Retrato de Luís Lavoura

Nos últimos empos tem-se falado muito sobre as grandes obras públicas e a necessidade ou não-necessidade de as adiar. Foca-se invariavelmente, quando se discute este problema, o TGV. Isto dever-se-á à opção, feita pelo PSD de Manuela Ferreira Leite, de escolher essa grande obra pública como o principal alvo a abater. Eu penso que essa foi uma das muitas más escolhas que o PSD de Manuela Ferreira Leite fez. Porque, de ente todas as grandes obras públicas em curso ou projeto, o TGV parece-me a menos má de todas.

 

Isto porque o TGV é um combóio que funciona a eletricidade, eletricidade essa que pode ser produzida por uma variedade de meios. As outras grandes obras públicas, pelo contrário, destinam-se a meios de transporte que só funcionam a petróleo. Eu compreendo que Manuela Ferreira Leite, que é uma senhora de 70 anos, acredite que vai haver sempre petróleo e que ele vai permanecer sempre a um preço aceitável. A maioria dos portugueses da classe social de Manuela Ferreira Leite concordará com ela - eles andam muitíssimo de automóvel, algumas vezes (gostosamente) de avião, mas raramente de combóio. Para eles, as auto-estradas são ótimas grandes obras públicas, e um novo aeroporto para Lisboa também é uma boa grande obra pública; o TGV, pelo contrário, é totalmente dispensável, é uma verdadeira delapidação de dinheiro.

 

Infelizmente, estão errados. O petróleo não dura sempre e, daqui a dez anos, a gasolina estará a um preço proibitivo para quem queira andar de avião ou automóvel. As grandes obras públicas de que não se fala - as autoestradas e o aeroporto - destacar-se-ão então como os elefantes brancos que são. O TGV para Madrid acabará por parecer a menos má de todas as grandes obras públicas. Aposto, aliás, que acabará por ser muito mais utilizado do que as atuais previsões mais otimistas sugerem.

O LL tem toda a razão. O

Anónimo (não verificado) on Domingo, 13/06/2010 - 13:24

O LL tem toda a razão. O comboio (e barco) é o transporte do futuro. A preço do petróleo vai subir e é necessário começar a investir já em meios de transporte não dependentes do petróleo.

Também precisamos de reduzir a dependência dos aviões para comunicar com a Europa e o TGV servirá para isso.

Acresce que a linha de TGV servirá para transporte de mercadorias. Não só de Lisboa mas de grande parte da região sul (nomeadamente Sines) e centro. O exemplo de Bragança é estupido pois é óbvio que o TGV não servirá os interesses desta região. Nem esta nem outra linha de comboio servirá os interesses de TODO o País mas isto é verdade para QUALQUER investimento que se faça em transportes.

Caro Luís, A sua lógica é de

José Silva (norteamos) (não verificado) on Quarta, 26/05/2010 - 14:13

Caro Luís,

A sua lógica é de batata. Então pelo facto de usar um fonte de energética aparentemente menos arriscada torna o projecto por si só aceitável ? E a procura ? E o custo de exploração desta alternativa ferroviária face a outras menos ambiciosas ? Mas há mesmo mercadorias a sair de Lisboa justifiquem um transporte ferroviário ? Ou são mais as estradas de mercadorias, dado que a região de Lisboa tem defict comercial ?

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Quarta, 26/05/2010 - 14:36

Não me entendeu bem. Eu não escrevi que o TGV Liboa-Madrid fosse uma boa obra pública, rentável. Disse que as outras grandes obras públicas são ainda piores, menos rentáveis. A procura vai ser insuficiente para justificar o TGV. Mas a procura vai ser ainda menos suficiente para justificar o novo aeroporto e as novas autoestradas.

TGV

zeparafuso (não verificado) on Quinta, 27/05/2010 - 12:20

Não concordo na totalidade consigo. Admitindo que o petróleo daqui por dez anos está a preço proíbitivo, explique-me lá, como é que um individuo que tem um negócio a tratar em Bragança e precise mesmo de se deslocar áquela cidade como o fará? Apanha o TGV Poceirão-Madrid? Lisboa -Porto? Terá que ir a pé ou de bicicleta? Soluções tem que haver, não estas que, no momento presente e é disso que se trata, do presente, o TGV, mais auto-estradas e outras coisas parecidas, estão erradas. Que MFL também esteja errada, não duvido. Mas não é o TGV que vem resolver o problema. Seria por exemplo melhorar a rede de rodovias que temos, gatávamos menos dinheiro e quando pudessemos pensariamos do TGV, Aviões supersónicos, no que quizessemos pensar.....mas no presente? À beira da bancarrota?

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