Retrato de Luís Lavoura

Com o resgate dos bancos cipriotas hoje decidido, decidiu-se também uma coisa surpreendente e nunca vista: pôr-se fim à liberdade de circulação de capitais entre Chipre e o resto do mundo.

Naturalmente que tal medida é imprescindível pois, a partir do momento em que os bancos cipriotas sejam reabertos, toda a gente, quer os cipriotas quer os estrangeiros que têm dinheiro em Chipre, quererá levar o dinheiro para fora do país, para porto mais seguro. Mas, apesar de imprescindível, a medida não deixa de ser surpreendente, porque viola uma liberdade que, desde há muitos anos - mas não desde sempre! -, tem sido considerada indispensável para o progresso económico.

Temos portanto uma valente machadada no liberalismo económico. A partir de agora, os cipriotas ficarão proibidos de, livremente, investirem o seu dinheiro em ações, obrigações, ou quaisquer outros títulos localizados fora do país.

É claro que esta medida é altamente facilitada pelo facto de o Chipre ser uma ilha, porque isto também forçará, em princípio, a controles fronteiriços apertados sobre o dinheiro que cada pessoa leva no bolso para fora do país.

Nada disto é novo, praticava-se quando eu era jovem. Mas, dos anos 80 para cá, passou a ser crescentemente mal visto, económica e politicamente. Apesar de ter sido desta forma - ou seja, sob regime de controles rígidos sobre os fluxos internacionais de capitais - que muitos países se industrializaram.

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