Retrato de Luís Lavoura

Entretanto, os rebeldes líbios, apesar dos generosos ataques que a NATO vai efetuando contra toda a capacidade militar de Kadhafi, parecem incapazes de vencer a guerra e, pelo contrário, voltaram a ceder as posições de Ras Lanuf e Brega.

A NATO não parece estar totalmente insatisfeita com este estado de coisas. A Líbia fica dividida em Tripolitânia e Cirenaica. Os líbios matam-se uns aos outros prolongadamente, tal como no passado iranianos e iraquianos se mataram uns aos outros durante nove longos anos. A NATO arbitra a guerra, fornecendo ou permitindo o fornecimento de armas a ambas as partes e garantindo que nem uma nem outra delas tem reais possibilidades de vencer a outra (já vimos este filme antes, como referi acima). Garante-se assim um lucrativo negócio de troca de petróleo por armas. O petróleo encarece, o que leva a mais reciclagem de petrodólares através dos meandros da finança internacional, convenientemente dominados por Nova Iorque e Londres. Todo o mundo empobrece mas os seus senhores enriquecem, de acordo com a "vil máxima" de Adam Smith: tudo para nós e nada para os outros.

Credo, deixou cair um pouco

Sérgio (não verificado) on Quinta, 07/04/2011 - 12:11

Credo, deixou cair um pouco de comun no liberal do seu ismo?

Retrato de Luís Lavoura

Idade

Luís Lavoura on Quinta, 07/04/2011 - 13:24

Já agora, devo fazer notar que, devido à minha avançada idade (48), tive ocasião de acompanhar, vivo, a guerra Irão-Iraque de 1980-89. Outras pessoas mais jovens, que não a tenham acompanhado, serão possivelmente mais inocentes e crédulas em matéria de política internacional. Recorde-se que nessa guerra morreu 1 milhão de pessoas (em boa parte, diga-se, devido às táticas suicidárias utilizadas pelas forças armadas iranianas), sem qualquer perspetiva de vitória para qualquer das partes, porque os poderes internacionais arbitravam a guerra, fornecendo armas (em troca de dinheiro, claro!) a ambas as partes por forma a garantir que jamais qualquer delas poderia obter a vitória. A própria guerra, aliás, foi instigada pelos EUA, que instigaram o ditador iraquiano a invadir em primeiro lugar o Irão. Recordo-me também de, em 1988, quando passei por Genebra, na Suíça, ver pequenos posters nas paredes, postados por refugiados curdos, denunciando o massacre de populações curdas em Halabja pelo ditador iraquiano e pedindo ao "Ocidente" para intervir - debalde, claro. Sadam Hussein estava perfeitamente autorizado a massacrar os seus civis com armas químicas ao mesmo tempo que prosseguia uma guerra sem objetivos contra o Irão. Tudo perante o sorriso beneplácito do "Ocidente".

Retrato de Luís Lavoura

Onde?

Luís Lavoura on Quinta, 07/04/2011 - 13:13

Onde é que você vê comunismo no meu post? Não está lá absolutamente nenhum.

(Não quero dizer, claro, que alguns comunistas não possam concordar comigo nalgumas das opiniões que exprimi.)

Era só uma

Sérgio (não verificado) on Quinta, 07/04/2011 - 15:53

Era só uma chalaça...

Normalmente os liberais da nossa praça apoiam toda e qualquer actividade que gere lucro e seja benéfica para a hegemonia ocidental...

Retrato de Luís Lavoura

lucro?

Luís Lavoura on Quinta, 07/04/2011 - 16:45

(1) Eu sou um liberal, mas atípico por padrões portugueses (em Portugal, pelo que observo, a maior parte dos auto-denominados "liberais" são na verdade direitistas (nalguns casos conservadores) reciclados e (mal) modernizados.

 

(2) É claro que a guerra dá lucro às empresas que fabricam armas. O aumento do preço do petróleo também traz, provavelmente, lucro às empresas financeiras que reciclam os petrodólares. No entanto, a todo o resto do pessoal a guerra traz muito prejuízo.

 

(3) Não é claro para mim como é que a guerra seja benéfica para a hegemonia "ocidental". É preciso, antes do mais, entender que o "Ocidente" não existe: há diferentes países com interesses diferentes e, por vezes, contraditórios, no "Ocidente". Por exemplo, a Alemanha tem participado de forma muito contrariada na aventura líbia. Para países com importantes indústrias de armamento e setores financeiros, como os EUA e o Reino Unido, a guerra pode ser benéfica. Mas para outros já não será. Além disso, a guerra, mesmo sendo benéfica para a economia, não traz necessariamente hegemonia. Por exemplo, o Irão e o Iraque guerrearam-se sem tréguas e, no fim da guerra, havia exatamente a mesma hegemonia (ou seja, nenhuma) que no princípio dela.

 

Considerando o ponto de vista português, que é o que a mim me interessa, a guerra na Líbia é muito prejudicial. O petróleo, que nós importamos na totalidade, ficou nuito mais caro. Centenas de trabalhadores portugueses, que estavam maravilhosamente bem na Líbia - onde foram muito bem acolhidos - tiveram que se vir embora. Empresas portuguesas perderam também os seus rendimentos. E o "Ocidente", em vez de permitir que a guerra tivesse um desfecho rápido, com a vitória do velho ditador, fez um disparate monstruoso - está a prolongar a guerra.

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