O ministro da agricultura português foi recentemente à maior feira europeia de produtos hortícolas e frutícolas, que se realiza em Berlim (*). A delegação portuguesa nessa feira foi, ao que se diz, paupérrima. De lá, o ministro da agricultura mandou o recado de que a agricultura hortofrutícola portuguesa, evidentemente, não pode competir em quantidade com a restante agricultura europeia, pelo que tem que apostar somente na qualidade dos produtos portugueses.
Não pode competir em quantidade? Por quê? O ministro não especificou. Portugal é, certamente, um país relativamente pequeno. Mas a Holanda, que também é um país bem pequeno, compete em quantidade - por exemplo, produz tomates para toda a Alemanha. Não é por Portugal ser mais pequeno do que a Espanha que não pode competir em quantidade. Por exemplo, no setor da cortiça Portugal compete em quantidade com a Espanha e com os outros países.
A tragédia da agricultura hortofrutícola portuguesa, que o ministro não especificou, é o minifúndio. É essa a tragédia do nosso mundo rural. Com exceção do Alentejo e, parcialmente, do Ribatejo, a nossa paisagem agrícola está retalhada pelo minifúndio, o qual impede uma gestão e uma produção em quantidade. As melhores zonas para a produção de hortícolas e frutas - o Algarve, a Extremadura, a Beira Alta - estão todas retalhadas em propriedades de meio hectare ou um hectare. E, é claro, com um tal regime de propriedade, Portugal jamais poderá competir em quantidade.
(*) Para todos os efeitos práticos, Berlim reassumiu, e cada vez mais reassume, o lugar de capital económica e cultural da Europa, que foi o seu até à Primeira Guerra Mundial.














Subscrevo. Devia haver algum
Francisco Burnay (não verificado) on Sábado, 13/02/2010 - 01:39Subscrevo. Devia haver algum incentivo à concentração de propriedade agrícola - alguns empresários já começam a comprar terras a poucos proprietários que não vêem futuro na agricultura. Alguns são estrangeiros.
O estabelecimento de cooperativas é uma possibilidade de minimizar os custos mas a inércia social é muito grande.
Com este nível de fragmentação não sei que estratégia possa haver. O Estado apenas se tem preocupado em manter o mínimo de produção necessário à manutenção da reserva agrícolae das pequenas comunidades que dela dependem. Por isso se fala tanto em dependência de subsídios - sem eles a agricultura morre. E daí que talvez a longo prazo o que se pretenda é que as gerações mais antigas abandonem a agricultura a menos proprietários mais jovens.
Pelo que tenho ouvido, a maneira de pensar dos agricultores que estão a formar-se hoje é já muito diferente da de poucas gerações atrás. Mas desses novos profissionais do ramo que conheço pessoalmente nenhum deles parece ter a mesma compreensão do problema da fragmentação excessiva da reserva.
Uma realidade histórica e
ALVARO MOURA (não verificado) on Quarta, 17/02/2010 - 12:13Uma realidade histórica e topografica, principalmente a norte, difícil de ultrapassar.
Uma agricultura e floresta, desprezadas pelos diversos governos que nos têm desgovernado.
Uma mentalidade mesquinha, individualista que não nos tem deixado progredir.
Tirando a topografia, todos as outras desvantagens podem ser ultrapassadas, assim queiramos.
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