Retrato de Luís Lavoura

Ontem no prédio onde se alojava o Hot Clube (uma casa de jazz), mais uma vez teve que ser o fogo a fazer o trabalho que deveria ter sido feito pelo Homem. Mas, felizmente, desta vez o trabalho ficou feito.

Era um prédio com uma cave, rés-do-chão e três andares. Antigo, em madeira e tabique. Um prédio portanto sem qualquer viabilidade nos tempos que correm. Os inquilinos dos andares habitacionais já o tinham abandonado. Mas o legítimo proprietário do prédio continuava sem poder fazer da sua propriedade o que quisesse ou o que deveria ser feito, pois que o rés-do-chão e a cave estavam arrendados a empresas - a cave ao Hot Clube - e as empresas não morrem facilmente (em geral são trespassadas por uma boa maquia, inversamente proporcional ao valor da renda). Como a lei das rendas antigas continua a, iniquamente, proteger as empresas, o Hot Clube e a empresa do rés-do-chão não podiam ser despejados pelo senhorio para que o prédio pudesse finalmente ser reabilitado, ou demolido e reconstruído.

Teve que ser um incêndio a fazer o trabalho que os políticos, através de uma alteração da lei das rendas, já há muito deveriam ter feito. O prédio ardeu, as empresas que nele se anichavam ficaram inviáveis. Ainda bem. Ficou consumado o despejo que há muito deveria ter tido lugar.

Urge que a Assembleia da República altere a lei do arrendamento, no sentido de decretar a caducidade de todos os contratos de arrendamento não-habitacional anteriores a 1995 que ainda perduram. Para que a demolição dos prédios não permaneça dependente de uma só empresa (loja, bar) que lhes ocupa o rés-do-chão. Para que cesse a exploração injustificada dos senhorios e do urbanismo.

Retrato de Filipe Melo Sousa

O estado pode tudo

Filipe Melo Sousa on Terça, 29/12/2009 - 14:36

Quer, pode e manda. Qual a novidade?

Retrato de Filipe Melo Sousa

Pague você

Filipe Melo Sousa on Segunda, 28/12/2009 - 16:46

Qualquer grupo minoritário pode alegar que a sua sociedade musical é de alto interesse público. Quem deverá ser o iluminado responsável por fazer o juízo? Como você entende (ou pelos vistos não), aparecerão muito mais pessoas a pedir subsídios para o seu Club do que pessoas dispostas a pagar. Daí, nada mais racional do que deixar que cada um pague pela cultura que está disposto a consumir. Na verdade é muito simples. O que li nesta caixa de comentários são opiniões enviesadas, de pessoas cuja oferta cultural não lhes corre de feição e como tal pretendem obter muito mais subsídios do que o custo pelo qual estão dispostos a pagar.

E você não paga muita

Anónimo (não verificado) on Segunda, 04/01/2010 - 18:02

E você não paga muita coisa que não usufui? Vá, pense lá um pouco mais que verá que não doi

Retrato de João Mendes

Pergunta

João Mendes on Terça, 29/12/2009 - 13:23

Li que a oferta de jazz em Portugal nunca esteve tão alta, e que a procura não falta. Não me parece que amantes de "jazz" considerem isto como a "oferta cultural não correr de feição". Em que dados te baseias para afirmar que a "oferta cultural não corre de feição" ao jazz?

E tu leste o regime das entidades com utilidade pública ou não? Porque é que nunca mencionas que há deveres, além de direitos, que decorrem do regime? E tu sabes que "regalias" é que as entidades têm, já que falas sempre delas genericamente (ou falas de "subsídios")?

E se isto fosse um contrato entre o Estado e o Hot Clube, com direitos e deveres recíprocos, também seria inadmissível, uma imoralidade, e arbitrário? O Estado pode ou não pode celebrar contratos com privados?

Declaração de interesses

Anónimo (não verificado) on Segunda, 28/12/2009 - 14:12

O Luís Lavoura deveria ter começado o seu post por fazer uma declaração de interesses. Desta forma evitava este meu comentário. Na realidade o que o move é que é proprietário de imóveis em Lisboa e como perde com a lei atual e arrendamento que confere direitos (veja-se lá!!) aos arrendatários. Tudo bem, nada mal com cada qual defender os seus interesses ainda que fique bem clarificar que são interesses e não posições desinteressadas mas misturar o "hot club" neste debate é de mau gosto pois revela uma total insensibilidade para os pequenos detalhes, nomeadamente o facto de o edificio não ser privado mas sim a autarquia. É o luís Lavoura no seu melhor e sempre pronto a lançar uns quantos sound bytes para melhor chamar à atenção.

Retrato de Filipe Melo Sousa

estranhos conceitos de utilidade

Filipe Melo Sousa on Sábado, 26/12/2009 - 20:05

Qualquer estabelecimento é livre de convidar ilustres músicos de jazz. Porque motivo terá a câmara de Lisboa que gastar dinheiro dos contribuintes que não gostam de jazz para que alguns continuem a ter os seus espectáculos patrocinados? O que me impede de dizer que a Lusomundo é uma instituição de utilidade pública? Reparem: é bem mais útil que o Hot Clube, pois tem muito mais espectadores, gera muito mais receitas e emprego, e ao contrário deste bar paga impostos ao estado. É um contribuinte, e não um sorvedor. De parasitas "úteis" já estamos fartos.

Caro Filipe, Num País de

Anónimo (não verificado) on Segunda, 28/12/2009 - 14:19

Caro Filipe, Num País de analfabetos literais e funcionais é normal que os poderes públicos acarinhem atividades culturais que possuem públicos menos que maioritários. A ditadura das massas, neste caso, apenas conduziria ao sucesso das TVIs, Big Brothers e outros programas de elevada audiência. Ou quer mesmo que as elites culturais migrem todas para fora de portas? Eu considermo-me liberal - por isso leio este blogue - mas o que aqui tem sido dito sobre o hotclub (misturando-se a relevância do jazz com a lei de arrendamento o que é uma triste mistura) é puro disparate e revela diletantismo sobre temas que deveriam merecer um pouco mais de reflexão.

Apoios à Arte

Jorge Coimbra on Sábado, 26/12/2009 - 15:20

Tenho sérias dúvidas sobre se o estado deve subsidiar as artes.
Considero que deve apoiar a manutenção de património histórico, seja construido, natural, arquivado etc e disponibiliza-lo.
Em relação às artes vivas, por exemplo literatura, teatro, música, pintura, fotografia, dança, que presupoem público a assistir, deveriam subsistir sózinhas, fruto do interesse (pago), desse mesmo público. De contrário tudo poderá ser considerado arte (subjectiva por natureza) e tudo é subsidiável.

Eui tenho sérias dúvidas

Anónimo (não verificado) on Segunda, 28/12/2009 - 14:23

Eui tenho sérias dúvidas que tenha pensado mais de 5 minutos sobre o que escreveu. É como se me dissesse que tem sérias dúvidas que o Estado devesse subsidiar a ciência, a educação, a saúde, etc. Não acha que este género de "statements" são excessivamente simplistas e que dentro da caixinha das artes, ciência, saúde e educação existe uma diversidade que deveria acautelar estas frases? Eu preocupo-me que estes aprendizes de políticos sejam tão irresponsáveis na hora de emitir opiniões sobre assuntos sérios.

Hot Club

Anónimo (não verificado) on Sexta, 25/12/2009 - 18:03

Acho que se devia banir a música do Mundo, faz-me doer a cabeça.
Por mim deixava só os filmes do Bruce Lee, mas sem música.
Acho que a votação para presidência da república devia ser através de sorteio com juri da santa casa e devia ter um prémio.
O que é que acham sobre a nova lei das sandes mistas?
Já agora podem esclarecer-me porque é que Portugal é um país e não uma ilha já que tem rios dentro?

Acho que se devia instalar

Anónimo (não verificado) on Sexta, 25/12/2009 - 17:57

Acho que se devia instalar ali a sede para debates inciados por gente que não tem mais nada para fazer.

Que tal habitar o andar que ficou sem tecto e fazer lá a sede do Movimento Liberal Social, ou então uma padaria, ou algo assim?

Vai dar tudo ao mesmo. Eu é mais bolos e bolas.

Podemos discutir aqui a táctica usada pelo Jesualdo Ferreira na Luz? Queria muito falar sobre isso mas não sei onde.

Já agora, alguém viu o capítulo dos Morangos com Açucar do dia 23?
O que me dizem daquela cena na piscina?

Viva o Moita Flores!

Retrato de João Cardiga

Snobismo cultural

João Cardiga on Sábado, 26/12/2009 - 17:26

"Podemos discutir aqui a táctica usada pelo Jesualdo Ferreira na Luz? Queria muito falar sobre isso mas não sei onde.

Já agora, alguém viu o capítulo dos Morangos com Açucar do dia 23?
O que me dizem daquela cena na piscina?"

Um belo exemplo de snobismo cultural... Para mim é menos tacanha a pessoa que só gosta de futebol do que a pessoa que só gosta de Jazz!

o senhor Luís

Nuno da Rocha (não é anónimo não..) (não verificado) on Sexta, 25/12/2009 - 01:58

o senhor Luís... (estou a pensar como poderei começar.. mas não importa muito, na verdade o verbo 'pensar' por estes lados não abunda... mas eu vou tentar. eu prometo)
o senhor Luís... é um liberal!
é sim.

é um liberal porque diz o que lhe apetece... (peço desculpa por só usar maiúsculas com o seu nome. é minha mania de artista.)
é um liberal sim.
o senhor Luís.
diz o que lhe apetece e isso é óptimo para um liberal.

repare que até tive a preocupação de consultar manuais em moda hoje em dia, como a wikipedia, para poder estar ao nível do seu blog... e lancei-me. fui procurar a palavra liberalismo. (e não estou a ironizar, a wikipedia é um centro de conhecimento incrível. acredito que outros blogs que o senhor Luís acompanha e rádios que falem sobre prostituição na cimeira dinamarquesa também o sejam... juro. acredito.)

e eis que encontro:
"O liberalismo social, novo liberalismo, liberalismo moderno ou liberalismo radical, um desenvolvimento do liberalismo no início do século XX, tal como outras formas de liberalismo, vê a liberdade individual como um objectivo central."

.....o senhor Luís até agora conseguiu. eu também, creio.

"Derivado disto, os liberais sociais estão entre os mais fortes defensores dos direitos humanos e das liberdades civis, embora combinando esta vertente com o apoio a uma economia em que o Estado desempenha essencialmente um papel de regulador e de garantidor que todos têm acesso, independentemente da sua capacidade económica, a serviços públicos que asseguram os direitos sociais considerados fundamentais.
(...)
O Liberalismo Social é uma filosofia política que enfatiza a colaboração mútua através de instituições liberais, em oposição à utilização da força para resolver as controvérsias políticas."

......é claro que quando se lê "direitos sociais considerados fundamentais" o senhor Luís interpelaria no sentido de me alertar, e a quem o segue (?), que uma cave "sem qualquer viabilidade nos tempos que correm" que alberga o hot clube de portugal, nunca poderia ser tomada em um plano de 'direito social'. no fundo, para si, é só uma cave com uma empresa alocada. corrijo, se me permite senhor Luís, instituição de utilidade pública. espere... uma vez mais, instituição de utilidade pública. ah! ainda poderia pegar na expressão 'considerado fundamental' para a contra resposta. pois, de facto aqui talvez ganhasse uns 'pontos'. de facto a cultura não é um direito social fundamental para todos. pelo menos em países como o nosso, perdão, como o seu (mas é legítimo). normalmente os meus colegas 'engravatados' (a menos que queiram escolher um sítio para sair à noite com as respectivas senhoras e ouvir um jazz...) também não o achariam. é relativo.

disse álvaro de campos (aquele heterónimo):
"Repare ainda Fernando Pessoa no facto (...) de que a ciência tende para ser matemática à medida que se aperfeiçoa para reduzir tudo a fórmulas «abstractas», precisas, onde é máxima a libertação das «equações pessoais», isto é, dos erros de observação e coordenação produzidos pela falibilidade dos sentidos e do entendimento do observador."

.....a relatividade.

"Convém ainda avisar esses mesmos leigos que a expressão «relatividade» é aqui empregada no seu sentido tradicional e lógico e não no sentido, aliás infeliz e absurdo, em que se chama «da relatividade» à teoria de Einstein, que é simplesmente uma teoria, primeiro restrita, depois generalizada, do movimento relativo."

mas voltando atrás.
o liberalismo social. que tanto tenho aprendido aqui na wikipedia. e agradeço a si também.
"O Liberalismo Social é uma filosofia política que enfatiza a colaboração mútua através de instituições liberais, em oposição à utilização da força para resolver as controvérsias políticas."

ora portanto.
"Mais uma vez, o fogo fez o trabalho."
ora portanto.
"...mais uma vez teve que ser o fogo a fazer o trabalho que deveria ter sido feito pelo Homem. Mas, felizmente, desta vez o trabalho ficou feito."
pois. liberais sociais. que o fogo trate disso, pois então.

o senhor Luís.
é um liberal sim. e diz o que lhe apetece.

não vou confrontá-lo com leis de arrendamento. em primeiro porque pouco ou nada entendo, em segundo porque vestir o fato soa pouco (mas pouquinho) a liberal social. e não quero estragar aqui o seu espaço amarelo.
senhor Luís.
não vou confrontá-lo dizendo que está errado nos seus pedidos urgentes para a modificação da lei em assembleia da república.
venho só tentar pedir uma coisa que não encontrei significado na wikipedia. é verdade. não encontrei.
tento. tento nas palavras.

o senhor Luís.
é um liberal. e diz o que lhe apetece.
mas tenha tento nas palavras. aquela cave onde existia "uma casa de jazz" significou e significa muito para a produção musical deste país, para muitos músicos que o senhor Luís até é capaz de ouvir, quando o zapping do seu rádio se equivoca e passa por estações como a marginal. europalx. antena2. era o espaço de um dos mais antigos clubes de jazz da europa. repito, um dos mais antigos da europa. e não os 'velhos do restelo', senhor Filipe Melo Sousa (com maiúsculas).

o senhor Luís.
é um liberal.
hoje apeteceu-me também ser liberal. dizer o que me apetecia.
mas repare, com tento nas palavras.
repito, com tento nas palavras.

um bem-haja,
nuno da rocha
(músico e liberal)

Retrato de João Cardiga

Parabéns pelo comentário

João Cardiga on Sábado, 26/12/2009 - 17:19

Antes demais parabéns pelo comentário.

Não concordo com a parte do "tento nas palavras" pois julgo a auto-censura talvez a pior das censuras.

Pessoalmente julgo a cultura como algo que se enquadra na componente de "direitos sociais" mas isso sou eu, e apenas poderei falar por mim. No entanto também que não existe nada mais relativo que a própria cultura e que é sempre dificil defini-la e saber o que apoiar e como apoiar. Mas julgo que um objectivo é que a mesma chegue (fisicamente e emocionalmente) ao máximo de pessoas possíveis.

Quando ao "Hotgate" julgo que o mesmo deverá servir de exemplo para não se cometer os mesmos erros. Não me parece que a direcção do mesmo seja desprovida de responsabilidades. O Jazz, ao contrário de outras culturas "marginais" é "mainstream" o suficiente para que este episódio não tivesse acontecido. Parece-me que talvez tenha existido uma "resistência nostálgica" que levou a que não se tivessem tomado medidas preventivas. É péssimo que agora esteja encerrado e pior ainda parece-me o espirito que alguns comentadores transmitiram que é o Estado que tem de resolver este assunto. Parece-me que a solução, como parece ter sido ao longo da história do Hot, deverá passar pelos seus apreciadores e "fãs", pelos seus "carolas" e que os mesmos tenham aprendido a lição que um espaço fechado é a pior forma de divulgar o Jazz.

Honestamente não entendo porque é que o Clube não se mudou para outro sitio antes de isto ter acontecido!

pois

Nuno da Rocha (não verificado) on Segunda, 28/12/2009 - 17:58

João... a parte do 'tento nas palavras' era onde queria chegar com o que escrevi... achei uma verdadeira falta de educação e de respeito a forma com que o senhor Luís quis ser liberal. mas são coisas que nestas idades já não se ensinam.
não é 'auto-censura' não. é educação. e o João sabe isso.

obrigado de qualquer forma por ter respondido.
o senhor Luís mantém-se em silêncio (e não me estou a queixar!). (mas deveria pedir desculpas pelas palavras que usou)
o senhor Filipe Melo Sousa não deve ter lido o que escrevi (o texto era extenso e fugia à sua forma 'bitaite' tão conhecida e utilizada). vai também mandando umas achas para a fogueira. aqui e ali. outro liberal no fundo. cómico.

já percebi também, por outros posts de colegas vossos, que é já habitual esta verdadeira charada de opiniões descabidas. e, sendo assim, creio que não valerá mais a pena dizer o que quer que seja por estes lados.

resta-me ter (alguma) pena.

um abraço João,
nuno

Retrato de João Cardiga

"...creio que não valerá

João Cardiga on Terça, 29/12/2009 - 12:44

"...creio que não valerá mais a pena dizer o que quer que seja por estes lados."

É com pena que leio esta parte do seu comentário. Julgo que os blogues são de quem escreve neles, isto é dos autores e dos comentadores. Pelo que escreveu julgo que seria uma mais valia e uma aprendizagem pessoal.

É impressionante a

Miguel Zaj (não verificado) on Quinta, 24/12/2009 - 23:44

É impressionante a ingorância que por aqui grassa. Impressionante mesmo...
Todos nós temos o direito de emitir opiniões, mas quando não existe conhecimento nem sensibilidade, as opiniões passam a denotar contornos de ineptidão, cretinice, imbecilidade...
Cutivem-se, por favor... ou melhor, eduquem-se...isso...é mais um problema de educação, que também passa por cultivarem-se, mas é mais do que isso...
Abrs.
MZ

Retrato de Filipe Melo Sousa

Caros comentadores,

Filipe Melo Sousa on Quinta, 24/12/2009 - 17:08

AM: é um exercício de intolerância cívica fazer juízo de valor desse género e afirmar que os donos de prédios que não fazem o mesmo uso que você idealizaria são rameiras poluídas.

Mario: na verdade de pouco importam os louros passados do estabelecimento. Para si pelo que entendo, se um bar é muito velho, então é muito bom. E a fama passada pelos vistos para si é garantia de sucesso futuro. Estranho entender das coisas. Quando se pensa na viabilidade, na continuidade, de um estabelecimento interessa saber se existe público ou um modelo de negócio que o sustente. Você chama-lhe instituição única e exclusiva, mas repare: qualquer estabelecimento pode ter essa pretensão. Amanhã eu abro um estabelecimento chamado "Velhos do Restelo" e digo que tenho um largo capital cultural único e exclusivo. Se alguém não quiser alinhar ou pagar os preços que eu entender chamo-o parvo e ignorante, e insulto-o por ele não perceber que aquilo não é um negócio.

Se existir um largo público interessado no Hot Clube, facilmente o estabelecimento reabre noutro sítio. Mas não me parece: o que determinava o sucesso deste negócio era meramente um esquema de renda baixa. Chamemos-lhe concorrência desleal: um bar novo terá de pagar 1.500 euros de renda em vez dos vá quantos..? 50 euros por mês que este estabelecimento pagava? Nem desse trunfo tiraram partido. Cabia aos gerentes do negócio estabelecimento acautelar as condições de segurança do prédio, e não o fizeram. Optaram por fical num sítio mau. A ganância da renda baixa era mais importante.

Nem acho bem nem acho mal,

Anónimo (não verificado) on Sexta, 25/12/2009 - 18:10

Nem acho bem nem acho mal, antes pelo contrário.
Portugal é um país dircussivo e peftimonio.

A música não devia ter som, eu estou a elaborar um disco sobre esse assunto.

A nova lei sobre os sapatos amarelos, o que vos parece?

E o estatuto de trabalhador-não trabalhador?

Deviam usar a sede do Hot, agora destruída, para instalarem o quartel general desta malta, que não tem muito que fazer.

Viva o 26 Abril de 77

O HOT CLUBE nunca existiu no património cultural de alguns

Mário (não verificado) on Sexta, 25/12/2009 - 14:12

1) Ao Hot foi concedido pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva, o estatuto de instituição de utilidade pública. SABIAM?
2) Se existir um largo público interessado no Hot Clube... SE EXISTIR? Todos os portugueses que gostam de Jazz (e de boa música em geral) estão interessados em que exista neste país uma instituição desta natureza, que nos orgulha e nos iguala ao resto da Europa!!! Ou, para vós, somos um oásis infértil?
3) "Os louros passados"? E os presentes e actuais? E os de sempre? Para vós o HOT CLUBE estava já morto? Profunda ignorância !! Os louros passados da Gulbenkian e do CCB, e da Casa da Música, não são garantia de sucesso futuro?
4) Modelo de Negócio? Sabe? Aprendi essas coisas todas no ISCTE de Lisboa... Não necessito de mais lições. Porém, o HOT CLUBE não é um negócio... É uma instituição cultural de utilidade pública. Nãp sabia, pois não? Vamos fechar muitas Igrejas... por actualmente não terem quase qualquer público a frequentá-las? E algumas escolas públicas?! E alguns museus? ! Vamos deixar abertos apenas os Shoppings? País da Europa com rácio Shoppings/habitante dos mais elevados já somos...
5) Gerentes do negócio? "Cacholas", adeptos ferrenhos do Jazz, respeitadores da memória do fundador VILLAS-BOAS é que eles são ! Qual negócio !! E isso competiria à Câmara Municipal de Lisboa, proprietária do prédio. Se valesse a pena, pois o prédio está decrépito. Compete-lhe atribuir-lhes novas instalações, se possível naquela área. Em defesa da cultura e do orgulho nacionais. Para não exibirmos mais um vácuo a juntar a tantos outros que já exibimos.

Retrato de João Cardiga

Respostas

João Cardiga on Sábado, 26/12/2009 - 17:04

Antes demais obrigado pelos links. Gostaria de responder aos pontos que levanta, mas antes gostaria de dizer que lamento por não ter ido ainda ao Hot Club e espero que reabra para que venha um dia a ter essa oportunidade. Gosto de Jazz, embora não seja um profundo conhecedor, sou simplesmente um mero ouvinte.

Agora aos pontos que levantou:

"1) Ao Hot foi concedido pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva, o estatuto de instituição de utilidade pública. SABIAM?"

Não sabia, embora não me parece nada relevante quem tenha atribuido esse estatuto. O estatuto de utilidade publica é que em si é relevante e percebo a sua atribuição.

"2) Se existir um largo público interessado no Hot Clube... SE EXISTIR? Todos os portugueses que gostam de Jazz (e de boa música em geral) estão interessados em que exista neste país uma instituição desta natureza, que nos orgulha e nos iguala ao resto da Europa!!! Ou, para vós, somos um oásis infértil?"

Antes demais uma pessoa pode apreciar boa música em geral e não gostar de Jazz em particular. A minha avó, na sua imensa sabedoria, sempre me disse que gostos não se discutem. E a pergunta é pertinente. Se existe muita gente em Portugal que gosta de Jazz então faz todo o sentido que o clube seja viável economicamente e nesse aspecto parece-me o que a direcção do mesmo falhou em, garantir a segurança do mesmo, com isso fez com que os seus apreciadores ficassem sem acesso ao espaço. Se por outro lado não tem muitos apreciadores então deveremo-nos questionar se faz ou não sentido ainda o manter (à primeira vista parece-me que sim, mas isso seria uma discussão mais alargada) e de que forma. Afinal o dinheiro é um bem escasso e deveremos sempre questionar onde o estamos a aplicar.

"3) "Os louros passados"? E os presentes e actuais? E os de sempre? Para vós o HOT CLUBE estava já morto? Profunda ignorância !! Os louros passados da Gulbenkian e do CCB, e da Casa da Música, não são garantia de sucesso futuro?"

Para mim não estava morto, no entanto respondendo à sua ultima questão: Não!!! Este tipo de instituições não poderão confiar apenas nos "louros passados" têm de constantemente estar a ter "louros presente" sob pena de estar a minar o seu próprio futuro. E na verdade existiu algo que para mim falhou no Hot Club: a comunicação. Um espaço como aquele deveria ser conhecido pelo menos de todos os Lisboetas, deveria ser uma referência (como os casos que nomeou) e na verdade não o é. E a cultura só realmente é importante se for divulgada. Posso estar a ser injusto pois não sei na realidade as dificuldades sentidas, mas parece-me que o Hot já existe à tempo suficiente para estar noutro patamar.

"4) Modelo de Negócio? Sabe? Aprendi essas coisas todas no ISCTE de Lisboa... Não necessito de mais lições. Porém, o HOT CLUBE não é um negócio... É uma instituição cultural de utilidade pública. Nãp sabia, pois não? Vamos fechar muitas Igrejas... por actualmente não terem quase qualquer público a frequentá-las? E algumas escolas públicas?! E alguns museus? ! Vamos deixar abertos apenas os Shoppings? País da Europa com rácio Shoppings/habitante dos mais elevados já somos..."

Pois este paragrafo transmite o grande problema da cultura em Portugal. Em Portugal é "pecado" misturar cultura e negócios e é por isso que a mesma definha em Portugal. A cultura também é um negócio! Aliás a visão de negócio é vital à cultura pois é a mesma que capacita a cultura de chegar ao máximo de pessoas. As produções culturais não são para ficar acessiveis apenas aos "doutos" da matéria, são para chegar ao máximo de pessoas possíveis, só assim é que são ao mesmo tempo boas e uteis. Um Picasso não teria qualquer valor se as suas obras tivessem ficado na cave de uma pessoa. Quanto ao Hot Clube também ele é um negócio, um negócio com objectivos particulares mas à mesma um negócio.

"5) Gerentes do negócio? "Cacholas", adeptos ferrenhos do Jazz, respeitadores da memória do fundador VILLAS-BOAS é que eles são ! Qual negócio !!"

Pois e depois admiram-se que não saem da "cepa torta", o amadorismo é muito "romantico" mas não produz os melhores resultados. Eu pessoalmente se fosse um verdadeiro amante de Jazz nunca teria corrido o risco de ter ficado sem espaço para o divulgar, mas pronto isso sou eu a pensar que pelos comentários daqui devo ser um "inculto". Sem duvida o Hot Clube consegue neste momento prestar um excelente serviço, não é?

"Se valesse a pena, pois o prédio está decrépito. Compete-lhe atribuir-lhes novas instalações, se possível naquela área."

O Hot Clube não é um clube privado? Parece-me que não é uma instituição do Estado... Realmente ficar sentado à espera que seja a Camara a resolver as questões das instalações é a maneira mais activa de se defender o Jazz em Portugal. Muitos parabéns por essa solução e pela eficácia da mesma...

Mais uma vez, o fogo fez o trabalho...

Anónimo (não verificado) on Quinta, 24/12/2009 - 16:43

Depois do comentário do Xôr Luís Lavoura, o mesmo devia passar a chamar-se Luís "Lavareda" (com "b" de boi, tá claro...)

O incêndio no prédio onde está instalado o HOT CLUBE

Mário (não verificado) on Quinta, 24/12/2009 - 14:58

O incêndio no prédio onde está instalado o HOT CLUBE foi uma desgraça para quem gosta de música em geral e de JAZZ em particular. É evidente que quem não possui qualquer sensibilidade para a música de qualquer espécie, ou a tem apenas para o punk, o rock e quejandas, isto são favas contadas.
O HOT tinha 60 anos de vida e recebeu ao longo desses anos figuras famosas - interpretes e compositores - do Jazz americano e não só. Paris está repleta deste tipo de casas de música, nos chamados Cavaux. Mas... Paris é outra coisa... e os franceses também. Aquilo é gente mais culta. É sabido que este nosso povo é o que tem a mais elevada taxa de analfabetismo de toda a Europa. Alguma há-de ser a razão por detrás disso... E essa razão vai-se revelando. Vê-se aqui: NEM UMA PALAVRA DE APREÇO PELA MERITÓRIA OBRA SEXAGENÁRIA DO HOT CLUBE, UM DOS MAIS ANTIGOS DA EUROPA, SE NÃO MESMO O MAIS ANTIGO.
E chamar ao HOT CLUBE EMPRESA É DEMAIS !! É que poderiam defender os interesses meramente empresariais e económicos dos proprietários dos prédios lisboetas, mas emitirem ao menos um comentário em defesa daquela obra cultural... mas não: apenas "bota abaixo" sem qualquer reconhecimento pelo aspecto cultural. Não admira. Assim se revelam na íntegra.

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Quinta, 24/12/2009 - 17:19

Nada tenho contra o Hot Clube. Acho bem que esse clube arrende outro espaço e continue a existir, se tiver público para isso. Mas não deve existir à custa da exploração de quem lhe arrenda o espaço. Deve pagar uma renda de mercado, a um senhorio que lhe queira livremente arrendar a sua propriedade.

Luís Lavoura

O HOT CLUB tem sede num prédio da Câmara Municipal de Lisboa

Mário (não verificado) on Sexta, 25/12/2009 - 13:17

O HOT CLUB tem sede num prédio da Câmara Municipal de Lisboa !! Não é propriedade privada nem é empresa. É uma instituição de carácter cultural reconhecida. Informe-se e não diga "excentricidades". E tem público. Tem público há muitos anos. Por o ter é que existe há 60 anos. Ou acha que eram moscas que o frequentavam? Já aqui disse: têm passado por lá dezenas de garndes intérpretes de Jazz (americanos, famosos, e não apenas americanos). Ilustre-se um pouco aqui http://www.hotclubedeportugal.org/ e aqui...: http://en.wikipedia.org/wiki/Hot_Club_of_Portugal

Há gente que gosta de falar

Anónimo (não verificado) on Quinta, 24/12/2009 - 13:50

Há gente que gosta de falar antes de se informar. Enfim, é um direito.

E os imensos prédios

Alvaro Moura (não verificado) on Quinta, 24/12/2009 - 11:46

E os imensos prédios devolutos que Porto e Lisboa têm sem absolutamente ninguém? Sem negócios, sem inquilinos, sem nada...somente à espera de serem efectuadas mais valias.
Haverá certamente senhorios com razões de queixa... e inquilinos também. Neste como noutros casos da vida portuguesa não há virgens impolutas.

Retrato de Luís Lavoura

Inquilinos?

Luís Lavoura on Quinta, 24/12/2009 - 17:15

Não há nenhuns inquilinos com quaisquer razões de queixa. O inquilino, quando está descontente com a casa que tem arrendada, tem uma solução muito simples: ir-se embora. Em Portugal um inquilino pode ir-se embora a qualquer momento, sem delongas nem indemnizações ao senhorio. Portanto, nenhum inquilino tem razões para estar descontente: quem está mal, muda-se.

Luís Lavoura

Retrato de João Cardiga

Não concordo

João Cardiga on Sábado, 26/12/2009 - 16:28

Não posso concordar com isso. No fundo advogas que se possa não respeitar um contrato pois em ultima análise poderás sempre te mudar para outro lado.

Quer se queira quer não o arrendamento é um contrato que incide sobre a disponibilidade do espaço e a sua respetiva manutenção. Ora o que tem acontecido é um desrespito por esse contrato sem que tenha existido qualquer sanção. Mais quando um senhorio não faz a manutenção do seu prédio está a imputar custos aos prédios adjacentes o que não é justo e criando um incentivo para que não exista manutenção.

A questão do arrendamento é demasiado complexo para se poder generalizar e vai exigir soluções diferenciadas, agora não me parece que uma das soluções seja advogar o incumprimento contratual sem qualquer tipo de penalizações.

Retrato de Filipe Melo Sousa

Apoiado!

Filipe Melo Sousa on Quinta, 24/12/2009 - 09:49

Por todo o lado existem inquilinos e negócios que vivem à custa desta exploração. Lisboa está um caco, com a vida congelada. Não há ninguém com coragem para devolver os imóveis aos seus proprietários.

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