Quem me conhece sabe que, apesar de um agnóstico convicto, não sou pessoa de falar mal de nenhuma religião gratuitamente nem tão pouco me considero contra a existência de religiões. Nesse sentido, o presente texto não pretende ser um ataque à religião, mas antes pelo contrário, um grito de revolta devido à discriminação religiosa que os governos do nosso país insistem em praticar.
Segundo a imprensa online portuguesa (ex. Iol Diário, Jornal de Noticias e RTP) o Governo português deu tolerância de ponto a todos os funcionários públicos no dia 13 de Maio (visita do Papa Ratzinger) e ainda a tarde de dia 11 de Maio aos Lisboetas e a manhã de dia 14 de Maio aos Portuenses. Nem sei como iniciar o comentário a estas noticias, se pela discriminação regional, se pela discriminação religiosa ou se pelo simples facto de que um país não deve parar para a visita de um líder religioso.
Começando, então, pela discriminação religiosa, em 2007, tal como em 2001, a visita do líder religioso budista e prémio nobel da paz (noticia da visita) não deu, naturalmente, direito a tolerância de ponte. Mais, na ocasião desta visita o próprio primeiro ministro recusou uma audiência ao Nobel da paz. Já em 2010, a visita do líder católico dá direito a paragem da função pública. Qual o critério?
Como se não bastasse a discriminação religiosa, o governo escolheu também o caminho da discriminação regional. Por que razão os trabalhadores do Porto e de Lisboa têm direito a um dia e meio de tolerância de ponto e os do resto do país só têm direito a um dia? Até consigo perceber (fora o facto de discordar totalmente com esta tolerância) o porquê no dia 11 ser dada a tarde aos lisboetas e a manhã de 14 aos portuenses, simplesmente o papa está em Lisboa na tarde de 11 e no Porto na manhã de 14, no entanto no dia 13 está em Fátima, porque não dar o dia 14 apenas às pessoas que trabalham em Fátima?
Por fim, a discriminação dos não religiosos. As pessoas não religiosas são discriminadas em todo este processo, como de resto já são na "marcação" dos feriados. Para umas pessoas pode ser tão importante um jogo de futebol do Benfica como para os religiosos a vinda do Papa a Portugal. Para outras pessoas, pode ser tão importante a presença de uma banda rock internacional como a presença do Papa. Porque é que no caso dos religiosos (apenas católicos como já foi referido) a presença do Papa dá direito a tolerância de ponto e no caso da presença de uma banda rock tal não acontece?
Em suma, onde está a laicidade do estado?













indultos
adry (não verificado) on Quinta, 06/05/2010 - 19:07Aquele senhor que diz que não deve haver indultos é porque naturalmente não tem nenhum familiar preso.É puro egoismo.
A maioria silênciosa
David Moreira on Sábado, 17/04/2010 - 17:49Em Portugal Há uma maioria silênciosa, que são os católicos praticantes e não praticantes.
O estado serve essa maioria, esquecendo-se da sua laicidade, mantendo feriados católicos e tolerâncias de ponto quando da vinda do Papa ao País, espero que não se lembrem dos indultos.
É este o País que nós temos.
É preciso lutar pela laicidade do estado.Ou seja, acabar com a concordata e com a lei sobre liberdade religiosa, que apenas existe por causa da concordata.
A constituição é que deve defender a liberdade religiosa.
Excelente
João Cardiga on Quinta, 15/04/2010 - 09:36Excelente artigo!
Realmente já que é para dar uma "borla" que deêm a qualquer pessoa quando essa pessoa quiser...
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