Retrato de Miguel Duarte

Em Itália está neste momento em desenvolvimento uma tecnologia de geração de energia eléctrica a partir do vento, que a ser bem sucedida, pode ser revolucionária. Apenas uma central, de grandes dimensões, desta nova tecnolocia poderá vir a gerar 5 Gigawatts de energia, o que é superior a muitas centrais nucleares que andam por aí. Apenas 7 centrais destas seriam suficientes para cobrir todas as necessidades eléctricas do nosso país.

O próprio custo da energia é extremamente barato, pois segundo as estimativas andará à volta de 1.5 € por megawatt/hora, quando o custo de mercado andava em 2005, pelos 43 € por megawatt/hora.

Se esta promessa se revelar verdade dentro de alguns anos, ficará provado que a aposta da Europa nas energias alternativas foi uma boa aposta.

Fonte: Wired News

energias eolicas

Anabela (não verificado) on Terça, 21/11/2006 - 11:06

as energias eolicas deviam ser cada vez mais utilizadas mas os gastos são maiores.

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O Miguel há-de me

Luís Lavoura on Quarta, 11/10/2006 - 12:26

O Miguel há-de me desculpar, mas eu só acredito nestas maravilhosas inovações quando as vejo em prática.

Retrato de Miguel Duarte

Eu também

Miguel Duarte on Quarta, 11/10/2006 - 14:33

Por isso disse "prometedora". ;) Mas como promete tanto, mesmo que cumpra 1/10, já será uma muito boa inovação.

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Slide 24

Filipe Melo Sousa on Quarta, 11/10/2006 - 08:12

O petróleo será competitivo com as indústrias alternativas (em termos reais, deduzindo o dinheiro injectado dos nossos impostos) até à ultima gota de petróleo cujo custo marginal de extração será igual ao custo de produção com energias alternativas, já em plena eficiência. A quantidade a retirar do solo não se altera.

O Carbono não vai ser lançado mais devagar para a atmosfera por causa do invesvimento em energias alternativas. Ao reduzir artificialmente a procura da energia barata, gastando em energia cara, estamos a oferecer energia barata aos países poluidores, que vão assim comprar mais petróleo, e repoem imediatamente o consumo que retiramos do mercado.

Não me parece que para os investimentos em energia eólica que a EDP e a Galp estão a fazer haja alguma patente para estas empresas, ou para o Governo português, que impeça outros países ou empresas de adquirir moinhos de vento. Qual a nossa vantagem competitiva no futuro por ter construído parques eólicos com tecnologia obsoleta? Portugal é um líder na investigação em energias renováveis? Tem depositado patentes? Se sim temos depositado tantas patentes como as outras empresas europeias? Todas as empresas europeias intervenientes têm pelo menos uma patente registada? Em caso contrário existe algum convénio que apenas permita a compra de energia barata a um conjunto de empresas e estados que tenham participado neste investimento inicial? Existem empresas estrangeiras interessadas na tecnologia das empresas portuguesas? Quais são as empresas portuguesas líderes no mercado e que investigam energias renováveis? O que temos de inovador que os outros não têm? O que é liderar a tecnologia? É instalar o máximo de moinhos possível? Como é utilizada a energia da rede eléctrica para chegar ao tanque do nosso automóvel?

Todas estas perguntas e muitas mais são simplesmentes respondidas com "invistam mais de 3% da vossa factura energética em renováveis". Está no slide 24 da análise SWOT de uma empresa de consultoria que tem dado o sábio conselho a todas as empresas de energia assim como aos governos. Uma receita mágica e infalível. Todo o investimento é bom, desde que seja em renováveis. Não interessa como e onde. Desde que seja em renováveis.

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Petróleo e Patentes

Miguel Duarte on Quarta, 11/10/2006 - 09:00

A quantidade a retirar do solo altera-se. Porque o custo de extrair o petróleo do solo tem vindo a subir consideravelmente. Ou seja, as novas descobertas são geralmente de mais cara exploração que as antigas.

A partir do momento que o custo de extrair é mais caro que outras formas alternativas mais baratas, simplesmente não é racional extrair esse petróleo. Se tu acelerares o desenvolvimento de novas tecnologias mais baratas, alternativas ao petróleo, o consumo deste último irá diminuir.

Ou seja, coloca alternativas mais baratas no mercado que o Petróleo, mais depressa e reduzes as emissões de CO2.

Relativamente ao caso Português, estamos agora a entrar no mercado das Eólicas, mas a EDP já é um dos maiores produtores mundiais de energia na área das Eólicas e iremos ter fábricas de produção de geradores eólicos nos próximos anos, derivado dos recentes contratos. Está descansado que as patentes surgirão, se as empresas tiverem tino para terem investigação nesta área (o Estado não pode obrigar os privados a fazer I&D, mas certamente que isto acabará por acontecer).

Por exemplo, não sei se sabes, a nível de acumuladores solares, Portugal tem uma das empresas com melhor tecnologia na área a "Ao Sol" (já fez parte do grupo Galp Energia,a agora é novamente independente), que faz I&D, tem patentes na área e exporta para outros países.

Quanto aos automóveis, tens que dar tempo ao tempo, mas terás duas grandes alternativas, ou irás utilizar carros eléctricos, ou irás utilizar carros com células de combustível, movidos a hidrogénio (que pode ser produzido via hidrólise). Agora para isto ser rentável face ao Petróleo, tens que obviamente ter primeiro energia eléctrica limpa e barata (é que ter carros eléctricos usando energia produzida por combustíveis fósseis é pior que a alternativa actual).

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Crenças e afectos

Filipe Melo Sousa on Terça, 10/10/2006 - 16:53

Ora veio a calhar o meu post anterior: cuidado com a contaminação das crenças pelos afectos. Eu também gostaria de crer que é possível uma energia renovável, barata e com capacidade suficiente para satisfazer o consumo nacional. Infelizmente o que o investimento em energias eólicas fez no decurso deste ano foi aumentar 3% as tarifas para "sustentar o investimento" em renováveis. Normalmente quando se encontra uma alternativa mais barata, o factor de amortização passa imediatamente a ser inferior ao inicial, e o consumidor tem uma redução na sua factura. Foi precisamente o contrário que se passou aqui: as renováveis apenas se mantêm no mercado por subsidio-dependência. E bom não gosto de me citar, mas vou buscar o meu 1º post neste blog: "Numa sociedade de valores artificiais, como é o caso da nossa agora, qualquer actividade empresarial danosa torna-se lucrativa se o seu break-even estiver 20% aquém do custo actual, e a actividade for comparticipada pelo estado em 20% através de incentivos."

Passo seguinte no teu raciocínio aqui exposto: se esta informação for real (mas digo já qu não acredito em 0,0015 € / kWh), então bem comprovado está o investimento danoso do estado em energias renováveis. Caso tivesse aguardado pelo timing óptimo para o investimento teria um output de ( 43/1,5 ) = 28,7 vezes superior àquele do equipamento obsoleto em que investiu.

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Raciocínio Errado

Miguel Duarte on Terça, 10/10/2006 - 22:27

Se não fosse o incentivo da União Europeia em exigir um mínimo de energias renováveis, o investimento em I&D nas energias renováveis iria demorar mais tempo a realizar-se e este tipo de tecnologias não iriam aparecer tão depressa. Se leres o artigo em Inglês, vais perceber que a investigação está a ser feita com o suporte de uma eléctrica Italiana, que por seu lado está a fazer este investimento porque precisa de ter alternativas para a produção de energias a partir de fontes renováveis.

Não gastavas dinheiro a mais no curto prazo, mas irias continuar a gastar cada vez mais nas fósseis e provavelmente na nuclear, com externalidades que não caem no teu bolso no curto prazo, mas iriam cair no longo prazo, nos nossos bolsos e nos bolsos dos nossos filhos.

Muito sinceramente, acredito que o Estado tem um papel a desempenhar no acelerar da mudança tecnológica no sentido de tecnologias mais amigas do ambiente.

Já para não falar que acredito que no dia em que nos livrarmos do Petróleo, também nos livramos do fundamentalismo Islâmico, e por isso é bom que encontremos soluções rapidamente para cortar pela raiz esta dependência.

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A grande fálácia

Filipe Melo Sousa on Terça, 10/10/2006 - 23:37

O que se coloca aqui é claramente a teoria dos jogos. Se este cenário fosse o dilema do prisioneiro, a Europa está a ser denunciada, sem querer colaborar com o inspector. Vai pagar com uma longa temporada na prisão, enquanto o seu cúmplice sai em liberdade. Estamos portanto a viver o pior dos cenários possíveis.

Isto quer dizer que quem ratificou Quioto vai pagar a I&D para os outros países (EUA, India, China) que esfregam as mãos de contentes à espera que a tecnologia lhes apareça barata e disponível sem ter contribuído em nada para isso. São os contribuintes Europeus que estão a pagar a factura dos poluidores. Neste caso não é a empresa italiana a investir, isso é uma manobra financeira. A empresa só investe porque o governo distorce os preços através de incentivos retirados do dinheiro dos contrubuintes, e ainda por cima em vão. Porque estas políticas ruinosas não vão reduzir o consumo de petróleo. O consumo será o mesmo. Ao reduzir o seu consumo, a Europa apenas vai permitir aos países poluidores (que não ratificaram) adquirir petróleo barato, através da sua redução da procura. A OPEP mantém a oferta de modo a ajustar um preço algo. Esta política contraproducente oferece pelo contrário um incentivo para poluir mais por parte de quem já polui.

O petróleo é hoje utilizado por ser mais barato. Se houvesse um meio mais barato e cómodo, o petróleo teria ficado no solo. Isto não é de toda a maneira contraditório com o facto de a indústria petrolífera querer manter a máquina de extracção a funcionar. Apenas o poderá fazer se oferecer uma vantagem competitiva. E neste momento oferece. É bom, mas tem os dias contados. Põe-se o dilema da transição.

Numa fase de transição de uma energia barata para uma energia mais cara, como é agora o caso, o petróleo continuará a ser produzido nos poços cada vez mais profundos e com produção cada vez mais cara, e transaccionado até à última gota cujo custo marginal de extração iguale o custo de uma unidade equivalente de energia renovável produzida quando esta estiver na sua plena eficiência. Quer isto dizer que todos os esforços de racionalização do petróleo apenas irão atrasar aquilo que será o mesmo resultado final. Será queimada uma quantidade que se encontra já predeterminada. É esta a grande fálácia de Quioto.

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:)

Miguel Duarte on Quarta, 11/10/2006 - 07:16

Não será até à última gota. O petróleo será extraído enquando for competitivo com as energias alternativas. Sejam elas o nuclear, o gás, as renováveis, etc. O que vai acontecer é que à medida que surgem tecnologias alternativas mais baratas, o consumo do petróleo irá diminuir, à semelhança do que aconteceu com o carvão, que claro, ainda é usado hoje em dia, mas em menores quantidades.

Em termos ambientais o problema não é lançar carbono para a atmosfera, é lançá-lo depressa demais.

E eu não tenho qualquer problema em pagar por I&D, muito pelo contrário. Se eu desenvolvo novas tecnologias, isso quer provavelmente dizer que eu vou ser o líder nessas novas tecnologias, não os outros. O que a China e os EUA se arriscam é a ter que vir pagar royalties pelas patentes europeias e pelas tecnologias europeias, além de ter que comprar produtos às empresas europeias. Não me parece muito preocupante.

O teu argumento é como dizer que os EUA não deviam desenvolver novo software e novos chips, porque a Europa vai esfregar as mãos de contente. ;)

Além disso, se consguirmos realmente liderar estas novas tecnologias e ter electricidade mais barata, o custo inicial para as nossas indústrias transformar-se-á em vantagem competitiva, pois passaremos de uma situação de electricidade mais cara, para uma de electricidade mais barata.

Já para não falar de eventuais efeitos em indústrias relacionadas (ex: indústria automóvel), que poderão utilizar a existência de uma energia alternativa mais limpa (e mais barata) para desenvolver novos produtos que usam essa energia, tomando a dianteira também elas no mercado mundial.

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