Mas como não escrevi, apenas o posso citar e comentar.

O que o que escrevi sobre o que tem escrito o André Azevedo Alves não foi motivado por “um” post dele recente, mas sim por um acumular de escritos na blogosfera que primam pelo saudosismo, conservadorismo moral e libertarianismo económico - um estado ausente que seja um menor impedimento ao “programa moral” da instituição que inspira o André. Nem a “direita sociológica” de que fala (e que ninguém lhe desdenhe a autoridade) Jaime Nogueira Pinto será tão extremista e conservadora como esta.

(...)

Eu não digo que o André Azevedo Alves me dá vómitos - isso seria, obviamente, gratuito e inaceitável. Os fortes qualificativos que usei resultam de um conjunto de ideias suas que, na minha opinião, o tornam merecedor desses atributos. Posso estar a ser exagerado ou injusto, mas o facto é que não vi isso abordado, de forma explícita, em críticas que fui lendo por aí. A ambiguidade em relação ao PNR, as tiradas boçais em relação a Pinochet, Salazar ou McCarthy, a crueldade e insensibilidade perante o sofrimento alheio (os incontáveis post dele sobre os palestinianos são exemplo disto, como seria a série anti-LGBT), os links “anódinos” sobre a ciência que talvez “mostre” que os pretos são menos inteligentes, não são “meras excentricidades” ou elementos acessórios em relação a uma posição de direita respeitável, séria, educada, bem fundamentada, coerente e intelectualmente “brilhante” que o André Azevedo Alves supostamente representa.

Do Tiago Mendes.

e por aí fora... leiam o resto.

Dou os meus sinceros parabéns ao Tiago Mendes pela razia quase «Voltaireiano» que aplicou a André Azevedo Alves no post que linkei em cima reduzindo-o ao infinitésimo.

Não censuro o Tiago Mendes nesta polémica, alias até acrescento positivamente que a minha reacção pessoal a tudo que o André Azevedo Alves escreve, pensa e acredita, é de demarcação total e absoluta. Isto incluí também a demarcação em termos de linguagem.

Não tenho qualquer ilusão ao afirmar que um projecto liberal para Portugal continuará a ser inviável enquanto ela se fizer representar por uma trajectória milenarista ou como Tiago Mendes o descreve, missão de inspiração religiosa.

Tem sido muito prejudicial e direi mesmo que é de lamentar que haja quem assume posturas de liberal, enquanto entende a «liberdade» propriamente dita, como uma espécie de liberdade positiva, isto é, «és livre, mas apenas para viver de acordo com os costumes, superstições e tradições vigentes.

Esta ideia muito peculiar de «liberty» é alias bastante vulgar entre Republicanos, sobretudo os sulistas, dos Estados Unidos.

Liberal =/= Conservador

Ismael Paulino on Domingo, 09/12/2007 - 17:35

O dr. Arroja já se afastou, com subtileza, do rótulo de "liberal." Seria bom que os conservadores, em geral, se assumissem como tal...

Retrato de Igor Caldeira

Benza-o deus!

Igor Caldeira on Domingo, 09/12/2007 - 18:00

Tomou juízo.

Este caso vem sublinhar um facto importante sobre um determinado conjunto de pessoas. Uma vez que este caso revela inequivocamente, que a continuidade dos que contribuem para a revista/blog Atlântico está condicionada pela ausência de críticas dirigidas ao André Azevedo Alves, este último assume desta forma uma posição de líder espiritual cujas ideias adquirem uma aura de infalibilidade em certos círculos, não pelo mérito mas sim pela reverência obrigatória.

A única mácula que consigo impingir ao Tiago Mendes foi de não ter percebido a priori que estava a entrar para um meio repleto deste tipo de prostrações morais e intelectuais, onde o facto e a razão são substituídas pela preferência e a fantasia. Mas ao menos assim ficou demonstrado.

Retrato de Igor Caldeira

Discutir política

Igor Caldeira on Sábado, 08/12/2007 - 01:47

Não achaste curiosíssimo que, precisamente quando surge alguém a discutir política a sério, tenham ficado todos ofendidíssimos? Eu achei inacreditável que o blogue de uma revista que supostamente serviria para debater política se tenha reduzido a uma espécie "meeting point de jet-sets tipo-Nova Gente do pensamento político": um conjunto de vacuidades sobre boas maneiras a substituir o confronto entre projectos políticos.

Em todo o caso, e quanto ao Tiago Mendes, já tinha lido muitos artigos dele no DE dos quais tinha gostado muito. Com isto, rebentou a escala.

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação