Há dias, dizia o João Miranda do "Blasfémias" que, com o Magalhães, os miúdos portugueses «Não vão aprender a programar. Vão aprender a usar o rato para clicar em “janelas” e menus.» Não creio que o objectivo do Magalhães seja criar um povo de programadores - embora isso se torne objectivamente facilitado, a longo prazo. O objectivo será, bem como o dos programas de quase distribuição de computadores, um outro: sabendo que, por razões culturais e económicas, seria provável que a massificação do uso das novas tecnologias se poderia fazer com algum atraso, e com grandes assimetrias em termos de rendimento, habilitações literárias, etc., o "choque" permite criar a necessidade de habituação ao computador, obrigando a que o máximo de cidadãos possível - com destaque para os mais novos - aprenda rapidamente a trabalhar com as novas tecnologias. Isso permitirá que, a médio prazo, toda a sociedade possa adoptar práticas sociais tecnologicamente mais avançadas - para não se repetir o fenómeno estranho apontando por algumas pessoas na casa dos 50 anos, que se queixam de ter "pais analfabetos e filhos a trabalhar em portais de internet."
O objectivo, de facto, passa por que o máximo de pessoas possível saiba trabalhar com janelas e menus, combatendo o analfabetismo digital. Essa é uma das funções do Estado - proporcionar os meios para que todos possam aceder a oportunidades e criar as suas próprias oportunidades. Mas é possível que quem trabalha com um computador há mais de 20 anos não consiga imaginar que ainda há por aí pessoas que não saibam o que é o Windows.













"Computadores há muitos e
Ismael Paulino on Domingo, 31/08/2008 - 22:49"Computadores há muitos e é relativamente fácil de aprender a usá-los."
Não é. É preciso uma envolvente social, de pessoas que também utilizem e estimulem ao uso. É preciso o uso regular e repetido. E mesmo assim, fica-se com o conhecimento dos mais básicos. O verdadeiro conhecimento do funcionamento típico de um computador (hardware e software) demora talvez 1 a 2 anos de uso regular - e mesmo assim continuam a aparecer sempre situações para as quais não se está preparado e é preciso recorrer à tal envolvente social.
"não é por terem um computador que os nossos alunos vão ficar mais brilhantes."
Pois claro que não, e o governo que o disse está a enganar as pessoas. Mas só que o país não se torne info-excluído, já é passo positivo em relação ao que seria historicamente espectável.
Concordo
Miguel Duarte on Segunda, 01/09/2008 - 11:57Para quem tem formação e sempre usou um computador (como eu que não larguei a informática desde que num belo dia toquei num Sinclair ZX Spectrum 48K e joguei ao Pac Man), parece que em informática é tudo simples.
Infelizmente a realidade não é essa e existem pessoas com graves défices na utilização de um computador, mesmo entre a geração mais nova. Não só abrir e fechar janelas, mas saber usar uma folha de cálculo, um processador de texto, um programa de apresentações, um programa de tratamento de imagem ou uma base de dados. E claro saber um pouco do hardware do computador também me parece fundamental (no mínimo saber ligar as fichas e perceber os diferentes tipos de memória, etc.).
combate-se a infoexclusão
Luis Menezes on Sexta, 29/08/2008 - 00:45combate-se a infoexclusão mas não é por terem um computador que os nossos alunos vão ficar mais brilhantes.
Computadores há muitos e é relativamente fácil de aprender a usá-los. Existe um défice em "cérebros" bons, e ensinar os alunos a usar o seu cérebro é obra que poucos professores (e refiro-me apenas à minha experiência como aluno ao longo de 18 anos) conseguem alcançar.
Alguns alunos irão tirar proveito deste computador, outros irão encará-lo como um brinquedo que o papá Estado deu. Quem realmente lucra é quem o vende ao Estado, e também lucra o Governo ao passar esta imagem aparente de "aposta na educação/tecnologia".
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