Nos tempos de António Guterres - o tempo da bolha das dot-com - o Estado propagandeou as maravilhas da nova economia baseada na internet. Todas as pessoas eram supostas ir passar a fazer o essencial das suas compras pela internet. Lembro-me de uma iniciativa patrocinada pelo Estado, na qual 15 pessoas foram fechadas durante dois meses num barco ancorado algures, sem qualquer contacto com o mundo exterior exceto a internet e os seus cartões de crédito, para demonstrar como essas pessoas podiam, a partir do barco, comprar tudo aquilo de que necessitassem.
Hoje ficamos a saber que o Estado português está muito preocupado por, aparentemente, 6% dos portugueses comprarem medicamentos pela internet. O Estado diz que isso é um perigo para a saúde, que os medicamentos são frequentemente contrafeitos, etc. Isto deixa-me perplexo. Então nós não éramos supostos passarmos a fazer todas as nossas compras pela internet? Se podemos comprar na internet camisas (possivelmente contrafeitas), salsichas (possivelmente contrafeitas), máquinas de barbear (possivelmente contrafeitas), ou Corn Flakes enriquecidos com cálcio (possivelmente contrafeitos), por que motivos não haveremos também de comprar pela internet vitaminas ou antidepressivos, igualmente possivelmente contrafeitos?
Cheira-me que há aqui uma não pequena dose de protecionismo, não só do Estado português, mas dos Estados a nível mundial. A favor do negócio dos médicos e das farmácias.














Apesar de tudo há uma
antibalas (não verificado) on Sexta, 22/01/2010 - 12:53Apesar de tudo há uma diferença significativa entre os comprimidos e camisas contrafeitas. No caso destas quem suporta o prejuízo é exclusivamente o comprador. Já nos medicamentos marados, acaba por ser o hospital público,i.e, mós todos a suportar os danos causados.
SIm, mas...
Luís Lavoura on Sexta, 22/01/2010 - 15:09Sem dúvida que essa diferença existe e é, em princípio, relevante.
Mas duvido muito que seja essa a principal preocupação das autoridades. Calculo que apenas uma pequena percentagem dos medicamentos que se compram pela Internet - muitos dos quais são de marca - sejam contrafeitos. E mesmo de entre estes, muitos deles apenas conterão placebos (substâncias sem efeito biológico relevante) e apenas uma pequena percentagem conterá produtos tóxicos. E, mesmo de entre os que contenham produtos tóxicos (i.e. prejudiciais), apenas uma pequena percentagem causará tal dano ao consumidor que o obrigue a procurar tratamento.
Luís Lavoura
Uma duvida?
João Cardiga on Sexta, 22/01/2010 - 19:12O estado (i.e. a sociedade) é ou não responsável pela segurança dos seus cidadãos?
Sim e não
Luís Lavoura on Domingo, 24/01/2010 - 09:03É responsável pela segurança contra a violência física de terceiros. E mesmo isso, dentro de alguns limites.
Agora, se o cidadão decide atirar-se de uma ponte, regar-se com gasolina e atear um fósforo, ou ingerir uma substância desconhecida, o Estado não é responsável.
Luís Lavoura
Duas duvidas...
João Cardiga on Segunda, 25/01/2010 - 18:221) "É responsável pela segurança contra a violência física de terceiros."
Apenas violência fisica?
2) Então o Estado deveria ou não deveria obrigar a rotulação em produtos inflamáveis? Ou nem sequer é preocupação do estado?
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