Retrato de Luís Lavoura

Há quem argumente que a nomeação do presidente da Comissão Europeia pelos chefes de governo dos 28 países da União é tão democrática como a sua eleição pelo Parlamento Europeu, uma vez que os chefes de governo foram escolhidos em eleições democráticas e são sustentados, nos seus países, por maiorias mais coesas do que as do Parlamento Europeu.

Este argumento é tão ridículo como o seria defender que o primeiro-ministro de Portugal não deveria ser eleito pela Assembleia da República mas sim nomeado por uma assembleia dos presidentes das Câmaras Municipais - os quais, sem dúvida, gozam na sua generalidade de amplas maiorias a sustentá-los nos respetivos concelhos.

A democracia indireta é sempre um fraco substituto da democracia direta.

 

(Nota: não aprecio Juncker. Mas defendo que ele é o único legítimo presidente da Comissão Europeia.

Juncker é uma má escolha e causará disabores.

Francisco (não verificado) on Terça, 15/07/2014 - 14:49

Tem toda a razão quanto à a dizer que a democracia direta não deve ser substituída pela indirecta. Contudo, a eleição de Juncker no Parlamento Europeu foi uma fantochada. E Juncker é um homem fraco, fala demais e de ânimo leve, opina alvarmente e não tem carisma. Assistimos a uma eleição como nos gloriosos tempos da URSS. Não me parece que tenha sido um momento histórico como se afirmara. A meu ver apenas confirma a democracia de fachada com que todas as instituições europeias procuram legitimar as suas deisões, mas cujos cargos na verdade não têm a sufragação para serem democráticos. Uma democracia feita de burocratas sem responsabilidade política é na verdade um monstro que ganha tiques de autoritarismo. E se fora assim com Barroso veremos agora piorar com Juncker.

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Terça, 15/07/2014 - 17:08

apenas confirma a democracia de fachada

Não me parece. O Partido Popular Europeu apresentou ao povo europeu Juncker como candidato. Uma vez que esse partido ganhou, Juncker deve ir para o lugar. Isto é tão normal quanto tornar-se primeiro-ministro de Portugal o líder do partido mais votado. É democracia vulgar.

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