Retrato de Luís Lavoura

Os incêndios são consequência direta do abandono da agricultura de subsistência que se praticava em Portugal até à década de 1960.

Até essa década Portugal era muito densamente povoado e os portugueses ganhavam o pão-nosso-de-cada-dia cultivando batatas, trigo, centeio e milho. Trata-se de culturas anuais que exigem limpeza intensiva dos campos. Em junho e julho as batatas e o trigo são apanhados e só fica nos campos o restolho; o milho só é apanhado em setembro, mas só ocorre em terras bem irrigadas e frescas. Os campos cultivados com estas culturas anuais estão sempre limpos e não ardem.

A partir da década de 1960 a agricultura de subsistência foi abandonada. As pessoas passaram a ganhar a vida nas cidades ou no estrangeiro. Os campos que antes serviam para cultivar batatas e cereais passaram a ser ocupados, ou com floresta ou com culturas perenes, como vinhas ou olivais, que não são tão intensamente tratados  e que ardem.

Continua a não haver incêndios no Alentejo, uma vez que este continua em grande parte a ser objeto de agricultura (e de pastoreio, que retira das terras as ervas que mais facilmente ardem).

Os incêndios são uma consequência do abandono da agropecuária de subsistência. É difícil ver como é que se pode, no nosso clima, acabar com os incêndios sem que haja quem cultive os campos. E o problema é que cultivar os campos, que em Portugal são montanhosos (Portugal é um país extraordinariamente montanhoso por padrões europeus) e de solos pobres, não é economicamente competitivo.

Não vale a pena comparar Portugal com outros países do sul da Europa. Na Europa do sul costuma chover mesmo no verão, e o Mediterrâneo assegura que o ar é muito húmido. Espanha não é assim, mas Espanha é um planalto com boas terras agrícolas: grande parte de Espanha é uma imensa seara de trigo.

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