Todos nós em diferentes fases da vida sentimos a necessidade de fazer certas perguntas:
O qué é ser Humano? De onde vimos? Para onde vamos depois da morte? Qual é o sentido da vida? Qual o meu papel no mundo?

Quando e se fizeres estas perguntas estás a fazer o que se chamou de “Re + Ligare”, o exercício de procura de uma ligação. Hoje chamamos a esta procura “Religião”.

Algumas pessoas praticam este exercício (religião) sozinhos, outros praticam-no em grupos, mas a experiência é sempre diferente de pessoa para pessoa.

Umas pessoas aceitam “verdades”, outras não, uns acreditam em seres mais ou menos cientes, mais ou menos potentes, mais ou menos presentes e outros não acreditam em nenhum tipo de ser superior. Uns acreditam em mitos enquanto outros procuram factos.

Mas nada há de errado quando cada um é livre de escolher a sua religião.

Infelizmente, a Liberdade Religiosa ainda não é uma realidade nem nos países ditos livres e democráticos. Há sempre alguém que tenta destruir a tua liberdade religiosa.

Há sempre alguém que te diz saber a verdade e que fará tudo para destruir a tua religião. Alguém que te chamará de ignorante, que te acusará de te terem feito uma lavagem ao cérebro, alguém que te dirá que só eles têm a verdade absoluta e que só eles te podem salvar.

Mas contra esses precisas de lutar. Quer te ameacem com o inferno, ou te façam julgamentos de valor, deves defender a tua liberdade religiosa a todo o custo.

A essas vozes carregadas de ódio deves ripostar e deves recusar, pois a tua religião é o que mais de profundo tens dentro de ti. Mais profundo que a liberdade de expressão, mais profundo que a tua liberdade de pensamento é a tua liberdade de sentires o significado do teu ser.

Lutares pela tua liberdade Religiosa é lutares por quem és.

Lutares pela tua Liberdade Religiosa é lutares pela Liberdade Religiosa de todos nós.

Dá-lhes Luta.

Retrato de João Cardiga

Continuo sem ver onde está

João Cardiga on Quarta, 28/10/2009 - 11:35

Continuo sem ver onde está o ódio. Aliás neste episódio todo, o unico que me pareceu odiar alguma coisa foi o Vasco Pulido Valente na sua crónica.

Pessoalmente acho que é um tema politico, no sentido mais lato da questão. E de uma importância vital. Politica não é só encontrar soluções ou dar medidas, é discutir valores, conceitos, formas de estar e de ver a vida.

A religião, mais concretamente a igreja é sempre um tema politico, visto ser uma organização politica.

Quanto à questão da separação de àguas entre religião e politica, parece-me que todos defendemos o mesmo. Talvez um ponto discordante é até que ponto é que se deve financiar um projecto religioso com dinheiros públicos como existe em Portugal. Julgo que um enorme problema é não existir uma separação clara, esse é o problema.

Quanto à moral, honestamente não entendo o que queres dizer com isso (como ainda não compreendi onde vês ódio). Na tua opinião Saramago não tinha moral para dizer o que disse?

E já agora acho interessante que no meio disto tudo, Saramago apenas falou, disse algo banal e foi gerado um pé de vento, esse sim que me deixa preocupado. Pois para quem está habituado a discutir religião abertamente o que Saramago disse não tem nenhum interesse especial. Demonstra apenas que ainda não convivemos assim tão abertamente nestas temáticas.

Retrato de Miguel Duarte

Bingo!

Miguel Duarte on Quarta, 28/10/2009 - 13:19

Eu nem sequer escrevi nada sobre o Saramago porque o que ele disse não é digno de nota. Anda a ser dito por muito gente há imenso tempo.

Parece, precisamente como tu dizes, que ainda não há publicamente critica suficiente à Igreja. Não precisamos de menos crítica, precisamos de mais crítica que é para precisamente entrar o factor "normalidade" em funcionamento e este tipo de comentários passar a ser ignorado como banal.

Talvez em Portugal se discuta religião a menos. ;)

Retrato de João Cardiga

Talvez...

João Cardiga on Quarta, 28/10/2009 - 16:03

Eu seria mais acertivo. Julgo que se discute mesmo a menos! E do que tiro deste episódio parece-me que se continuará a discutir a menos...

posições

Hugo Garcia on Terça, 27/10/2009 - 23:14

Não vamos estar sempre a defender aquilo que não está a ser atacado.

Nunca ninguém aqui propos que se tirasse a liberdade de expressão. aLiás esta discussão entrou neste blog porque o João Cardiga estava indignado por o Saramago ser atacado. E acho que ele não quis proibir ninguém de atacar o Saramago, mas claro, tem o direito de se indignar e depois outra pessoa tem o direito de ficar com ele por estar chateado and so on and so on.......

Adiante.

Este é um blog de política que defende que a politica e a religião não se misturam.

Mas depois constantemente ataca-se as religiões.
Há uns meses era o islamismo, agora o cristianismo.

Não estamos aqui a discutir direitos legais, porque obviamente que todos consideramos que todos temos o direito a escolher os disparates que dizemos e os disparates em que acreditamos.

Estamos a discutir atitudes.

E a nossa atitude ou é de respeitar as crenças ou é de as criticarmos a todo o custo.

NOVAMENTE, não estou a por em questão o direito de quem critica, mas a moral de quem o faz.

Retrato de Miguel Duarte

Moral

Miguel Duarte on Quarta, 28/10/2009 - 08:39

Da forma como colocas as coisas e falas em ódios e liberdade de religião (que nunca ninguém aqui falou em retirar) dás claramente a entender que estás colocar muito mais em questão.

Mas se falamos de moral, moral pode ser definida como "convicção íntima ou colectiva, que atribui valores positivos ou negativos a determinadas condutas e pensamentos humanos".

Pois Hugo, eu considero imoral muitas das coisas defendidas pelas religiões (tal como tu) e considero-me igualmente na obrigação moral de criticar as ditas religiões em vários aspectos que contrastam de uma forma muito forte com a minha forma de ver o mundo (dada a minha posição religiosa de não crente e de Humanista). Tal como aliás as ditas religiões se consideram em todo o direito de me criticar a mim (e estão no seu pleno direito). Se eu ou João consideramos que Bíblia contém imoralidades, porque razão é que consideras que existe uma obrigação moral de ficarmos calados? Repara aliás, que quando me atribuis ódios a mim, também os estás a atribuir ao lado oposto. A tua lógica poderia, usando como base várias afirmações de representantes da Igreja, inclusivamente do Papa em funções, gerar afirmações como "a Igreja odeia os não crentes". Por exemplo:

“…ideological rejection of God and an atheism of indifference, oblivious to the Creator and at risk of becoming equally oblivious to human values, constitute some of the chief obstacles to development today. A humanism which excludes God is an inhuman humanism.” na encíclica “Caritas in Veritate” do Papa Bento XVI

Pode-se é discutir, e esse é um ponto de vista válido, se este tipo de discussões deve ter lugar neste blogue.

Como tu bem disseste este blogue é sobre política. Ora, dado que quer a gente queira ou não, a religião sai frequentemente da esfera do privado e entra no debate público e na política (o Islão é pródigo nesse aspecto, assumindo-e inclusivamente frequentemente como uma ideologia política, e a Igreja Católica também não o costuma evitar como tu bem sabes), é mais do que justo que a política entre na esfera da religião. Quer seja para discutir comportamentos, quer seja para discutir direitos ou até questões relacionadas com a educação. No caso do Saramago a questão deu tanta polémica que se tornou numa questão obviamente política, de direitos (a serem defendidos), desde o simples direito à liberdade de expressão até ao direito à nacionalidade. É evidente que na discussão, as convicções (não) religiosas de quem debate irão vir ao de cima, ou não fizessem os políticos religiosos exactamente o mesmo quando referem a um "deus" nos seus discursos.

Retrato de João Cardiga

Duvida

João Cardiga on Terça, 27/10/2009 - 18:18

"A essas vozes carregadas de ódio..."

Que vozes são essas?

Retrato de Miguel Duarte

Excelent post!

Miguel Duarte on Segunda, 26/10/2009 - 21:40

Fico contente por me perceberes!

Eu continuo a lutar pela liberdade, no meu caso de não acreditar em nada! E já encontrei o meu caminho na racionalidade e na busca de um mundo melhor sem ter qualquer religião, sem crença no sobrenatural, sem guerras em nome da religião, sem medos de deuses punidores, numa sociedade onde todos podem viver como entenderem desde que não prejudiquem o próximo. Mas acima de tudo, numa sociedade livre, onde a livre discussão e crítica impera.

Garanto-te que nunca pararei de lutar pela minha liberdade e nunca me calarei perante todos os que me querem oprimir e silenciar, perante a sua falta de argumentos, sobre o falso pretexto de ficarem ofendidos. E nunca me vergarei perante os que me odeiam por eu simplesmente ousar criticá-los.

Obrigado pelo teu apoio e compreensão!
Obrigado pela liberdade ao Renascimento e ao Iluminismo!
Abaixo o totalitarismo e as perseguições religiosas!
Viva a liberdade de expressão e a sociedade plural!

obrigado pelo elogio

Hugo Garcia on Terça, 27/10/2009 - 22:37

obrigado,
mas não aprendi nada contigo.

Retrato de João Mendes

Erm...

João Mendes on Segunda, 26/10/2009 - 21:19

Haver um debate sobre a religião não põe em causa a liberdade religiosa de ninguém. Criticar a religião não é odiá-la, e criticar pessoas religiosas não é odiá-las. Lá porque alguém tem uma religião não quer dizer que esteja acima de toda e qualquer crítica. Mais: não quer dizer que os outros deixem de poder expressar as suas opiniões sobre a religião dela, isto inclusivamente à própria (a não ser que queiras viver num mundo cheio de hipócritas). As pessoas em Portugal podem alegremente viver a sua vida com a religião que entenderem, pelo que há liberdade religiosa. O facto de haver outros que as critiquem não retira um bocadinho que seja a liberdade dessas pessoas de professarem a religião que entenderem. Portanto, a crítica que tu fazes, tendo em conta o contexto em que a fazes, está completamente deslocada.

Viver num mundo em que há liberdade de expressão significa viver com opiniões de outras pessoas. Isto inclui opiniões que nos ofendem. Dizer o contrário é negar grande efeito prático à liberdade de expressão, especialmente se centralizares o standard e colocares as opiniões das pessoas em tribunal por serem "demasiado ofensivas". Uma coisa é causar dano à pessoa. Outra coisa é não concordar e dizer-lhe. Já me chamaram idiota vezes suficientes para eu saber como é, e achas que eu quero processar essas pessoas? Não. Quero que continuem a poder exprimir a sua opinião. É assim a vida numa sociedade plural.

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