Ouvi ontem na televisão que se vai avançar para a transformação do IP8 em autoestrada.
O IP8 é uma estrada que atravessa o Alentejo, de Sines e passando por Ferreira e Beja até à fronteira de Vila Verde de Ficalho, de onde dá ligação a Sevilha.
A justificação para transformar o IP8 em autoestrada é, essencialmente, servir o porto de Sines, permitindo que os camiões TIR viajem rapidamente de Sines para Sevilha.
O atual IP8 tem um trânsito miserável, que de forma nenhuma justifica a sua transformação em autoestrada. Se até Beja ainda vão passando alguns carros, de Beja até à fronteira (mais de 50 km, passando por Serpa) o tráfego é praticamente nulo. A estrada é em geral boa, pelo menos até ao Guadiana, permitindo velocidades elevadas.
Para mim a construção desta autoestrada é um paradigma de mau investimento público. Fez-se já a autoestrada A6, Lisboa-Évora-Elvas-Badajoz, cujo trânsito é bastante reduzido. Fez-se já a autoestrada A2, Lisboa-Faro, cujo trânsito também é muito reduzido exceto em períodos de férias. Agora vão construir mais uma autoestrada por uma das regiões mais desertificadas da Península Ibérica. Não vejo onde está a racionalidade desta delapidação de fundos públicos.
É para servir Sines? Pois bem, e o TGV? Então não se queria ligar Sines a Badajoz por TGV, precisamente para colocar as mercadorias, a toda a velocidade, em Espanha? O que se privilegia então para Sines, uma ligação por autoestrada ou uma ligação ferroviária? Construir as duas simultâneamente não será a modos que de mais?














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