Retrato de Luís Lavoura

Recebi agora a seguinte mensagem do Conselho Diretivo do Instituto Superior Técnico:

"Informa-se a escola que, por despacho do Ministro de Estado e das Finanças, datado de 8 de abril, foi proibida a assunção de novos compromissos exceto aqueles que se relacionam com vencimentos e execução de contratos já existentes.

O IST, em diálogo com a tutela, está a envidar todos os esforços no sentido de conseguir que esta proibição seja levantada, especialmente no que diz respeito a todas as atividades relacionadas com a execução de projetos."

Como se vê, Vítor Gaspar meteu rapidamente mãos à obra, no sentido de fazer o país entender que a decisão do Tribunal Constitucional lhe (ao país) acarretará custos, e no sentido de dramatizar a situação.

É altura de aceitar que o défice orçamental não pode ser eliminado colocando todos os funcionários públicos na prateleira - isto é, mantendo-lhes os salários mas impedindo-os de realizar qualquer trabalho. Só pode ser eliminado (se puder!) através da redução dos salários. Ou de despedimentos.

Retrato de Luís Lavoura

A solução óbvia para o problema colocado pela decisão do Tribunal Constitucional passa por abandonar os excecionalismos legais (a supressão temporária de subsídios de férias ou de Natal) e modificar as próprias leis. Nomeadamente, eliminar a obrigação legal do pagamento de subsídios de férias e de Natal (os quais passariam a ser opcionais - cada patrão poderia concordar com os seus funcionários pagar-lhes tais subsídios ou não) e eliminar a proibição legal de reduções nominais dos salários (isto é, todos os patrões passariam a ser livres de, mediante acordo com os seus funcionários ou mesmo sem tal acordo, reduzir o valor dos salários).

Eliminados tais obstáculos legais, o Estado passaria a ser livre, tal como qualquer outro empregador, de, numa situação de crise de tesouraria, reduzir o valor dos salários e/ou dos subsídios.

Note-se que tais obrigações/proibições legais não se encontram na Constituição, a qual apenas afirma, no número 3 do seu artigo 59º, que "Os salários gozam de garantias especiais, nos termos da lei".

Retrato de Luís Lavoura

(1) O Tribunal Constitucional (TC) fez um péssimo e infinitamente repugnante serviço na forma como apresentou as suas conclusões sobre o orçamento de 2013. Apresentou essas conclusões numa sexta-feira à noite, fora de qualquer hora de serviço ou expediente, e após fazer os jornalistas aguardar em vão (e sem informações, como é costume em Portugal) durante duas horas. Depois, fez a apresentação de forma ridiculamente solene, com todos os membros do Tribunal presentes (devidamente trajados nas suas ridículas togas), para apenas um deles falar. Em suma, uma asneira completa, como só um tribunal português seria capaz. Uma vergonha.

 

(2) O TC foi, porém, coerente no erro que cometeu no ano passado, o de julgar que os funcionários públicos são iguais aos trabalhadores de qualquer empresa. No ano passado o TC aplicou mal o princípio da igualdade, este ano, em coerência, voltou a aplicá-lo da mesmíssima forma. Devemos, ao menos, gabar a coerência do TC: o governo recolheu o veredito que já poderia esperar.

 

(3) A reação do governo foi ótima: demissão não, mais impostos não, cortes na despesa sim. (Sugiro que comecem por cortar no subsídio de habitação dos juízes.) Não sei é se será capaz de a pôr em prática.

Retrato de Luís Lavoura

Contrariamente à generalidade dos outros comentadores, não considero que as acusações que impendem sobre Relvas, de ter de alguma forma obtido a sua licenciatura mediante favor da Universidade Lusófona, sejam muito graves e mereçam a sua demissão.

De facto, por um lado não atribuo grande valor a licenciaturas, muito menos a licenciaturas concedidas pela Universidade Lusófona, pelo que não me faz grande diferença que Relvas detenha ou não detenha uma. Por outro lado, considero que, para as funções que desempenhava, as habilitações académicas de Relvas eram largamente irrelevantes.

Congratulo-me, porém, fortemente com a demissão de Relvas, por um lado porque não vejo qual a necessidade ou conveniência de existir um ministro dos Assuntos Parlamentares, por outro lado porque não reconheço a Relvas quaisquer competências válidas para desempenhar tal cargo. De facto, o único mérito que se pode reconhecer a Relvas é o de ser amigo pessoal, e em larga medida mentor da carreira, do primeiro-ministro; ora, é ao primeiro-ministro, e não aos seus amigos pessoais e mentores de carreira, que compete desempenhar o cargo de coordenação política e de representação perante o parlamento do seu governo.

Em face disto, reitero que considero muito positiva a saída de Relvas do governo, e que considero que ele não deve ser substituído e que o cargo que ocupava deve ser pura e simplesmente extinto - a não ser que o primeiro-ministro encontre uma pessoa de indisputáveis méritos para o ocupar, o que não creio ser possível.

Retrato de Luís Lavoura

Não sou partidário de que o Estado se imiscua nas universidades, sobretudo nas privadas, e nas licenciaturas que elas concedem ou concederam.
Se a Universidade Lusófona concedeu licenciatura a Miguel Relvas, o Estado não se deve, pois, em meu entender, imiscuir no assunto. Miguel Relvas é licenciado pela Universidade Lusófona e cada um atribui a essa licenciatura o valor que entender por bem atribuir, e trata Miguel Relvas com o correspondente "dr" se o quiser fazer.
Deve ser a Universidade Lusófona, e não o Estado, a proteger o valor das licenciaturas que concede.
Só é função do Estado garantir que nenhum empregador - a começar pelo próprio Estado - é obrigado a dar a uma licenciatura qualquer valor. As licenciaturas devem ter o valor que a universidade que as concedeu granjeia.

Retrato de Luís Lavoura

A demissão do ministro Miguel Relvas é, evidentemente, benvinda, se bem que muito tardia. Eu só tenho uma sugestão a fazer, respeitosamente, ao senhor primeiro-ministro: evite nomear um novo ministro dos Assuntos Parlamentares e encerre esse ministério de uma vez por todas. Poupará dessa forma, espero, o salário de uma data de motoristas, adjuntos, e assessores de imprensa ao orçamento do Estado. Se o senhor primeiro-ministro quer ter os seus confidentes e amigos, pode tê-los sem necessitar de os colocar à mesa do orçamento. Será também bom ver alguns bons jornalistas, que atualmente se encontram destacados como assessores do ministro Relvas, regressar ao sítio de onde nunca deveriam ter saído: as redações dos seus jornais.

Retrato de Luís Lavoura

É curiosa a indiferença da França perante o que se está a passar na República Centro-Africana, especialmente após ter sido tão voluntariosa a intervir no Mali. Será que os galhardos soldados franceses se cansaram de dar tiros? Será que o orçamento do Estado francês para intervenções libertadoras em África se esgotou? Será que, no entender do Estado francês, os novos senhores da RCA são uns tipos porreiros que devem ser deixados em paz, por mais que o povo sofra?

Eu, pelo menos, estou satisfeito: considero que devem ser os centro-africanos a resolverem, bem ou mal, depressa ou devagar, os seus problemas. Nenhum estrangeiro tem nada que ir lá interferir.

Retrato de Luís Lavoura

O presidente do Chipre empossou ontem uma comissão com a missão de investigar como é que os bancos cipriotas chegaram à situação de rotura em que se encontram.

No discurso de posse, o presidente afirmou explicitamente que a comissão deverá investigar as suas - dele, presidente - atividades, e também as atividades dos seus familiares, e também as atividades do escritório de advogados em que ele trabalhava antes de se tornar presidente.

Um presidente que defende a transparência. Um exemplo para Portugal.

Retrato de Luís Lavoura

Agora que os bancos de países como a Alemanha, a Holanda e a França já foram todos salvos com dinheiro dos contribuintes, e que os bancos falidos que restam são já só os de países sem importância como a Eslovénia e Malta, os políticos alemães estão a começar a pensar que, daqui para a frente, deverá ser sempre como em Chipre: os acionistas e os detentores de obrigações que salvem os seus bancos.
(Sempre, quer dizer: quase sempre. Se se tratar de algum banco de um país importante, provavelmente os contribuintes desse país voltarão a ser chamados a resgatá-lo.)
Eu acho muito bem, isso é que é o princípio liberal: os bancos devem ser responsabilizados pelos disparates que cometem, e os acionistas dos bancos é quem deve perder o seu capital no caso de os seus bancos sofrerem perdas.
Porém, este princípio terá uma consequência inevitável: os setores bancários de muitos países europeus - sobretudo países pequenos - terão que ser consideravelmente reduzidos. Países como Luxemburgo e Malta terão que encontrar novas formas de ganhar a vida.

Retrato de Luís Lavoura

É muito interessante acompanhar este sítio, que elenca diariamente as taxas de câmbio em relação ao euro das principais outras moedas.

Nele se pode ver o poderoso efeito que a resolução do problema cipriota, e as palavras do sr Dijsselbloem, tiveram ao derrubar o valor do euro, dessa forma apoiando as exportações da Zona Euro. É que na última semana o valor do euro caiu, literalmente, a pique.

Eu diria que isto é mesmo propositado. Quando o valor do euro começa a subir de mais, os políticos da Zona Euro fazem mais uma trapalhada para o fazer descer e dessa forma impedir que se comece a acumular um défice externo.