Retrato de Luís Lavoura

Mas as transmissões televisivas da manhã de ontem levantam ainda, a um liberal, outras questões.

Uma larga parte do mercado consumidor de televisão não está interessada no fenómeno Fátima. Sobretudo numa manhã chuvosa. Lembremos que um terço da população portuguesa não é católica, e uma boa metade dos católicos não se revê no fenómeno Fátima.

Então, parece haver alguma disfuncionalidade no mercado quando todas as 3 principais televisões se concentram numa transmissão que, quando muito, interessará a metade dos potenciais telespetadores. Aparentemente, as televisões não estão interessadas em, ou não são capazes de, explorar nichos de mercado. Aparentemente elas estão-se nas tintas para os gostos dos telespetadores, em toda a sua generalidade.

Este fenómeno mostra talvez porque é que a economia deste país está na merda, e fica cada vez mais para trás. Porque as empresas não se preocupam em satisfazer os gostos dos consumidores. Não procuram explorar estes gostos na sua globalidade, concentrando-se apenas em satisfazer um nicho de mercado mais evidente e menos exigente.

E a propósito da religião...

João Pedro Moura (não verificado) on Segunda, 20/02/2006 - 17:05

E a propósito desta coisa execranda que é a religião, mormente a da hedionda escumalha maometana, um dia ainda perco a cabeça e vou nas férias para um país árabe, pregar numa praça pública, com uns dísticos, que Alá é pequeno (eles dizem que é grande...)e Maomé nunca existiu!...
Queria ver se me faziam alguma coisa...

FÁTIMA E AS TRANSMISSÕES TELEVISIVAS

João Pedro Moura (não verificado) on Segunda, 20/02/2006 - 16:55

Tens razão, Luís.

1- As empresas televisivas portuguesas têm, entre outros, 2 grandes defeitos:
1.1– Um enorme fascínio pela palhaçada religiosa.
1.2- Um enorme fascínio pela palhaçada monárquica.

Religião e monarquismo são as mais velhas instituições do mundo.
Mas é um mundo passadista… mormente o monarquismo…
… Pelo que, é surpreendente e estranho, que uma empresa moderna e pública como a RTP, mais as outras privadas, passem horas a transmitir o casamento do pretendente ao trono português, como sucedeu há uns 15 anos atrás, mais os baptizados dos seus filhos, os casamentos de filhos de reis espanhóis, os casamentos do mesmo tipo de parasitas sumptuários, em versão inglesa, e outras coscuvilhices, à semelhança das revistas do género…

2- Agora, tivemos a dose cavalar da transmissão televisiva, em 3 canais (!!!), da trasladação funérea da chamada “irmã Lúcia”, a maior vigarista e autora espiritual da maior vigarice de que há memória em Portugal: as “aparições de Fátima”…
Antes, tínhamos tido igualmente doses elefânticas, televisivas, sobre a morte de tal execrável Lúcia e do palhaço-mor que ocupava o trono vaticanista, cujo nome não me recordo agora…
São assim as empresas televisivas que temos: extremamente reverenciosas para com o sagrado, em versão religiosa ou monárquica…

3-…Isto é, empresas que parecem ser depositárias e reprodutoras do que há de mais arcaico e anacrónico na cultura portuguesa, e que, por isso mesmo, não tinham nada que transmitir, em tais doses imanes, esses passadismos, ora da vida privada, ora da religião, que é um assunto privado…

4- As notícias de casamentos da fauna sumptuária e parasitária régia, ou não devem ser dadas ou deveriam ser remetidas para coisas breves. E muito menos para o chamado pretendente ao não menos chamado trono português, que ninguém sabe o que é…

5- As notícias sobre assuntos religiosos deverão ser meras notícias, sem grandes demoras, sob pena de, delongando-as e anunciando-as com pompa e reverência, se tornarem uma ampliação e empolação do fenómeno, o que redunda em sabujice e subserviência e, em última instância, cumplicidade antilaica com a coisa religiosa…

6- Os bajuladores e capachos televisivos, serventuários da religião católica, com destaque para a jornalista-serventuária, Fátima Campos Ferreira, da RTP, tiveram, mais uma vez, o descaramento de passarem horas e horas a entreter, não sei que público, com inanidades contínuas de verborreia, falando com este, arengando com aquele, interpelando aqueloutro, prolongando, artificial e veneravelmente, um evento que se trata em poucos minutos e já com tratamento prolongado…

7- … E depois é o “Nossa Senhora” para aqui e “Nossa Senhora” para acolá, como se a expressão “Nossa” fosse apanágio de toda a gente e apropriada à, necessária, imparcialidade televisiva…

8- … Como se as chamadas “aparições de Fátima” fossem um facto histórico, documentado pelos livros e investigadores de História de Portugal!!!…
Como se uma “deusa”, armada, apenas, em figurinha estatual, amadeirada ou porcelânica, do jardim da celeste corte, pudesse alguma vez “escolher” um determinado sítio, dum determinado país e dum determinado ano, para “aparecer”… votando ao desprezo os outros milhões de sítios do mundo, milhares de anos e biliões e biliões de pessoas, todas “filhas de deus”, para não dizer filhas doutra coisa!!!…
…Como se um deus, conceptualmente, omnisciente, omnipresente e omnipotente, precisasse de transmitir uma mensagem mundial, através de 3 parolas e inocentes crianças, recluídas num certo sítio, dum certo país e dum certo ano!!!…

9- Bem digo eu que a religião é a coisa mais estúpida do mundo e… arredores!!!...

10- Que essencialmente ridículo! Que essencialmente grotesco!

11- Valha-lhes S. Roque… que é o padroeiro dos cachorros sem coleira!...

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