A história contada pelo atual ministro da Saúde em torno do eventual encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) parece-me muito pouco convincente.
Diz o ministro que há capacidade (de partos, dos serviços de obstetrícia e ginecologia) instalada nos hospitais de Loures e São Francisco Xavier (SFX) que está atualmente desaproveitada. Ora, se a MAC encerrar então toda a capacidade nela instalada também se desaproveitará! Pelo que, cabe perguntar, se já hoje há capacidade instalada na MAC, para que se foi instalar nova capacidade nos hospitais de Loures e SFX? Parece que o encerramento da MAC apenas se destina a justificar a posteriori investimentos excessivos que foram feitos em capacidade nos hospitais de Loures e SFX!
Este é o erro de base. Mas, a acrescentar a isto, há erros de procedimento. Diz o ministro que as mais-valias da MAC não serão desaproveitadas, dado que as "equipas" da MAC serão transferidas em bloco para os novos hospitais, não perdendo portanto a sua funcionalidade. Ora, parece-me a mim, um hospital (a MAC) não é assim uma espécie de campo de jogos no qual diversas "equipas" atuam de forma desgarrada! Um hospital contem uma organização que envolve múltiplos profissionais e múltiplos serviços - e não diversas "equipas" que atuam cada qual da sua forma. Essa organização, essa confiança mútua entre profissionais e serviços, será destruída quando cada um dos profissionais passar a trabalhar num hospital diferente. E, sabe-se, criar uma organização que aproveite de forma eficaz as competências de múltiplas pessoas é, precisamente, o cerne do desenvolvimento económico e social. Perdendo-se a organização, quase tudo se perde.














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