Será natural para qualquer pessoa que um bom empregado com grandes qualificações que faz um trabalho muito necessário e que poucos sabem fazer receba um salário elevado na mesma empresa onde um empregado com qualificações mais baixas, menos trabalhador e menos produtivo receba um salário mais baixo.
Da mesma forma um país que oferece grandes condições aos seus habitantes, às suas empresas e aos seus trabalhadores pode cobrar impostos mais elevados do que um país que apresenta condições mais precárias.
Não faz qualquer sentido que um país como a Dinamarca cobre o mesmo nível de impostos que um país como Angola. Não porque a Dinamarca seja melhor, mas sim porque oferece uma série de condições que funcionam como uma vantagem concorrencial. Angola para compensar essas diferenças tem de descer o seu nível de impostos para que consiga atrair empresas, investimento e trabalhadores qualificados.
Desta forma se construirmos um gráfico onde no eixo das ordenadas temos o IDH e no das abcissas temos o nível de impostos, e cada país é representado por um ponto, então devemos obter uma nuvem de pontos oblíqua crescente. Sabemos que isso não acontece, mas apenas por decisões dos dirigentes que estão mais relacionadas com doutrinas e corrupção do que propriamente com análises pragmáticas.
Um país que assuma a decisão de manter o nível de impostos demasiado elevado (decisão típica de esquerda) erra porque afasta o investimento e os profissionais muito qualificados acabando por receber no total menos impostos.
Um país que assuma a decisão de manter o nível de impostos baixos (decisão típica da direita e dos liberais de direita) erra porque nunca consegue financiar uma melhoria qualitativa dos seus serviços e ainda que consiga crescer muito económicamente não consegue desenvolver as suas infra-estruturas evoluindo para um nível ainda mais elevado de competitividade. Para além disso está ainda a estrangular países mais pobres que não conseguem competir em impostos baixos nem qualidade das estruturas económico-sociais. Para além de irracional é desumano.
O funcionamento da despesa pública deve funcionar então ao contrário do que temos visto. Os nossos políticos têm criado ideias para gastar dinheiro. Aliás, qualquer político de trazer por casa tem ideias para gastar dinheiro.
Mas o que tem de ser feito à priori é definir quanto se pode cobrar de impostos. Depois pode se definir onde se deve gastar esse dinheiro. Numa época de fartura deve-se gastar menos do que se cobra, mantendo o défice a zero, para que em tempo de crise se possa investir estimulando novamente a economia.













Ou seja, se uma sociedade se
Miguel Bengla on Segunda, 23/01/2006 - 11:16Ou seja, se uma sociedade se esforçar ao máximo para se tornar mais próspera e rica, o que lhes deve aguardar é uma subida de impostos? Será este o justo prémio pelo esforço realizado?
E um Estado que volte a cobrar mais impostos não é meio caminho andado para voltar ao facilitismo e despesismo? À burocracia e proliferação de funcionalismo público? Não irá facilitar a fuga dos capitais estrangeiros que outrora decidiram investir, e à fuga dos nossos melhores trabalhadores?
Voltamos depois à estaca zero: voltam-se a baixar impostos para voltar a atrair o investimento e trabalhadores qualificados, para passados alguns anos voltarem a aumentar. Esta instabilidade fiscal não é nada saudável para o desenvoltimento de uma sociedade.
subida gradual
Hugo Garcia on Segunda, 23/01/2006 - 13:04Miguel Bengla,
certamente eu não estou a falar de subidas repentinas.
Nenhum país dispara assim em 5 anos.
Por outro lado, se fores analisar a subida do Iva em Portugal nos últimos anos verás que cada governo subiu o Iva como se não existisse um amanhã.
As subidas que eu falo são calmas e progressivas e não vais afastar as empresas. O que acontece é que as empresas que inicialmente foram por impostos mais baixos, depois mantêm-se devido às grandes condições que esse país oferece.
Além disso a minha ideia é que a subida seja principalmente no Iva e Irs, não tanto do IRC.
E a maioria das pessoas não se importará tanto de pagar impostos elevados se realmente tiver condições de acordo com aquilo que paga.
"Os nossos políticos têm
Luís Lavoura on Segunda, 23/01/2006 - 09:50"Os nossos políticos têm criado ideias para gastar dinheiro."
É verdade. Em parte, estão estimulados neste procedimento pela avalanche de fundos comunitários. O país não é capaz de gerar um número suficiente de projetos bem fundamentados para gastar esses dinheiros comunitários. Por isso, esbanja dinheiro nos poucos projetos que consegue arranjar. Por exemplo, no Metropolitano de Lisboa tem sido esbanjado dinheiro a rodos, a contruir estações gandiosas e desproporcionadas, sem qualquer relação com o serviço que essas estações são supostas prestar - e que muitas vezes prestam mal.
(Também tem sido gasto muito capital público a apoiar projetos como a Expo 98 e o Euro 2004. Mas nesses casos o Estado paga, em grande parte, não em dinheiro, mas sim em terrenos e autorizações de construção. Foi assim que foi, em grande parte, financiada a Expo 98, e é assim que o PS gostaria de oferecer um novo estádio ao Vitória de Setúbal.)
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