Na sexta-feira, o jornal das nove da Sic Notícias, tinha como convidado Manuel Pinto Coelho da Associação Portugal Livre de Drogas, supostamente para comentar a política de saúde do governo a propósito da introdução das salas de chuto.
Carlos Manuel Castro, no Tugir, comenta:
«Ao longo de alguns minutos, o entrevistado enumerou vários considerandos merecedores de pouca credibilidade, como por exemplo, a defesa da não diferenciação de drogas. Como se drogas leves e duras não requeressem abordagens distintas. Por outro lado, esqueceu-se de mencionar os novos consumos de drogas, principalmente nos mais jovens, fruto de novas realidades de convívio, diferentes daquelas que ainda hoje se perpetuam com a cocaína e heroína.
A entrevista, que devia centrar-se nas diversas medidas do Governo, acabou por se centrar na introdução das salas de injecção assistida, como se estas fossem a única medida do Governo.»
Que o presidente da Associação Portugal Livre de Drogas profira tais dislates, não me espanta assim tanto. Só pelo nome da associação se percebe a origem das suas ideias. Mas que se não entenda daqui um preconceito, ouvi e conheço as ideias por ele propaladas e considero-as facilmente desmontáveis. Se ao menos houvesse contraditório.
O que me espantou verdadeiramente foi o exercício balofo de exaltação de preconceitos que o Mário Crespo ali fez ao referir o Instituto da Droga e da Toxicodependência como não sendo contra nada... era só da Droga e da Toxicodependência (insinuando que não teria problemas em incentivar o consumo) e posteriormente ao ter dado o destaque que deu à tal resposta que dizia que "não há receitas" para evitar que o filho "se meta na droga", provinda de um texto do referido IDT. Estes dois pormenores até podem ser infelizes, mas o que eu questiono é a sua relevância para fins jornalísticos, pelo menos da qualidade a que o Mário Crespo nos habituou.
É aliás pena que aquando da presença do Ministro da saúde Correia de Campos para explicar justamente estas e outras medidas, Mário Crespo pouco o tenha questionado sobre as mesmíssimas "dúvidas" que ontem transpirou despudoradamente.
Se, pelos anos de carreira, provas dadas no jornalismo, ou qualquer outro motivo, Mário Crespo julga poder de vez em quando relaxar a isenção jornalística a que está obrigado (o que eu até toleraria), então que o faça quando tem em estúdio um "adversário", não um "aliado". Pode dar mais trabalho, mas pelo menos não corre o risco de manchar a sua boa reputação com a triste figura de sexta-feira à noite.













«O mais chocante é que
Vasco Leal Figueira on Terça, 05/09/2006 - 12:50«O mais chocante é que estes jornalistas "respeitáveis" assumem uma pose de imparcialidade, ao favorecer o ponto de vista que mais lhes convém.»
Ainda assim considero o Mário Crespo um jornalista respeitável, foi só um episódio infeliz. Claro que assumem uma pose de imparcialidade, essa é a sua pose natural, inculcada ao longo dos anos. Os "favorecimentos" quando acontecem são sempre reprimidos, umas vezes mais do que outras.
«A imagem que passa para o público é que um ponto de vista parcial deve ser lido como "neutro". É isso o mais grave.»
Não percebo. O ponto de vista do jornalista parcial é que aparece como neutro pela própria condição de jornalista? Se é isso, isso só acontece quando o público engole tudo o que vê acriticamente, ou seja, 90% dos casos, para ser simpático. O melhor mesmo é nunca entender os jornalistas como "neutros", apenas como, digamos, "não-declarados". A isenção plena e absoluta é impossível, toda a gente tem a sua opinião. Devia-se ensinar isso na escola, a par do pensamento crítico, juízo autónomo, etc.
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Vasco Leal Figueira
Imparcialidade
Filipe Melo Sousa on Terça, 05/09/2006 - 09:22O mais chocante é que estes jornalistas "respeitáveis" assumem uma pose de imparcialidade, ao favorecer o ponto de vista que mais lhes convém.
A imagem que passa para o público é que um ponto de vista parcial deve ser lido como "neutro". É isso o mais grave.
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