Retrato de Luís Lavoura

A socialista Ana Gomes aplaude enfaticamente a intervenção armada da França no Mali.

Ana Gomes não nos explica, porém, de todo, quatro coisas.

(1) Como tem ela a certeza de que os rebeldes que combatem o governo do Mali são islamitas associados à Al Qaeda? Sabe-se que boa parte das forças rebeldes são tuaregues que apenas lutam por motivos nacionalistas (querem ter um Estado próprio). E sabe-se que há também islamitas. Mas não parece certo que os islamitas tenham mais importância ou mais poder que os tuaregues. Pelo contrário, sabe-se que já entraram em conflito, os islamitas com os tuaregues. Nem parece certo que os islamitas estejam necessariamente afiliados com a Al Qaeda - há muitos islamitas neste mundo que querem um poder islâmico mas não praticam terrorismo internacional.

(2) Se se quer combater os islamitas, porque se combate também os tuaregues? Não seria muito mais lógico apoiar os tuaregues na sua luta pela independência, e ajudá-los a dominar os islamitas que com eles se aliaram oportunisticamente? Porque se pretende manter um Estado maliano unitário que não tem qualquer coerência interna, que junta árabes no norte com negros no sul, que junta nómadas no norte com sedentários no sul, que não passa de uma consequência do colonialismo?

(3) Por que é que é nosso dever ir ajudar os malianos supostamente oprimidos pelo poder islamita? Há muitos povos por este mundo fora oprimidos por forças tirânicas, mas nós não invadimos os países deles para os ir libertar. Por que deveremos atuar diferentemente no caso do Mali? Em que é que o poder islamita no Mali é mais perverso e mais opressor do que tantos outros regimes que há por esse mundo fora? Que temos nós que nos irmos imiscuir nos problemas de uma população estrangeira alegadamente oprimida? Se há um povo oprimido, compete a esse povo manifestar a vontade de se libertar do opressor e, eventualmente, fazê-lo - não nos compete a nós.

(4) Em que é que um Estado islamita no Mali nos prejudicaria e colocaria a nossa segurança em risco? O Mali fica a muitos milhares de quilómetros da Europa. É um país muito pobre. Em que é que nos poderia pôr em risco? Não há medidas a tomar, aqui na Europa, que podem, de forma muito mais barata, impedir eventuais ameaças terroristas?

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