Retrato de Luís Lavoura

Segundo ouvi hoje de manhã na Antena 1, o governo, tendo em conta que, dos processos entrados em tribunal, 70% são postos por empresas e apenas 30% por particulares, e que as empresas que põem a maior parte dos processos são apenas umas poucas - empresas de comunicações e do setor financeiro, em grande parte - vai encetar conversações com essas empresas com o fim de arranjar formas de pôr fim a este estado de coisas.

Acho muito bem. É preciso o governo falar com as empresas e convencê-las, claramente - a bem ou a mal - que têm que arranjar formas de levar a cabo os seus negócios que não dependam, de forma tão sistemática e repetitiva, do recurso ao aparelho de Estado. Porque o aparelho repressivo do Estado custa dinheiro a todos nós e não deve ser utilizado como forma recorrente de socializar alguns dos custos das práticas comerciais perversas de empresas privadas. É pois preciso conversar e convencer as empresas de que têm que adoptar práticas comerciais diferentes, que não levem a que, de forma tão recorrente, concedam crédito que acaba por ficar malparado.

É bem sabido que a economia moderna funciona, em grande medida, à base do crédito. Atualmente, para aumentar o consumo, já não se consome o que se tem, mas sim o que se pede emprestado. E isto é sistemático. No entanto, esta prática não pode ser levada a cabo através de uma socialização, no sistema de justiça, dos seus custos - a concessão exagerada de crédito, a pessoas que não o merecem.

Aliás, o próprio estado da economia do país aconselha a que se ponha um travão ao crédito: Portugal consome de mais, tendo um deficit nas suas contas com o exterior gigantesco, superior a 8% do PIB.

É, pois, altura de o Estado exigir que as empresas concedam crédito de forma responsável, apenas quando os clientes apresentem provas sólidas de que podem pagar, ou em troca de colateral. As empresas têm, naturalmente, a liberdade de gerir os seus negócios - mas a liberdade exige tambem a responsabilidade de não terem que recorrer sistematicamente ao Estado quando as coisas correm para o torto.

Direito à denúncia

Filipe Melo Sousa on Quarta, 06/12/2006 - 18:31

Essas empresas são:

- Brisa
- EMEL
- CP
- EDP
- PT

Os monopólios apadrinhados pelo estado. Ainda falam do tempo do Salazar...

Dou o caso da Brisa que me mandou uma carta para casa a ameaçar por eu não ter pago 0,45 € na autoestrada de Cascais uns meses atrás. Os senhores da Brisa tinham nesse dia todos os multibancos avariados. Após a 3ª passagem, esgotei as moedas e passaram-me uma nota de crédito. Passei por um ritual de verdadeiro auto de polícia, que durou 5 minutos, com carros atrás de mim na portagem. Passado uns meses, e o meu pagamento por transferência bancária, eles não encontravam o pagamento. Toca a exigir então 0,45 € + 24,97 € por incumprimento, e ameaça de me meterem em tribunal se não pagasse.

Sabem que mais? Perdoava-se todas as multas da EMEL, do Metro, da Brisa e da CP. Justiça popular!!

Eu de qualquer maneira não as pago..

Retrato de Luís Lavoura

Se as empresas são privadas

Luís Lavoura on Quinta, 07/12/2006 - 10:51

Se as empresas são privadas ou estatais, é coisa que não interessa para o caso.

O que interessa é saber se as empresas não poderão arranjar formas de fazer negócio em que tenham que recorrer menos aos tribunais. É para isso que é necessário dialogar com as empresas.

Por exemplo, no caso da BRISA, certamente que a introdução dos pagamentos por multibanco na portagem evitou muitas notas de crédito e consequentes extravios de pagamentos. No caso relatado o pagamento por multibanco falhou, mas seria certamente muito pior se nem sequer existisse a possibilidade de pagar por multibanco, como é o caso da EMEL.

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