Retrato de Luís Lavoura

Num livro recentemente editado em Portugal, o economista Richard Koo explica os perigos da presente internacionalização dos mercados financeiros. Essa internacionalização é recente - tem a sua origem em legislação liberalizadora a partir de 1980 - e, basicamente, vira ao contrário toda a teoria conómica estabelecida. Nessa teoria, as finanças internacionais serviam o comércio internacional; os capitais fluíam de um país para outro basicamente apenas para pagar as transações comerciais que se efetuavam entre os países. Nessa teoria, as moedas valorizavam-se ou desvalorizavam-se consoante as balanças comerciais dos países eram excedentárias ou deficitárias, respetivamente, e essa valorização ou desvalorização tendia a reequilibrar essas balanças comerciais. Num tal mundo, raramente um país acumularia um défice ou excedente comercial superior a 3% do seu PIB.

Mas no mundo atual as finanças internacionais desacoplaram-se totalmente do comércio internacional. Quantidades astronómicas de dinheiro fluem entre os países a título de "investimentos" e sem terem qualquer relação com fluxos de mercadorias (ou serviços). Um tal mundo é perigoso porque permite que um qualquer país acumule, durante anos ou decénios a fio, enormes défices ou enormes excedentes comerciais, permanentemente alimentados por fluxos de capitais. Além disso, a política monetária dos bancos centrais perde utilidade, pois os capitais libertados num país podem facilmente ser transferidos para um outro país (o carry trade). Isto faz com que países a quem conviria estar com taxas de juro altas as tenham baixas, e vice-versa.

Até há trinta anos atrás - ou seja, até o petróleo ter subido de preço - a situação era totalmente diferente. Os mercados financeiros de cada país estavam, em larga medida, fechados ao exterior.

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