Retrato de Luís Lavoura

Quando vivi nos EUA, já lá vão muitos anos, tinha um seguro de saúde (lá não há SNS). A companhia fornecedora do seguro de saúde tinha um hospital na cidade onde eu vivia e o seguro tinha uma condição importante: em caso de necessidade de tratamento hospitalar, eu só estava autorizado a recorrer ao hospital dessa companhia. Se recorresse a outro, teria que pagar do meu bolso.

Eu tinha liberdade de escolha, portanto, mas só se a pagasse do meu bolso. Para que fosse o seguro a pagar, eu tinha que recorrer ao hospital da companhia de seguros.

Isto ilustra que a completa liberdade de escolha não faz sentido, a não ser que sejamos nós mesmos a pagar do nosso próprio bolso. Quem é proprietário de um hospital tem que amortizar o investimento que nele fez. O Estado tem hospitais e não faz sentido que ande a pagar para que os doentes vão para hospitais privados, deixando os públicos sem amortização.

Liberdade de escolha sim. Faz todo o sentido. Mas com o cliente a pagar. Se é outrem quem paga, nunca pode haver completa liberdade de escolha. Pode até não haver nenhuma.

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