Retrato de Luís Lavoura

Incomoda-me a operação de ontem da polícia francesa que terminou com a morte do suspeito dos assassínios de Toulouse - e com ferimentos, alguns deles graves, em três polícias.

Incomoda-me porque essa operação - e todo o cerco à casa - foi efetuada com todos os jornalistas deliberadamente afastados do local, para um sítio onde não podiam filmar e só podiam ouvir de longe, de tal forma que só se sabe o que aconteceu através dos relatos da polícia - os quais podem ser, ou não ser, verdadeiros.

Incomoda-me porque ninguém imparcial ouviu do suspeito a confissão de que teria sido ele o autor dos crimes. Só a polícia disse que ele confessara os crimes.

Incomoda-me porque o suspeito foi abatido durante a operação. Incomoda-me porque nem sequer é claro de que forma é que ele foi abatido, nem por quê, nem em que circunstâncias. A polícia diz que ele foi abatido durante a fuga, quando saltava de uma janela - mas será verdade? Parece uma ocasião estranha para abater um homem.

Incomoda-me porque me parece inverosímil que a polícia não tivesse outra forma de expulsar o homem da casa, sem ser recorrendo a um assalto a tiro. Não há um corte do fornecimento de água? Não há gases lacrimogéneos?

Enfim, tudo isto me incomoda e me deixa a suspeita de que se quis apagar provas, ou que se quis exibir força para motivar ganhos políticos, ou qualquer outra coisa que eu não sei qual seja.

Sei que o Estado francês não é de confiança em geral, ainda menos com quem atualmente tem a encabeçá-lo.

Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação