Cavaco venceu à primeira, com mais 64.138 votos do que todos os seus adversários juntos. De certo modo foi à tangente, sobretudo se pensarmos que 58.868 pessoas optaram por votar em branco e 43.405 anularam o seu voto.

Quantos destes eleitores que votaram branco ou nulo estariam com vontade de votar em Manuela Magno, Luís Filipe Guerra ou Botelho Ribeiro, três dos candidatos que foram excluídos por questões burocráticas? E quantos dos apoiantes destes candidatos terão ficado em casa, a contribuir para as estatísticas da abstenção?

Nunca saberemos as respostas a estas perguntas. Todavia, se Manuela Magno e companhia tivessem sido aceites poderiamos ter agora como cenário uma segunda volta. Afinal, se Garcia Pereira obteve 23.650 votos sozinho, porque não se reuniriam 64.139 votos em torno de mais três candidatos alternativos?

Retrato de Luís Lavoura

O recente "chumbo" do orçamento europeu pelo Parlamento tem feito levantar, como é imprescindível, a questão da criação de um "imposto europeu", isto é, de um imposto que financie a União Europeia. De facto, a União Europeia e o seu funcionamento não podem continuar eternamente reféns da boa vontade dos Estados-membros mais ricos, que aceitam ou não aceitam financiar a União de forma adequada. A União Europeia não pode continuar refém de cheques britânicos nem da personalidade d@ chanceler federal alemã(o).

Quero aqui fazer notar que o imposto europeu a, eventualmente, criar, não tem que constituir - nem deve constituir - um aumento da fiscalidade sobre a generalidade dos cidadãos europeus. O que se deve fazer é desviar uma parte dos impostos atualmente existentes, afetando-a de forma permanente à União Europeia. Por exemplo, a União Europeia poderia passar a ser financiada afetando-lhe 2% da taxa de IVA atualmente existente em cada país. Assim, em Portugal, em vez de pagarmos 21% de IVA para o Estado português, pagaríamos 19% de IVA para o Estado português mais 2% de IVA para a União Europeia; na Dinamarca, em vez de se pagar 25% de IVA para o Estado dinamarquês, passar-se-ia a pagar apenas 23%, e os restantes 2% iriam para a União.

Desta forma não haveria aumento de impostos, e cumprir-se-ia o princípio de que os países mais ricos devem contribuir mais para a União. Tamém, o orçamento da União teria que ser adequadamente modulado em função do ciclo económico na Europa, em vez de se gastar dinheiro de forma rígida, como atualmente.

Será natural para qualquer pessoa que um bom empregado com grandes qualificações que faz um trabalho muito necessário e que poucos sabem fazer receba um salário elevado na mesma empresa onde um empregado com qualificações mais baixas, menos trabalhador e menos produtivo receba um salário mais baixo.

Da mesma forma um país que oferece grandes condições aos seus habitantes, às suas empresas e aos seus trabalhadores pode cobrar impostos mais elevados do que um país que apresenta condições mais precárias.

Não faz qualquer sentido que um país como a Dinamarca cobre o mesmo nível de impostos que um país como Angola. Não porque a Dinamarca seja melhor, mas sim porque oferece uma série de condições que funcionam como uma vantagem concorrencial. Angola para compensar essas diferenças tem de descer o seu nível de impostos para que consiga atrair empresas, investimento e trabalhadores qualificados.

Desta forma se construirmos um gráfico onde no eixo das ordenadas temos o IDH e no das abcissas temos o nível de impostos, e cada país é representado por um ponto, então devemos obter uma nuvem de pontos oblíqua crescente. Sabemos que isso não acontece, mas apenas por decisões dos dirigentes que estão mais relacionadas com doutrinas e corrupção do que propriamente com análises pragmáticas.

Um país que assuma a decisão de manter o nível de impostos demasiado elevado (decisão típica de esquerda) erra porque afasta o investimento e os profissionais muito qualificados acabando por receber no total menos impostos.

Um país que assuma a decisão de manter o nível de impostos baixos (decisão típica da direita e dos liberais de direita) erra porque nunca consegue financiar uma melhoria qualitativa dos seus serviços e ainda que consiga crescer muito económicamente não consegue desenvolver as suas infra-estruturas evoluindo para um nível ainda mais elevado de competitividade. Para além disso está ainda a estrangular países mais pobres que não conseguem competir em impostos baixos nem qualidade das estruturas económico-sociais. Para além de irracional é desumano.

O funcionamento da despesa pública deve funcionar então ao contrário do que temos visto. Os nossos políticos têm criado ideias para gastar dinheiro. Aliás, qualquer político de trazer por casa tem ideias para gastar dinheiro.
Mas o que tem de ser feito à priori é definir quanto se pode cobrar de impostos. Depois pode se definir onde se deve gastar esse dinheiro. Numa época de fartura deve-se gastar menos do que se cobra, mantendo o défice a zero, para que em tempo de crise se possa investir estimulando novamente a economia.

A transmissão televisiva do discurso de Manuel Alegre - o segundo candidato mais votado nas Presidenciais - foi interrompido para dar voz a José Sócrates - que nem sequer era candidato.
Após forte reprimenda de Helena Roseta, a SIC fez um mea culpa e passou depois em diferido o discurso de Alegre na íntegra.
Momentos depois emitiu também a explicação oficial do primeiro-ministro, que afirmou que não sabia que Alegre estava a discursar. Só temos de acreditar, pois Sócrates não nos ia mentir em assunto tão sério, nem seria mesquinho a ponto de tentar - e conseguir - levar as televisões a "calar" Alegre.

Se já sabemos de outros tempos que o novo Presidente da República não lê jornais, depois desta explicação oficial ficamos a saber que o primeiro-ministro não vê televisão. A comunicação social que tire as devidas ilações destes comportamentos.

Reality show
Mas se muito se falou do silenciamento de Alegre, pouco se disse acerca da forma como a televisão também interrompeu o discurso de Jerónimo de Sousa, optando por transmitir imagens de Cavaco a sair de casa.
Silencioso como Cavaco andou durante a campanha, alguém esperava que ele falasse à saída de casa, quando nem sequer tinha um local estável onde pousar o discurso?
E que dizer da câmara que a SIC apontou a uma janela da casa particular do candidato vencedor? Estávamos perante a transmissão de uma eleição presidencial ou de uma final do Big Brother?

Retrato de Miguel Duarte

José Tavares diz que o mais importante instituto de novas tecnologias do mundo foi convidado pelo Governo de Sócrates a instalar um centro em Portugal.

O "Massachussets Institute of Tecnonology" aceitou a proposta, mas o processo está a ser travado por um dos ministros de Sócrates, garantiu hoje José Tavares numa conferência, sem adiantar a quem se referia.

Além da denúncia feita na presença do primeiro-ministro, José Tavares confrontou também José Sócrates. Fonte: SIC Online

Da última vez que ouvi falar neste assunto era por causa de o governo não querer deixar que o MIT contratasse investigadores nacionais que não pertencessem ao técnico. Que ministro do PS é que terá ligações técnico?

Se ainda for esta questão, muito sinceramente, é triste, muito triste. Eu nem considero que devessem ser apenas investigadores nacionais, pois o importante, parece-me, com um centro de investigação do género, é trazer know-how para Portugal.

Retrato de Miguel Duarte

O MLS nada tem a ver ideológicamente com o Partido Humanista, mas como eles queremos um sistema democrático que seja verdadeiramente democrático e não apenas de nome. Como sabemos que a sua candidatura foi recusada meramente por questões de secretaria e problemas a nível das juntas de freguesia, aqui fica o pequeno apoio que lhes podemos dar, transmitindo uma mensagem que nos enviaram:

Como decerto tomaram conhecimento, a candidatura do Luís Filipe Guerra, candidato do PH às presidenciais, foi rejeitada pelo Tribunal Constitucional.

Consideramos que tal decisão foi extremamente injusta, visto termos apresentado todas as assinaturas necessárias – mais de 7500 –, tendo apenas faltado 32 certidoes de recenseamento dos assinantes, que entregámos no dia em que o prazo terminaria, mas após as 16H desse dia. Por este motivo, e apesar de mais de 7500 pessoas subscreverem a candidatura, esta foi rejeitada e todas as vias de recurso que utilizámos acabaram por ser também rejeitadas.

Não havendo, acima do Tribunal Constitucional, qualquer órgão de poder ao qual se possa recorrer, estamos a promover formas de pressionar as instituições para discutir a lei eleitoral e alterá-la de acordo com o espírito da lei e na direcção de uma democracia real.

É por esse motivo que venho pedir a vossa ajuda. Anexa segue uma carta que eu peço que copiem, coloquem o vosso nome e enviem para as seguintes instituições. Deve ser enviada amanhã, quinta-feira, dia 19.01.

PRESIDENTE DA REPÚBLICA / President of the Republic
Fax: +351 21 361 46 11

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA (PARLAMENTO) / Parliament
Fax: +351 21 391 74 40
E-mail: correio.geral@ar.parlamento.pt

TRIBUNAL CONSTITUCIONAL / Constitutional Court
Fax: 21 323 36 49
E-mail: tribunal@tribconstitucional.pt

PRIMEIRO MINISTRO / Prime Minister
E-mail: pm@pm.gov.pt

LUSA - Agencia de Noticias de Portugal / LUSA - News Agency of Portugal
Fax: 21 711 65 31
E-mail: redaccao@lusa.pt

Hoje mais um passo foi dado para a redução desse mal nacional chamado burocracia. Numa mesa redonda com o governo português, organizada pelo Economist Conferences, José Sócrates disse que «o Governo vai aprovar legislação para acabar com obrigatoriedade de escritura pública na vida das empresas», noticiou a Lusa.

Deste modo, para mudarem a sede, alterarem o capital e trocarem os sócios, as empresas deixam de ter de ir ao notário registar essas modificações, bastando ir às Conservatórias do Registo Comercial. Isto faz todo o sentido, já que as conservatórias fazem todo o trabalho necessário. Aqui os notários apenas representam mais burocracia, mais incómodo e mais tempo perdido para as pessoas.

Isto pode ser visto com pouco interesse por ser apenas um pequeno passo, mas pouco a pouco as regras empresariais vão ganhando novo alento. Se juntarmos a esta notícia a "empresa na hora", podemos afirmar que para 11 meses de governo até nem está mau no capítulo da desburocratização empresarial.

Retrato de Miguel Duarte

Os defensores do direito à "morte com dignidade" nos Estados Unidos obtiveram ontem uma importante vitória, com o Supremo Tribunal a reconhecer a prevalência da lei do suicídio medicamente assistido do estado do Oregon sobre as tentativas da Administração Bush de impedir a distribuição de drogas aprovadas pelo Governo federal e utilizadas na realização de eutanásias. Fonte: Público

Para mais informações pode-se consultar a associação americana Death with Dignity National Center

Pessoalmente apreciei muito da justificação para a Eutanásia por parte desta organização:

A maior das liberdades humanas é viver e morrer, de acordo com os seus próprios desejos e crenças. O desejo mais comum de entre os doentes com doenças terminais é morrer ainda com alguma dignidade.

Como acompanhei de perto recentemente os últimos meses de vida de uma pessoa que faleceu com um cancro, consigo em grande medida compreender isto. Muito sinceramente, desconheço que decisão tomaria numa situação semelhante, mas gostava pelo menos de viver, sabendo, que se um dia algo semelhante me acontecer, tenho a possibilidade de acelerar um pouco o inevitável fim que a todos nos aguarda, morrendo em dignidade e poupando sofrimento a mim e aos que me acompanham. É simplesmente uma questão de liberdade.

Retrato de Luís Lavoura

Consta que o Parlamento Europeu vetará a proposta de orçamento da União para 2006-2013, preparada há um mês atrás, com o argumento de que esse orçamento tem um montante muito baixo e que não satisfaz as perspetivas dos dez novos países membros da União.

Penso que só nos podemos congratular em que o Parlamento Europeu tenha agora poderes acrescidos. É bom que o Parlamento Europeu possa vetar o orçamento da União, mesmo depois de esse orçamento ter sido aprovado pelos governos de todos os 25 países. Por uma razão: os povos da União têm razões que os governos desconhecem. Foi também bom que o Parlamento Europeu tenha podido rejeitar os comissários propostos por alguns países - notoriamente, o famigerado Rocco Butiglione - pois que a Comissão Europeu não deve ser usada pelos Estados-membros como exílio dourado para políticos incapazes e mal-queridos a nível nacional (lembram-se do comissário Cardoso e Cunha?).

As razões que o Parlamento Europeu apresenta para rejeitar o orçamento são válidas. Trata-se de um orçamento miserável para uma União que se respeite. Nenhuma federação ou confederação tem um orçamento de 1% do seu PIB! É também um orçamento que deixa os novos países da União à míngua dos fundos que, no passado, foram abundantemente concedidos a outros países; e nada justifica essa mesquinhez.

Retrato de Luís Lavoura

Já por duas vezes ouvi o jornalista/comentador Luís Delgado argumentar que devemos votar em Cavaco Silva no próximo dia 22 porque o país não pode perder mais tempo com estas eleições e porque o povo português já está farto desta campanha eleitoral.

Eu da mente pouco esclarecida (digamos assim) de Luís Delgado espero tudo, até este argumento. Mas surpreende-me quando o encontro repetido noutros sítios.

Algumas pessoas podem, legitimamente, estar fartas desta campanha eleitoral. Mas nada lhes permite dizer que o povo, em geral, o esteja.

Mesmo que estejamos fartos da campanha, isso não é razão para irmos votar no candidato que tem possibilidades de vencer à primeira volta, se não gostarmos desse candidato.

Quanto ao país, é certamente melhor para ele perder mais duas semanas e obter um bom presidente da república, do que obter, imediatamente, um mau presidente.

Em suma, trata-se de um argumento de nível intelectual zero.

Os apoiantes de Cavaco Silva deveriam ser capazes de expender razões mais inteligentes e, também, mais explícitas, para nós votarmos nele.