Retrato de Luís Lavoura

A União Europeia fez um acordo com a Turquia para que esta já não deixe de passar refugiados  para as ilhas gregas.

O fluxo de refugiados para as ilhas gregas cessou, como desejado. Mas, correspondentemente, há cada vez mais refugiados a virem da costa líbia para a Itália.

Fechou-se uma torneira, outra de igual débito está-se a abrir. De facto, o fluxo diário de refugiados a atravessarem da Líbia para a Itália aproxima-se hoje do fluxo que no ano passado passava da Turquia para a Grécia.

Com a diferença de que a travessia marítima da Líbia para Itália é muito mais longa e, portanto, perigosa do que a curta travessia da Turquia para as ilhas gregas (algumas das quais estão a apenas uma dezena de quilómetros da costa turca). São de esperar muitos mais naufrágios, com forte impacto mediático.

A União Europeia reflete agora o que fazer. Há de deixar cair o acordo com a Turquia, por exemplo negando a concessão de vistos de entrada a cidadãos turcos? Há de invadir a Líbia, a pretexto de combater o Estado Islâmico mas também para impedir a partida de refugiados das costas líbias?

Não parece haver boas soluções.

Mas algumas pistas permanecem. Porque é que os refugiados partem para a costa italiana mas quase nenhuns chegam à ilha de Malta, que fica muito mais perto da costa líbia do que Lampedusa? Porque é que não há refugiados a tentar atravessar o estreito de Gibraltar, que é pouco mais largo do que a distância entre Lesbos e a costa turca? Porque é que deixou de haver fluxos de refugiados da Mauritânia e do Senegal para as ilhas Canárias?

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