Retrato de Miguel Duarte

Neste artigo, Fernanda Câncio aborda a questão da restrição ao trânsito de zonas no centro de Lisboa.

Só posso dizer que concordo a 100%, como já aqui referi anteriormente. Inclusivamente, na parte em que só irá receber o meu voto nas autárquicas o candidato que me der garantias, a mim como Lisboeta, que essa política irá ter continuação. E claramente, esse candidato, não é Pedro Santana Lopes, pois, como Fernanda Câncio refere, quando este esteve na Câmara de Lisboa nada fez nesse sentido. Pior, trabalhou no sentido inverso ao lançar o Túnel das Amoreiras.

Vivo em Lisboa e quero uma Lisboa com menos automóveis e mais vias cicláveis, espaços verdes, árvores (é diferente de espaços verdes!) e transportes públicos. Acredito que muitos lisboetas (aqueles que vivem em Lisboa cidade) estarão de acordo comigo.

Em Lisboa sim...

Stran on Terça, 05/05/2009 - 10:55

Antes demais uma curiosidade: tens a certeza que foi na ultima sexta-feira? É que foi feriado...

Há uma coisa que não concordo com a proposta do Pedro Magalhães: a diferenciação entre Lisboetas de 1ª e de 2ª. Julgo que a taxar ela deve ser feita à entrada de Lisboa Cidade e não Lisboa Central. De resto concordo totalmente com essa taxação e até com uma limitação numérica do número de carros na cidade (no entanto a minha opinião é diferente quanto ao corte de vias ao transito).

"...é preciso pensar também nas consequências dessa medida para as zonas não centrais de Lisboa..."

Embora, obviamente, se deve ter em linha de conta isso, a verdade é que tem que existir alguma razoabilidade. É impossível prever todos os problemas emergentes de determinada medida. Em vez de ficarmos parados a imaginar quais os hipoteticos problemas e tenta-los evitá-los (como é habito) julgo que é muito melhor agir e depois resolver os problemas efectivos que emergiram.

Aliás, essa mudança de actitude politica seria um enorme avanço para Portugal.

O que é bom para Lisboa é bom para Lisboa

Stran on Segunda, 04/05/2009 - 15:38

Embora não se deva concentrar só numa parte de Lisboa (afinal a cidade não é assim tão grande) a ideia está completamente correcta quanto à limitação de entrada de veiculos na cidade.

Quanto às conclusões a retirar desta interrupção temporária (a derivada das obras e a do fim de semana) é que o mundo não termina com tais medidas como muitos (ACP incluido) nos tentam vender vezes sem conta.

Espero só que neste caso haja uma real opção nas eleições!

Retrato de Luís Lavoura

não termina?

Luís Lavoura on Segunda, 04/05/2009 - 16:48

O mundo terminar não termina, mas o facto é que, na sexta-feira passada às 18:30 da tarde, percorrer de automóvel, ou de autocarro, o trajeto entre o início da Rua Dona Estefânea na Avenida Duque de Ávila, passando pelo Largo Dona Estefânea, até à Praça José Fontana, demoraria talvez uns vinte minutos. Esse trajeto a pé demora 10 minutos. E esse trajeto tem que ser percorrido por muitos autocarros.

O que eu quero dizer é que a limitação ao trânsito na Baixa está a provocar problemas de tráfego terríveis - incluindo para os autocarros, que são transportes públicos - noutras zonas da cidade, algumas delas muito distantes da Baixa.

Aquilo que a interrupção do tráfego na Baixa determina não é que o tráfego total diminua, é apenas que ele seja desviado para outras ruas diferentes, provocando estrangulamentos nelas.

Quando se pensa numa medida como a proposta por Pedro Magalhães - taxar a entrada de automóveis na zona central de Lisboa - é preciso pensar também nas consequências dessa medida para as zonas não centrais de Lisboa. Por exemplo, os automobilistas, desencorajados pela taxa de entrar na zona central de Lisboa, podem passar a estacionar o carro à queima-roupa em qualquer parte da zona limítrofe da taxada. Ou então podem passar a tomar ruas que passam à volta da zona taxada, tornando o tráfego nessas ruas infernal.

Suponhamos por exemplo que havia uma taxa de 10 euros para se entrar na zona entre Santa Apolónia e Alcântara. Suponhamos um automobilista que queria fazer esse trajeto, mas evitar passar pela zona taxada. Esse automobilista tomaria vias circulares, contornando a zona taxada. O resultado seria um aumento brutal do tráfego nessas vias circulares. Ou seja, para preservar a zona central, entre Santa Apolónia e Alcântara neste caso, sobrecarregar-se-ia de tráfego outras zonas, muito mais a Norte, da cidade, tornando essas zonas enormes sorvedouros de tempo e gasolina.

Luís Lavoura

Retrato de Miguel Duarte

E então?

Miguel Duarte on Terça, 05/05/2009 - 06:37

Basicamente tens que começar por algum lado.

Se por exemplo com o desvio de trânsito na baixa criaste problemas aos autocarros noutras zonas, se calhar, há que começar a pensar criar faixas bus nessas zonas (Lisboa já devia estar coberta delas, de qualquer forma).

Limitar a entrada de automóveis em Lisboa é uma inevitabilidade e tal não se resolve apenas com melhorias nos transportes públicos. Tem que ser algo feito em simultâneo, ou seja, por um lado melhoras os transportes públicos e aumentas a sua velocidade de circulação e por outro, vais reduzindo o tráfego na cidade.

Como lisboeta que anda essencialmente de transportes públicos na cidade, para mim, quantos menor número de carros em Lisboa, melhor.

Retrato de Luís Lavoura

Costa e Câncio

Luís Lavoura on Segunda, 04/05/2009 - 09:13

Eu o que leio no artigo de Fernanda Câncio é um apoio, totalmente mistificador, a António Costa.

Fernanda Câncio vive na Baixa e tem uma enorme tendência a confundir Lisboa com a Baixa. Infelizmente, não é só ela quem tem essa tendência.

António Costa, por motivo de umas obras imprescindíveis a realizar nos esgotos da cidade, obras cuja necessidade é inquestionável e que, de facto, já há muitos anos deveriam ter sido realizadas, interrompeu o tráfego automóvel nalgumas artérias da Baixa.

Fernanda Câncio confunde tal interrupção, temporária, limitada a algumas ruas da cidade, e motivada por razões que não a vontade de reduzir globalmente o tráfego citadino, com a medida geral proposta por Pedro Magalhães.

Já agora: desde que o tráfego foi interrompido na Baixa, tenho observado, na hora de ponta da tarde, um aumento brutal do tráfego automóvel na zona da Estefânea, muito longe da Baixa. A correlação é tão clara, e o aumento de tráfego é tão notório, que não duvido que o aumento do tráfego na Estefânea se deve às obras na Baixa, embora eu não saiba explicar exatamente quais os desvios de fluxos de tráfego envolvidos. De onde, aquilo que afirmo: o que é bom para a Baixa não é forçosamente bom para Lisboa, e vice-versa.

Luís Lavoura

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