Retrato de João Mendes

Os debates na Assembleia da República em Portugal não são nunca um mar de rosas, entre acusações de mentira e de desonestidade política e argumentações falaciosas desinteressantes. Paulo Rangel, por exemplo, dedicou uma parte substancial do seu discurso sobre o Estado da Nação a casos mediáticos que afectaram negativamente o Governo, o que eu considero absurdo num debate que se quer verdadeiramente substantivo.

Manuel Pinho perdeu a paciência com Bernardino Soares, e o senhor deputado da CDU pode agora continuar as suas acusações (que o Ministro refuta), e, dada a conjuntura actual, demitiu-se. É possível que sobrevivesse noutra altura, mas neste contexto não havia hipótese.

Nunca simpatizei muito com o Ministro Manuel Pinho, e considero que a economia portuguesa necessita de reformas para melhorar a sua competitividade que não foram feitas, mais do que de atraiar empresas uma a uma. Ninguém questionou o empenho do Ministro, no entanto, após a sua demissão, e foi enfatizado que atingiu resultados numa área que me é cara: a das energias renováveis.

É claro que a Oposição tentará agora o discurso do "desnorte do Governo". Mas tal como Paulo Rangel não conseguirá o meu voto jovem simplesmente por falar de jovens no seu discurso, não pega minimamente que o facto de um Ministro se aborrecer bastante com "bocas" de Bernardino Soares tenha alguma coisa a ver com o Governo em geral.

Eu assisti ao debate, e o que vi foi um Primeiro Ministro determinado (e que deixou algumas perguntas por responder, verdadeiramente), um Ministro das Finanças determinado (e inspirado em Camões e Fernando Pessoa, pelos vistos), e um PS com os aplausos bem ensaiados. Vi também um PSD de baixo nível, um CDS desesperadamente a tentar que notassem nele (e na vermelhusca cara de Paulo Portas, de dedo em riste acusando o Primeiro Ministro de teimosia), um PCP (Jerónimo de Sousa) que respeito (embora discordando das suas políticas), o Bloco de Esquerda do costume (intragável) e um PEV que é uma pevide. Por tudo o que vi no debate, o PSD é o partido da oposição que menos alternativa é ao Governo, e os truques de retórica de Paulo Rangel, por muito que apareçam nas TVs, apenas me deixam mais convicto que é apenas isto que o PSD representa hoje em dia, e que isto não é nada para um partido que queira ser governo.

Isto, mais do que a chifrada metafórica de Manuel Pinho, foi o que me ficou do debate sobre o Estado da Nação.

Retrato de Luís Lavoura

PSD

Luís Lavoura on Sábado, 04/07/2009 - 14:23

"o PSD é o partido da oposição que menos alternativa é ao Governo"

Exatamente. Enquanto que os outros partidos da oposição têm de facto algumas posições políticas (boas ou, geralmente, más) alternativas às do governo, o PSD não tem quaisquer posições políticas alternativas (nem que não o sejam). Apenas tem pessoal alternativo. E esse pessoal, pelo que foi visto nos governos de Durão Barroso e de Santana Lopes, é de muito fraca qualidade e totalmente inoperante.

Luís Lavoura

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