Retrato de Luís Lavoura

(1) Em Portugal, política é cada vez mais para homens. Dos cerca de 100 presidentes de Câmara eleitos cujos nomes li, apenas três eram mulheres. E todas elas, notei, eleitas pela CDU. Com a saída de algumas muito antigas presidentes de Câmara - no Montijo, em Almada, em Baião, etc - o mundo dos presidentes de Câmara tornou-se quase exclusivamente masculino. É deprimente.

(2) Grande parte dos presidentes de Câmara eleitos foi-o com maioria esmagadora dos votos (maiorias da ordem dos 50% ou mais), independentemente dos partidos pelos quais concorriam. Isto mostra que a política local é essencialmente uma política de personalidades e que estas eleições dificilmente podem ter uma interpretação a nível nacional.

(3) A vitória mais saborosa foi na minha terra, o Porto. Uma vitória merecida e que constitui uma grande lição para o PSD e, em menor medida, para o PS.

(4) Deu-me gozo ver o discurso de vitória do novo presidente da Câmara de Oeiras. Com toda a propriedade e sem espinhas, Isaltino Morais venceu desde a prisão. E, em frente às câmaras das televisões, o seu sucessor, que venceu em nome dele, dirigiu-lhe calorosos cumprimentos a ele, que estava certamente a vê-lo no seu televisor na cela. Foi um espetáculo de gargalhadas.

(5) Muito boas notícias vieram da ilha da Madeira, onde o PSD perdeu Câmaras de forma nunca vista. Tudo serviu para roubar Câmaras ao PSD: desde uma coligação no Funchal, passando por uma vitória do CDS, a terminar numa outra de um independente. O jardinismo despesista encontra agora, na época de crise, o seu limite. Até que enfim.

(6) A CDU angariou um resultado impressionante, com a conquista das Câmaras de Évora, Beja, Silves e Loures, para além de Alcácer do Sal, Grândola e outras. Está de parabéns, absolutamente.

(7) No total nacional, onze candidaturas independentes venceram. Um sinal de que os partidos estão na mó de baixo e, crescentemente, se tornarão irrelevantes em eleições autárquicas. Como aliás é natural, uma vez que, nelas, a ideologia do candidato pouco conta. O que interessa num eleito local, como bem diz a CDU, é "trabalho, honestidade e competência".

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