Parte de um artigo na edição da semana passada de The Economist, sobre as perspetivas felizes dos nossos comparsas alemães (tradução minha):
"Se as sondagens estiverem corretas, [o] Partido Democrático Livre (FDP) pode substituir o Partido Social-Democrata (SPD) como parceiro de coligação da União Democrata Cristã (CDU) após a eleição de 27 de Setembro. Isso alteraria fortemente a constituição e as políticas do governo de Angela Merkel.
Embora conservadora, a sra. Merkel tem-se frequentemente inclinado para a esquerda enquanto chanceler. [...] O FDP pró-mercado pressionaria a sra. Merkel para cortes nos impostos, um mercado laboral mais flexível e mudanças radicais, pelos padrões alemães, no sistema de benefícios sociais e de pensões de reforma. [...]
A decisão [do FDP] em 1982 de abandonar uma aliança com o SPD a favor de uma com a CDU levou a um êxodo de membros mais esquerdistas. O sr. Westerwelle, agora com 47 anos de idade, foi um dos poucos que ficaram. Quando ele assumiu a liderança em 2001, o FDP arriscou-se a tornar-se num partido de uma nota só, obcecado com cortes nos impostos e a favor dos seus adeptos ricos. A sua ala favorável a liberdades civis eclipsou-se.
Isto está a mudar. A mudança de gerações na liderança está a efetuar-se, incluindo Philipp Roesler, o ministro da economia do estado da Baixa Saxónia, de 36 anos de idade, nascido no Vietname e adoptado por pais alemães. No ano passado ele redigiu um manifesto apelando ao FDP para se dedicar "ao saber, à tolerância e à solidariedade". O partido tem estado demasiadamente orientado para a economia e para os impostos, afirmou. A sua geração representa tanto o liberalismo económico como os valores sociais, acrescentou.
Liderando o FDP numa eleição federal pela terceira vez, o sr. Westerwelle aceita muito disto. Atualmente ele menciona as liberdades civis quase tão frequentemente como as descidas de impostos. Insiste que a mensagem do FDP é "para o país inteiro" e não apenas para os mais ricos. Em 2005 8% dos desempregados votaram no FDP, não longe da sua percentagem global de 9,8%. [...] O sr. Roesler pensa que é sobretudo à sociedade, e não ao Estado, que compete gerar a tolerância e a solidariedade. O FDP ainda acredita que a liberdade é mais importante do que a igualdade e que a iniciativa privada é melhor do que o ativismo estatal.
A maior surpresa na atual campanha eleitoral é que muitos votantes parecem concordar, apesar da pior crise do capitalismo desde 1930. As sondagens prevêem que o FDP obtenha cerca de 15% dos votos, o que seria o seu melhor resultado de sempre. [...] A inclinação da sra. Merkel para a esquerda irritou os apoiantes mais liberais da CDU. O seu incómodo transformou-se em alarme com o aumento da dívida [pública], o apoio do governo a empresas falidas e as ameaças de nacionalizações. Apoiando o FDP, eles podem censurar os conservadores sem abrir a porta a um governo esquerdista.
[...] As principais propostas do FDP são um sistema de impostos mais simples e com uma taxa mais baixa para os indivíduos, adicionado de alterações favoráveis às empresas no imposto sobre os lucros. Os contribuintes serão supostos sustentar mais os encargos com a sua própria saúde e com as suas pensões de reforma. [...]
Tanto o FDP como a CDU são acusados de fazer propostas populistas irrealizáveis, uma vez que ambos insistem que o deficit orçamental deve ser diminuído. A melhor cura para o deficit é o crescimento [económico], responde o FDP; ele não ocorrerá sem cortes nos impostos. À medida que a campanha aquece, a sra. Merkel provavelmente afastar-se-á das propostas mais radicais do FDP. Compete ao sr. Westerwelle modificar as suas intenções quando se tornar seu ministro."














Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?
Deixar uma resposta