito na nossa sociedade é a imputação de responsabilidades. Nunca se sabe quem é responsável pelo quê. Desta forma o estabelecimento fica de fora e existe uma relação directa.
Embora não evite para todos os problemas, a verdade é que dá poder e segurança ao consumidor e essa deve ser a nossa preocupação.
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