Retrato de Igor Caldeira

Consideremos um caso hipotético.

João, António, José, Maria e Luísa são uma sociedade. João considera-se uma pessoa tolerante, e apoiou sempre os esforços de Maria e Luísa para terem um maior peso na sociedade por considerar que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens. Para além disso e mais recentemente apoiou também a igualdade de direitos cívicos de António, que é homossexual. José pertence a um clube violento, que em outras sociedades tem conseguido impôr leis e regimes opressores para todos, e em particular para pessoas como Maria, Luísa ou António.
As tensões que entre os cinco têm surgido devido às posições de José levaram a que Luísa propusesse que alguns direitos de José fossem limitados. Esta proposta está longe de ser tão opressora quanto as acções que os correlegionários de José levam a cabo noutras sociedades, mas ainda assim e pelo seu carácter claramente discriminatório é claramente problemática.

João confronta-se pois perante um problema:
- Se apoia a proposta, discrimina José
- Se vota contra a proposta, ameaça a liberdade de Maria e Luísa (o clube de José defende a inferioridade das mulheres), a vida de António (o clube de José mata homossexuais) e até põe em causa a sua própria situação, posto que em sociedades governadas pelo clube de José não há direito à liberdade de opinião.

Como deve João votar?

Os suíços preferiram discriminar José a ameaçar Maria, Luísa e António. E fizeram muito bem.

Por lapso escrevi Antónios.

Luís dos Santos (não verificado) on Quinta, 03/12/2009 - 19:50

Por lapso escrevi Antónios. Leia-se "Josés".

Considerar q construir

Luis dos Santos (não verificado) on Quinta, 03/12/2009 - 19:44

Considerar q construir mesquitas com minaretes é uma ameaça à segurança da Suíça é extrapolar a coisa grandemente... Uma aberração populista diga-se, mesmo para mim que sou ateu convicto. Se se começam a fazer restrições às liberdades deste género onde é q vamos parar a seguir? Qualquer dia começam a pegar em tudo quanto seja muçulmano e a recambiar as ditas pessoas para fora da Europa não? E em que medida é q o Islão é menos perigoso que o Cristianismo ou qualquer outra religião? A mim parece-me uma questão de percepção social: não nos esqueçamos da Idade Média e de todo o domínio que os cultos cristãos impuseram à Europa e q aparentemente ainda continuam a impôr, como medidas como esta provam. No Alcorão, por muito militarista ou violento q se diga q este é, não há nada de diferente em ideologia relativamente à Tora ou à Bíblia. Quanto a eventuais fascismos vindos de países com constituições muçulmanas, estes apenas decorrem das condições sociais e económicas desses países.

É pena q os Antónios existam, mas impôr à força q a uma ideologia é mais correcta q outra é para mim tão errado quanto essas próprias ideologias o são. E é para isso mesmo q existem constituições, para salvaguardar os direitos individuais e inalienáveis de TODOS os indivíduos e evitar q parvoíces inúteis e ofensivas como esta sejam referendadas.

Muito bem João, podes comprar uma metralhadora e disparar sobre todos os gays, mulheres pouco recatadas, infiéis, judeus, bêbados e afins. No dia em que nada disso existir, eliminaste as causas do terrorismo, e o islão vencerá.

Retrato de João Mendes

Lutar contra as causas do terrorismo

João Mendes on Quarta, 02/12/2009 - 20:32

Se tu achas que isso são as causas do terrorismo, então, em relação a ti, o terrorismo já venceu. ;)

Retrato de Filipe Melo Sousa

Acho preferível lutar

Filipe Melo Sousa on Quarta, 02/12/2009 - 19:42

Acho preferível lutar quando ainda vais a tempo João...

http://en.wikipedia.org/wiki/Warsaw_Ghetto_Uprising

Retrato de João Mendes

Estou a ver

João Mendes on Quarta, 02/12/2009 - 20:03

Eu prefiro lutar contra terroristas e contra as causas do terrorismo, não contra minaretes.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Muitas pessoas que comentam

Filipe Melo Sousa on Quarta, 02/12/2009 - 19:05

Muitas pessoas que comentam aqui esquivam-se à realidade de uma ideologia totalitária sob a capa de um obscuro direito à liberdade religiosa. A intolerância é a regra, não a excepção dos muçulmanos. O islão é um código totalitário. Não existe qualquer ambiguidade sobre o que ele defende. As suas escritas são claras, e a sua prática é para levar à letra. A adesão é voluntária, e não uma fatalidade genética. Na europa, qualquer um é livre de não aderir. Não deve haver qualquer hesitação em condenar moralmente uma ideologia liberticida. Não pega a hipócrita vitimização.

Retrato de João Mendes

Religião

João Mendes on Quarta, 02/12/2009 - 19:33

E por acaso as pessoas que defendem que se possa construir minaretes não condenam os extremismos do Islão? E condenamos também os extremismos, e as hipocrisias, de outras religiões.

Mais uma vez, um insulto encapotado que inventa em vez de debater.

Retrato de João Cardiga

Strawmen

João Cardiga on Quarta, 02/12/2009 - 19:29

Muitas pessoas gostam de discutir com base em Strawmen...

A tua rábula deixa-me, todavia, um pouco perplexo. Na verdade, desconhecia - e penitencio-me - que este referendo estava na forja, e desconhecia igualmente as suas particularidades. A sua origem - a discussão que levou, no fim de contas, a um referendo - residiu na vontade ( e na pouca "à vontade") de partidos de extrema-direita ( nomeadamente o SVP- Partido do Povo Suíço ), como e no seguimento de um protesto pela construção de um minarete na cidade de Langenthal, Berna, patrocinado pelas associações muçulmanas locais (http://www.publico.clix.pt/Mundo/foi-o-medo-da-suica-tradicional-que-venceu-a-consulta-dos-minaretes_1412132). A argumentação utilizada para o pormenor específico dos minaretes reside na sua aparente "irreligiosidade", que, para os militantes desses partidos, constitui prova de uma manifestação ostensiva de poder político e cultural, mais do que uma característica que se possa integrar numa lógica de liberdade de culto religioso. Bem, a mim parece-me que os minaretes têm a função de campanários das igrejas, com os sininhos e essas coisas. Agora... como é que eu pego nisto que li e, no fundo, transcrevi para (minha própria) contextualização e associo com a tua rábula hipotética?

A tua rabula, mesmo que hipotética, associa o clube do José à Religião muçulmana, e parece( sublinho o parece) justificar a perseguição ao ou, no mínimo, a degradação da prática do culto religioso com a justificação de que há países, estruturas e organizações políticas que, justificando-se com interpretações religiosas, neste caso, ligadas à religião muçulmana, perseguem as mulheres, os homossexuais, não permitem a crítica pública, etc.
Essa associação - religião muçulmana e prática anti-mulheres,anti-homossexuais e anti-democráticas ( mistura tua)- é difícil de defender racionalmente, mesmo no interior de um debate filosófico sobre o papel das religiões ( e das suas igrejas) nas sociedades e na sua resistência à evolução de direitos diversos que estas experimentam. Mas acho que é pacífico - mas pouco claro na tua rábula - que o direito ao culto religioso x ou y ( porque não se fala de acabar com os campanários, as sinagogas ou os minaretes, .. é só os minaretes) é um direito que nas sociedades democráticas ocidentais - como os liberais gostam de particularizar - é tão fundamental como os outros direitos de que falaste.

Mas esta associação ( que me parece, vá lá, sem rodeios, preconceituosa e intelectualmente primária ) nem é fonte da maior parte da perplexidade que a tua rábula me gera. O que me transtorna um bocadinho mesmo, é o sobressair da rábula a ideia de acto "vingativo", de acto em forma de punição que esta proibição dos minaretes - a "limitação de certos direitos do José" - constitui. Porque eu compreendia a limitação dos direitos civis do José se ele fizesse parte de clubes de malfeitores ( e mesmo assim preferia que fosse um juiz a decidi-lo). Mas o direito de culto? Assim, na tua rábula, o josé - anti-homossexual, anti-mulheres, anti-democracia, é também a religião muçulmana. E na tua rábula, o josé é alvo de uma punição da sociedade de homens ditos tolerantes, de homossexuais e de mulheres não descriminados ( usando a tua mistura outra vez), como se essas características "puras" constituíssem, por elas próprias, uma sociedade "tolerante", quanto mais ... passível de "referendar" o direito de culto.

Os suíços preferiram descriminar o josé não porque o que estava em causa era os direitos já garantidos da Maria, Luísa e António. ( Justificação que te agradaria, aparentemente). Infelizmente essa razão simples e ingénua,
e infelizmente, temo, primária e preconceituosa, não cola.

(http://www.swissinfo.ch/por/capa/Governo_suico_lanca_terceiro_pacote_contra_a_crise.html?siteSect=105&sid=10845207&rss=true&ty=st, http://neccint.wordpress.com/2009/08/01/crise-leva-suica-a-discutir-adesao-a-ue/)

O que cola, lamentavelmente, é a crise mundial e os seus reflexos na Suiça, que agora discute a sua entrada na UE, e o que cola são portanto a sua taxa de desemprego a aumentar e a contracção do PIB. O que cola é que um país cuja actividade económica "tipo galinha de ovos de ouro", também ela caracterizada, diga-se de passagem, pelos mais estratosféricos valores morais e éticos, tenha, durante tantas décadas, permitido o desenvolver de um país avançado em inúmeros indicadores ( dos melhores), se depare agora com soluços e sobressaltos de natureza social e económica.

Retrato de Igor Caldeira

"Essa associação -

Igor Caldeira on Quarta, 02/12/2009 - 19:02

"Essa associação - religião muçulmana e prática anti-mulheres,anti-homossexuais e anti-democráticas ( mistura tua)"
Não é mistura minha. É constatação da realidade. Consegues dizer-me um país muçulmano onde as mulheres sejam inteiramente livres (do ponto de vista legal), a homossexualidade não seja crime, todos os cultos religiosos sejam livres e onde o pluralismo político seja respeitado? O mais próximo é a Turquia, e mesmo assim não cumpre todos os critérios. E isto, com uma longa história de luta entre a elite político-militar e as elites conservadoras.

"é um direito que nas sociedades democráticas ocidentais - como os liberais gostam de particularizar - é tão fundamental como os outros direitos de que falaste."
Eu jamais particularizo. E creio que não abuso quando afirmo que faz parte da ideia fundamental do liberalismo a universalidade dos valores da democracia política, liberdade económica e Direitos Humanos. São as correntes mais à Esquerda e mais à Direita que gostam de usar esses termos, a Esquerda por complexo do Colonizador, a Direita por ideia de superioridade. Eu afirmo que ninguém em parte nenhuma do mundo pode em nome da cultura impôr outra coisa que não uma democracia política liberal e uma sociedade pluralista assente no indivíduo. Estou certo que praticamente toda a Esquerda me acusa de ser imperialista por defender isto. Seja.
Sim, a liberdade religiosa é um direito tão fundamental quanto outro qualquer. Daí o título do post. Uma das conclusões do meu post é que a liberdade religiosa não se pode sobrepôr a todas as outras liberdades. Da mesma forma que a liberdade das mulheres não pode implicar que os homens sejam escravizados, ou a liberdade dos homossexuais não lhes permite proibir a heterossexualidade (por absurdo).

"O que me transtorna um bocadinho mesmo, é o sobressair da rábula a ideia de acto "vingativo", de acto em forma de punição"
Não, não há punição. Há um aviso. Por injusto que seja, o princípio da precaução toma para mim a dianteira. Entre injustiças, há que escolher a de cada um. Eu escolhi a minha.

"O que cola, lamentavelmente, é a crise mundial e os seus reflexos na Suiça, que agora discute a sua entrada na UE, e o que cola são portanto a sua taxa de desemprego a aumentar e a contracção do PIB."
Bom, isto é que me parece não muito inteligente. Dizer que uma questão que atravessa as sociedades europeias pluralistas há cerca de 20 anos é por causa da crise de há 1 ano é demais. Podes dizer que a luta das feministas francesas (que agora combatem o islamismo como há 40 anos combatiam o catolicismo) ou Ayan Hirsi Ali são produto da crise financeira não cola nada.
Como cola ainda menos a possibilidade de os suíços votarem uma proibição que sabiam de antemão seria muito mal vista no resto da Europa. De facto, o governo suíço teve de engolir um sapo, e a ministra dos Negocios Estrangeiros teve de explicar, como pôde, e não pôde muito bem dado que discordava do resultado, esta decisão.

Minaretes Suiços

João Pena (não verificado) on Quinta, 03/12/2009 - 00:54

"É constatação da realidade." Procurar um exemplo de um país muçulmano onde esses direitos estejam garantidos é tão difícil como encontrar num médio Oriente ou em África um país em que as estruturas de poder políticas funcionem decentemente. Essa dificuldade existe também no encontrar um país com essas características dentro daqueles que foram previamente colonizados, ou que se encontrem em estado de desenvolvimento muito precário ou inicial, ou que tenham sofrido guerras e períodos de desestabilização destrutiva durante o século XX. E a religião muçulmana é, de facto, a relígião mais frequente e comum em muitos desses países ( e de qualquer modo um quarto do planeta professa uma forma qualquer, com uma determinada intensidade, a religião muçulmana). E nestas listas, haverá diversas escalas de "confusão" entre a religião e o aparelho de estado ( haverá várias escalas de estados, também). Fazer destas constatações silogismos tipo "em todos os países ditos muçulmanos os homossexuais não são respeitados, logo todos os muçulmanos não respeitam os homossexuais, logo a religião islâmica não é passível de ser professada sem que se adquira um desrespeito pela homossexualidade" ou algo parecido, parece-me, à falta de melhor palavra, perigoso.
A religião muçulmana não é intrinsecamente pior ou melhor que as outras.

"imperialista por defender isto". A tua defesa da universalização dos valores da democracia política, liberdade económica e Direitos Humanos não suscita susto a ninguém. Provavelmente vamos é discordar sobre como lá chegar, mas isso é outra conversa - esperemos que essa conversa não esteja na base desta discussão, porque senão estamos bem lixados :P. Na minha opinião, não vejo como é que limitar ( de algum modo) o culto ou organização do culto de uma religião na Suiça, para os 50 mil crentes que aí existem, faz o que quer que seja relativamente aos atropelos democráticos, políticos, de liberdade de expressão ou de culto que possam existir num desses países que falámos.

"liberdade religiosa não se pode sobrepor a todas as outras liberdades". E em que medida a liberdade religiosa aqui ( na suiça) se sobrepôs ao que quer que seja de remotamente parecido com uma liberdade das que falaste, para que seja necessário impedir a construção de mais minaretes? A limitação de direitos tem que ser muito bem justificada, senão é somente um acto de retaliação que será interpretado como um acto hostil. A principal razão, na minha óptica, para se defender a possibilidade de adopção de crianças a casais homossexuais reside ( além de ser uma perspectiva íntima minha, uma convicção ) na ausência de justificações racionais para proibir. A proibição (e portanto a descriminação) nas sociedades modernas precisa de ser mais justificada do que a permissão. Por isso proíbe-se para quê?

É isto que eu estou a falar quando falo em "punição". Mas mesmo que seja um aviso, choca-me. É um daqueles avisos que diz "cuidado, não tragam para aqui os vossos maus costumes e hábitos". E esse "princípio da precaução" faz-me pensar que há quem pense que se pode "escolher" e "impor" as injustiças ( e descriminações) aos Josés atrasados, anti-democráticos, homofóbicos e islâmicos em detrimento das outras que caracterizam o nosso mundo supostamente amplo e tolerante, sem que desse "escolha" e "imposição" ecludam consequências de maior.

"Podes dizer que a luta das feministas francesas (...) ou Ayan Hirsi Ali são produto da crise financeira não cola nada." Pois, concordo contigo mas acho que deu para perceber o que quero dizer. Eu não falava da discussão sobre a problemática existir ou não existir na Europa. É óbvio que existe e não é de agora. Mas a Islamofobia - que infelizmente está imersa menos clara ou mais obscuramente na retórica da extrema direita ( também suiça) - assim como outras manifestações de discriminação e ódio social têm raízes de natureza social e económica, como não é muito difícil de perceber nem constitui - tens razão - nada de particularmente ou excepcionalmente inteligente. E essas manifestações e tensões estão na ordem do dia, quer pela actualidade da inclusão de inúmeras comunidades islâmicas em toda a Europa ( milhões, na verdade), quer pela deterioração das condições de vida e pela conjuntura Europeia. Aliás, nessa matéria, os resultados da extrema-direita na Europa nas últimas eleições Europeias são demonstrativos.

De resto, o pouco à vontade da ministra não é de espantar. Os partidos do poder - e diga-se de passagem uma grande parte da sociedade civil a começar pelas organizações religiosas, de todas as confissões - estavam contra este resultado. O que só "particulariza" um pouco mais este resultado, como parte, é certo, de um fenómeno que já tem raízes e discussões mais antigas, mas que está a afirmar-se, agora, neste momento, de modo mais descontrolado e perigoso.

Retrato de Luís Lavoura

José e os seus amigos

Luís Lavoura on Quarta, 02/12/2009 - 18:11

Neste post fala-se de restringir os direitos de José por este não ser, demonstravelmente, um tipo muito tolerante. Eu posso compreender essa atitude.

Muito diferente seria restringir os direitos de um enorme conjunto de pessoas sob o argumento de que essas pessoas têm algo a ver com José, por exemplo, vão com ele beber uns copos ao bar, ou então usam calças da mesma côr.

É evidente que nem todas as pessoas que têm algo a ver com José partilham, necessariamente, da perigosa intolerância de José.

Há na Suíça centenas de milhares de muçulmanos. A imensa maioria deles são pessoas pacíficas, que deixam os outros em paz e não impõem a sua eventual intolerância a ninguém.

Não podemos confundir José com os seus comparsas de bar nem com as pessoas que usam calças da mesma côr. Estes últimos têm todos os seus direitos e não podem ser genericamente acusados de compartilhar das ideias intolerantes de José.

Luís Lavoura

Retrato de João Mendes

Precisamente

João Mendes on Quarta, 02/12/2009 - 18:26

Estou inteiramente de acordo com este comentário.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Uma sociedade livre

Filipe Melo Sousa on Quarta, 02/12/2009 - 18:08

Uma sociedade livre pressupõe a livre acção do indivíduo para tomar as suas decisões, sem intimidação nem coação. Sem liberdade de medo não existe portanto liberdade de acção. Num mundo como hoje em que a segurança é um factor de preocupação crescente, os governos vêm-se perante o dilema de ter de decidir entre a sobrevivência da democracia e os "direitozinhos de luxo" de quem quer apenas destruí-la.

É contraditório esperar que a liberdade per si seja uma garantia da mesma. Quem pretende, em nome da liberdade plena, dar liberdade de acção a indivíduos que a querem suprimir não tem consciência que tal plenitude não é possível.

Utilizou-se aqui o argumento da contradição de modo a expor a desadequação do argumento de quem defende uma democracia combativa. Pelo contrário: o paradoxo da liberdade apenas demonstra que a premissa inicial tem de ser revista, pois não faz sentido. A simples premissa de sermos hoje livres totalmente livres, pois não o somos.

Retrato de João Mendes

Curioso

João Mendes on Quarta, 02/12/2009 - 18:25

A liberdade absoluta não existe quando se vive em sociedade, daí que o princípio seja que a liberdade de um acaba quando a liberdade de outro começa. Portanto, dizer que a premissa dos que consideram o resultado do referendo problemático é que há liberdade individual absoluta em sociedade é simplesmente inventar premissas.

O problema é quando se começam a traçar as linhas com base no medo, e a traçar linhas arbitrárias que estigmatizam grupos inteiros por causa dos actos de alguns. E também não considero particularmente agradável ouvir defender a "pureza cultural do povo suíço" como argumento para banir a construção de minaretes na Suíça.

Uma democracia combativa é uma democracia que combate o terrorismo e que defende a liberdade individual de cada um, não é uma democracia que mina a liberdade individual de forma arbitrária porque tem medo de alguns.

Parece-me anti-liberal

Francisco Burnay (não verificado) on Quarta, 02/12/2009 - 16:48

Então com base numa associação ideológica põem-se obstáculos a alguns suíços? À sua igualdade e liberdade de culto? Parece-me a antítese do liberalismo...

Por essa ordem de ideias, o PCP devia ser impedido de elaborar listas em Portugal com base no que acontece na Coreia do Norte.

E no caso suíço, resta saber que forma de opressão é que seria exercida caso construíssem minaretes. E como é que o seu impedimento muda algo em relação à intolerância noutros pontos do globo.

Retrato de João Mendes

Subscrevo.

João Mendes on Quarta, 02/12/2009 - 17:18

Subscrevo.

Retrato de Igor Caldeira

Qualquer

Igor Caldeira on Quarta, 02/12/2009 - 15:04

Qualquer direito que possa encorajar José a prosseguir com as suas ideias. Qualquer direito que possa fazê-lo sentir-se menos constrangido no que respeita ao seu projecto socio-político. Pode ser as chaminés que enfeitam as sedes do clube, podem ser os suspensórios e as botas DocMarten que o clube de José impõe como vestuário obrigatório. Qualquer questão, genericamente acessória mas que seja tida como relevante para a sociedade em causa.

Retrato de João Cardiga

A alemanha nazi

João Cardiga on Quarta, 02/12/2009 - 17:44

Julgo que a Alemanha Nazi deu-nos a maior lição de história que não nos deviamos esquecer.

Também ela utilizou o medo das pessoas para criar uma discriminação que conduziu aos crimes contra a humanidade que conhecemos hoje.

Também ela instrumentalizou factos para servir de base aos seus propositos.

E não me refiro só aos judeus, o incendio do reichstad serviu de base para proibir os comunistas, e para além de judeus e comunistas, também ciganos, homossexuais, deficientes sofreram com esse regime.

O universo muçulmano é demasiado diverso para o queremos homogeneizar, aliás nesse aspecto nada nos distingue dos radicais islamitas, também eles querem tratar as realidades como se de um todo se tratasse.

E encontras exemplos de extremismos em todas as religiões, no cristianismo, no judaismo até no budismo...

Como ateu obviamente faz-me muita confusão as religiões, e tenho uma opinião globalmente negativa sobre as mesmas (principalmente as Igrejas), mas vai um passo de gigante até me arrogar no direito de outro ser humano de praticar ou executar algo que não afecta a liberdade de ninguém.

Se um líder islamico é terrorista, prenda-se o líder, não se prendam todos os muçulmanos.

Um extremista é um extremista, quer seja muçulmano ou um nacionalista, etc...

Na Suiça não se escolheu apenas que tipo de religião é admissivel mas também que tipo de extremismo é admissivel...

Retrato de Igor Caldeira

Na Suíça os cidadãos

Igor Caldeira on Quarta, 02/12/2009 - 18:38

Na Suíça os cidadãos demonstraram que sentem na pele um extremismo particularmente virulento.

Se o nazismo nos tivesse ensinado alguma coisa, os europeus não andariam a fazer ao fundamentalismo muçulmano o mesmo que Chamberlain e Daladier fizeram com os nazis.

"Um apaziguador é aquele que alimenta o crocodilo na esperança de ser o último a ser comido."
Churchill

Quando as mulheres forem chamadas de puta na rua por andarem de cabeça descoberta, a homossexualidade for criminalizada, o ateísmo proibido - aí que é que vocês vão fazer? Diálogo ecuménico?

Retrato de João Cardiga

O nacionalismo...

João Cardiga on Quarta, 02/12/2009 - 19:27

"...na pele um extremismo particularmente virulento."

Só se for o nacionalismo.

Quanto à II Guerra, negligencias dois pontos:

- grande parte da explicação do que aconteceu começa no primeiro erro numa sucessão de erros: o Tratado de Versalhes;

- o factor "moral" numa guerra. Tivesse Chamberland começado a guerra antes e poderiamos estar numa realidade bem pior do que a que vivemos actualmente; É que o nacionalismo na altura vigente não terminaria com uma varinha mágica e a Inglaterra, caso tivesse entrado antes passaria a ser agressor e a a Alemanha a agredida. Um trunfo que Hitler e companhia não despercidaria...

"Quando as mulheres forem chamadas de puta na rua por andarem de cabeça descoberta, a homossexualidade for criminalizada, o ateísmo proibido - aí que é que vocês vão fazer?"

Lutar. No entanto esse cenário está tão perto de acontecer como as conspirações judaicas criadas pelos nazis. A serio achas mesmo que corremos esse risco?

Diferenças

TiagoLoureiro (não verificado) on Quarta, 02/12/2009 - 18:22

"Na Suiça não se escolheu apenas que tipo de religião é admissivel mas também que tipo de extremismo é admissivel..."

João,

Todas as religiões são admissíveis e merecem tolerância. Mas nem todas no mesmo grau. E sugerir que as outras religiões são tão extremistas como o islamismo é treta. Esconder os problemas ligados ao Islão - que, hoje, não encontram comparação noutra religião - é perigoso. Tal como é perigoso, e escusado, provocar de forma barata os muçulmanos com fait-divers como a questão dos minaretes. Escrevi sobre isso no meu novo blogue, onde te convido a ires passando...

Retrato de João Cardiga

"Esconder os problemas

João Cardiga on Quarta, 02/12/2009 - 19:03

"Esconder os problemas ligados ao Islão - que, hoje, não encontram comparação noutra religião - é perigoso"

A questão é como vemos este problema. Para mim o islamismo radical não é um fenomeno religioso, mas sim um fenomeno politico e social. Tão perigoso como esconder os problemas ligados ao islamismo radical, e já agora do conservadorismo islamico, é ligar os islamismo radical apenas à religião.

Como fenomeno o islamismo radical tem outras vertentes tão importantes como a própria religião.

A meu ver, da mesma forma que os nazis instrumentalizaram o nacionalismo como cola da sua ideologia, também os islamicos radicais utilizam a religião como cola da sua ideologia.

No entanto não me parece que banir o nacionalismo e algumas das suas formas faça qualquer sentido (será que deveriamos banir o feriado de 10 de Junho, ou então todas as manifestações nacionalistas que ocorrem durante os jogos da selecção, ou mesmo proibir a selecção como fenomeno nacionalista?)...

E parece que muitas vezes nas nossas discussões temos exactamente a mesma imagem que o islamico radical: de que a religião muçulmana é o que eles querem que sejam. Dentro do islamismo existem várias correntes algumas bastantes interessantes (para quem tem interesse em religião, isto é), e não deveriamos nunca tomar uma decisão baseada num preconceito...

No período nazi as

Antibalas (não verificado) on Quarta, 02/12/2009 - 16:54

No período nazi as crianças alemãs eram educadas para estigmatizar os judeus, com desenhos e histórias associando-os ao mal ou ao diabo. A propaganda nazi foi sistemática contra os judeus, explorando o simplismo do pensamento maniqueísta. Começaram por associar os judeus a traças, piolhos e vermes que "corroíam a economia alemã".

O Igor Caldeira está cheio de medo que os muçulmanos tomem conta da Europa e nos aniquilem. Falta mundo ao Igor.

Retrato de Igor Caldeira

Reductio ad Hitlerum

Igor Caldeira on Quarta, 02/12/2009 - 18:34

Reduzir a minha posição ao nazismo é sinal de falta de várias coisas, começando na honestidade e acabando na inteligência.

Caso eu tivesse a mesma falta de mundo que o Antibalas, poderia argumentar que o islamismo é também um nazismo. O ódio aos judeus e a todas as minorias de uma forma geral está lá.

E, no entanto, não são a mesma coisa.

Retrato de João Cardiga

Bem iria responder mas

João Cardiga on Quarta, 02/12/2009 - 14:56

Bem iria responder mas parece-me que o antibalas conseguiu dizer tudo...

Retrato de João Cardiga

Bem iria responder mas

João Cardiga on Quarta, 02/12/2009 - 14:56

Bem iria responder mas parece-me que o antibalas conseguiu dizer tudo...

"As tensões que entre os

Antibalas (não verificado) on Quarta, 02/12/2009 - 14:31

"As tensões que entre os cinco têm surgido devido às posições de José levaram a que Luísa propusesse que alguns direitos de José fossem limitados."

Quais são os direitos que Luisa propõe serem limitados? A Luísa quer limitar ao José direitos que reclama só para si? Se assim for assim a Luísa está a ser uma sacanoide.

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