Se tiverem oportunidade de passar pelo Marquês de Pombal, vão-se deparar com uma manifestação xenófoba retratada no cartaz do PNR. O partido é explícito no que diz respeito à solução que propõe para os imigrantes em Portugal: um avião para o caminho de regresso.
Um apelo cego e indiscriminado a qualquer pessoa que queira trazer valor para o nosso país, que não tem lugar num mundo liberal. Peço a todos que comentem.
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Tantos dias (semanas?)
Mafalda Melo Sousa (não verificado) on Quinta, 12/04/2007 - 00:40Tantos dias (semanas?) depois e já completamente off-topic venho aqui sublinhar tudo o q o Filipe escreve neste post, respondendo ao seu apelo.
É repudiável um cartaz destes num país destes numa economia destas (lembram-se - se calhar não - que quem 'salvou' a balança de pagamentos foram as remessas dos emigrantes nos idos anos 70/80?). Ah pois é! A memória é tão curta... Esquecemo-nos também que transitámos de um país de 'emigração' para outro de 'imigração'. Acolher quem vem é nosso DEVER (não querendo reduzir a questão a esta mera relação de causalidade).
Filipe, espero que os 'ecos' das nossas (muitas) conversas transbordem aqui neste espaço. Mesmo quando andávamos à batatada e não me deixavas ler em paz o 'manifesto do partido comunista'. :P
Guidance!
Guardem as pás, que eles enterram-se...
Fernando Barragão (não verificado) on Sexta, 30/03/2007 - 18:49É um bocado triste ver uma coisa destas num país como Portugal.
Talvez alguns se recordem da velha frase: "Deus criou o preto e o branco, o português criou o mulato".
Agora, há que dizê-lo: a nossa Constituição, ao proibir associações de carácter fascista e racista, é obtusa até dizer chega. Não consegue perceber que estes palhaços combatem-se às claras, onde as suas ideias possam ser expostas ao contraditório e cobertas de ridículo. Não grauitamente, claro: procuramos as contradições e os absurdos, e aí é que malhamos.
Ilegalizá-los faz deles heróis. Acreditem, é assim que eles funcionam.
Cordialmente,
Fernando Barragão.
Guardem as pás, que eles enterram-se...
Fernando Barragão (não verificado) on Sexta, 30/03/2007 - 18:48É um bocado triste ver uma coisa destas num país como Portugal.
Talvez alguns se recordem da velha frase: "Deus criou o preto e o branco, o português criou o mulato".
Agora, há que dizê-lo: a nossa Constituição, ao proibir associações de carácter fascista e racista, é obtusa até dizer chega. Não consegue perceber que estes palhaços combatem-se às claras, onde as suas ideias possam ser expostas ao contraditório e cobertas de ridículo. Não grauitamente, claro: procuramos as contradições e os absurdos, e aí é que malhamos.
Ilegalizá-los faz deles heróis. Acreditem, é assim que eles funcionam.
Cordialmente,
Fernando Barragão.
Mais repugnante do que o
Luís Lavoura on Sexta, 30/03/2007 - 09:06Mais repugnante do que o cartaz têm sido, penso eu, as reações de repúdio ao dito.
As reações que tenho ouvido, da parte da classe política, têm todas girado à volta da proibição do cartaz e do partido. O cartaz tem sido acusado de ser racista. O que manifestamente não é, basta ver que muitos dos imigrantes brasileiros são, basicamente, da mesma raça que nós. E mesmo que fosse. As pessoas devem ter o direito de ser racistas, e de o manifestar - desde que não incitem à violência.
O cartaz passa uma mensagem política perfeitamente válida e legítima - que Portugal tem imigantes a mais e que deve expulsar imigrantes. Eu discordo fortemente dessa mensagem, mas ainda discordo mais de quem a pretenda proibir.
Repito: aquilo que mais nojo me tem metido em toda esta história, são as reações ao cartaz, histéricas e repressivas da liberdade.
Sumiço
Filipe Melo Sousa on Sexta, 30/03/2007 - 09:18Do cartaz já pouco restava ontem à noite. Estava completamente vandalizado
Os tabus da livre-expressão
Pedro Félix (não verificado) on Quinta, 29/03/2007 - 22:50Filipe
Sabes muito bem que o discurso livre tem nuances cheias de alçapões e já sentiste na pele a mais bem intencionada das censuras neste mesmo espaço.
Todos nós sabemos que alguém com um mínimo de juízo e massa cinzenta deplora mensagens como aquela! Os diminuídos mentais do PNR arranjaram umas coroas para pôr um megacartaz no Marquês. E daí? Quantos cartazes da extrema-esquerda já pendurados não fizeram apelo à mais elementar das nossas liberdades? Não continuamos nós livres? Se tivéssemos berrado tanto como se berra sempre que se vêem esses tontinhos a dizer "Viva Salazar!" Imigrantes rua!", etc. teria havido nos anos 70 muito mais proibabilidades para ter sido implantada uma ditadura marxista-leninista - pois haveria apoio popular, que foi "apenas" o que lhes faltou para o fazerem.
Não têm qualquer sentido as comparações em relação ao concurso dos Grandes Portugueses, no qual Salazar ganhou. Que relacionamento poderá haver entre dizer "Imigrantes rua" e a imagem de Salazar? Estabelecer paralelismo entre ambas é ignorar história política ainda mais acentuadamente do que o fazem os militantes do PNR. E então sim, nesse caso teremos perigo. Pois não falta quem queira ver metidas uma série de ideias (ainda que desconexas) no mesmo saco para ter um navio contestatário e salvífico contra o "statu quo"!
Os cartazes do PNR só terão sucesso num solo fértil em ruído, e tentativas desastrosas de silenciamento. O Le Pen sempre adorou que os intelectuais urbanos o denegrissem. Era sinal que as votações dele iriam fazer mossa. E fizeram... Só quando os assuntos que ele abordava começaram a ser enfrentados sem tabus é que ele começou a perder poder e nestas próximas eleições já poucas ou nenhumas hipóteses terá de ir à 2ª volta. E problemas não faltam em França com os imigrantes... as políticas e as propostas dos diferentes partidos é que já mudaram!
Deixemo-nos de demagogia e de consensos fáceis! Aprendamos com o que já aconteceu com os outros - tanto que as coisas chegam sempre cá com algum atraso!
Errata: onde se lê:
Pedro Félix (não verificado) on Quinta, 29/03/2007 - 22:53Errata:
onde se lê: "Quantos cartazes da extrema-esquerda já pendurados não fizeram apelo à mais elementar das nossas liberdades"
deve ler-se:
"Quantos cartazes da extrema-esquerda já pendurados não fizeram apelo ao fim da mais elementar das nossas liberdades"
Peço desculpa pelo lapso.
Je ne sait pas.
Filipe Brás Almeida (não verificado) on Sexta, 30/03/2007 - 02:28Não sei se a França serve para um caso de estudo de alerta da xenofobia em Portugal. Demograficamente somo diferentes. Temos uma população de imigrantes e de minorias etnias, muito menor do que existe na França. O Le Pen é mesmo uma ave rara sendo provavelmente de longe o jingo que melhores resultados eleitorais consegue ter em toda a Europa Ocidental.
Portugal tem um contexto histórico diferente também. Também fomos emigrantes em larga escala e isso é factor importante. A França só me parece ser útil neste contexto como um exemplo a não seguir em políticas de imigração.
"Não sei se a França serve
Pedro Félix (não verificado) on Sexta, 30/03/2007 - 10:43"Não sei se a França serve para um caso de estudo de alerta da xenofobia em Portugal. "
Claro que os contextos são diferentes, como seriam em relação a qualquer outro país. Mas, não deixa de ser um exemplo de um contexto no qual havia assuntos tabu como a imigração, o qual poucos discutiam com abertura e nitidez suficientes pois era considerado politicamente incorrecto. Qualquer atitude da Frente Nacional era deplorada por políticos e media, e agora esses mesmos políticos e media aceitam posições que anteriormente eram motivo de escândalo.
Em suma, tudo isso acaba por ser um exemplo de que áreas-tabu, e os alaridos em relação a determinados comportamentos demagógicos abrem caminho a essa mesma demagogia.
Se em Portugal se discutir abertamente acerca do problema dos imigrantes, sob um ponto de vista pragmático - não obstante que seja sob a influência de princípios humanistas - campanhas como a deste cartaz acabam por ficar vazias de conteúdo e passam despercebidas se não houver o alarido habitual dos politicamente correctos.
Eu mesmo
Filipe Brás Almeida (não verificado) on Quinta, 29/03/2007 - 21:31Como isto é uma piada de mau gosto diria que também sou imigrante, uma vez que nasci em Toronto. De ponto de vista pessoal, talvez até nem seria muito mal para mim ser expulso de Portugal, para que estes Salazarinhos de cabeça rapada pudessem construir à vontade, a sua monstruosidade à beira mar plantado.
Gostei do pormenor que vi hoje na RTP, de alguém ter borrado já o cartaz com qualquer substância viscosa e castanho.
Bem...
Migas on Quinta, 29/03/2007 - 21:15Perder tempo a discutir esse idiótico outdoor não será colaborar no aumento de notoriedade desses rapazolas?
Ambiguidade q.b.
Francisco Burnay (não verificado) on Quinta, 29/03/2007 - 20:01Claro que nestas coisas do populismo relâmpago convém sempre dar uma no cravo e outra na ferradura. Quem leu a reportagem da Fernanda Câncio ficou a saber que para o PNR o problema não são os imigrantes... Onde é que foram buscar essa ideia?! O problema são os imigrantes que andam a vadiar! Aos olhos do PNR há imigrantes que, vá lá, até são "respeitáveis"... De certeza que o tipo do cartaz até tem amigos "que são"...
O PNR só não quer que os cidadãos portugueses fiquem no desemprego por causa de uns vagabundos com... emprego.
Salazar ganha o concurso dos
Inês Branco on Quinta, 29/03/2007 - 19:09Salazar ganha o concurso dos melhores portugueses no domingo e na quarta-feira já está um cartaz em pleno Marquês de Pombal, apelando ao nacionalismo...
O primeiro objectivo do PNR foi atingido: tempo de atena.
Até ao momento governo e oposição já tinham manifestado o seu repúdio.
Aguardemos os resultados desta campanha...
Uma imitação de Le
Ricardo Francisco on Quinta, 29/03/2007 - 18:02Uma imitação de Le Pen.
Deplorável seria se estes senhores conseguissem mais do que os poucos milhares de votos qua conseguiram da última vez...
Se o conseguirem é porque não houve alternativas aos diversos programas socialistas que os principais partidos apresentam. Foi assim que Le Pen consegiu ir tão longe...
Deplorável
Miguel Duarte on Quinta, 29/03/2007 - 17:51Deplorável mesmo!!!
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