Retrato de Luís Lavoura

A Guiné Equatorial, um país muito rico em petróleo e governado por uma ditadura muito rica, quer fazer parte da Comunidade dos Países de Lingua Oficial Portuguesa (CPLP), estando para isso disposta a erigir o português em sua língua oficial. Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe parecem estar todos de acordo em admitir a Guiné Equatorial na CPLP, apenas Portugal se revolta. E eu pergunto, porquê?

É verdade que na Guiné Equatorial o português não é falado. Mas, e depois? Em Timor-Leste o português também quase não era falado (era-o apenas por uma minúscula elite) quando esse país decidiu, à revelia da imensa maioria da sua população, escolher o português como sua língua oficial e entrar na CPLP. Se Timor-Leste pôde entrar na CPLP, porque não pode a Guiné Equatorial? Se Timor-Leste tem o direito de impôr o português como sua língua oficial (e de começar de raiz a ensiná-lo ao seu povo), porque não tem a Guiné Equatorial o direito de fazer o mesmo?

Pergunto, não queremos nós que o português, a nossa língua, a sexta língua mais importante do mundo em termos de falantes, uma língua que no passado já foi língua franca em todos os portos da Ásia, se expanda? Porque haveremos de procurar impedir que a Guiné Equatorial adira à nossa maravilhosa língua? Não têm os cidadãos desse país o direito, e mesmo a obrigação, de começarem a aprender a nossa língua e a negociar nela?

Argumenta-se que nenhum outro país europeu faria tal coisa, mas isso é falso. Não tentou a França, durante muito tempo, que o francês se tornasse língua oficial da Guiné-Bissau e que esse país aderisse à comunidade de países africanos francófonos? Se os franceses querem expandir a sua língua para a Guiné-Bissau, porque não haverão os portugueses de expandir a sua para a Guiné Equatorial?

Argumenta-se ainda que a Guiné Equatorial é uma ditadura. Pois é, e depois? Alguma vez foi a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa uma associação de democracias? Angola e Moçambique são democracias perfeitas? A Guiné-Bissau é um Estado funcional? Não são, e no entanto ninguém questiona a pertença desses países à CPLP!

A língua portuguesa é a nossa pátria. Ela é a Verdade. Se a Guiné Equatorial deseja aderir à Verdade, que seja benvinda!

Concordo plenamente com tudo

Anónimo (não verificado) on Quinta, 13/03/2014 - 18:19

Concordo plenamente com tudo o que foi escrito. Parabéns pela lucidez.

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação