Retrato de Luís Lavoura

É curiosa a indiferença da França perante o que se está a passar na República Centro-Africana, especialmente após ter sido tão voluntariosa a intervir no Mali. Será que os galhardos soldados franceses se cansaram de dar tiros? Será que o orçamento do Estado francês para intervenções libertadoras em África se esgotou? Será que, no entender do Estado francês, os novos senhores da RCA são uns tipos porreiros que devem ser deixados em paz, por mais que o povo sofra?

Eu, pelo menos, estou satisfeito: considero que devem ser os centro-africanos a resolverem, bem ou mal, depressa ou devagar, os seus problemas. Nenhum estrangeiro tem nada que ir lá interferir.

Retrato de Luís Lavoura

O presidente do Chipre empossou ontem uma comissão com a missão de investigar como é que os bancos cipriotas chegaram à situação de rotura em que se encontram.

No discurso de posse, o presidente afirmou explicitamente que a comissão deverá investigar as suas - dele, presidente - atividades, e também as atividades dos seus familiares, e também as atividades do escritório de advogados em que ele trabalhava antes de se tornar presidente.

Um presidente que defende a transparência. Um exemplo para Portugal.

Retrato de Luís Lavoura

Agora que os bancos de países como a Alemanha, a Holanda e a França já foram todos salvos com dinheiro dos contribuintes, e que os bancos falidos que restam são já só os de países sem importância como a Eslovénia e Malta, os políticos alemães estão a começar a pensar que, daqui para a frente, deverá ser sempre como em Chipre: os acionistas e os detentores de obrigações que salvem os seus bancos.
(Sempre, quer dizer: quase sempre. Se se tratar de algum banco de um país importante, provavelmente os contribuintes desse país voltarão a ser chamados a resgatá-lo.)
Eu acho muito bem, isso é que é o princípio liberal: os bancos devem ser responsabilizados pelos disparates que cometem, e os acionistas dos bancos é quem deve perder o seu capital no caso de os seus bancos sofrerem perdas.
Porém, este princípio terá uma consequência inevitável: os setores bancários de muitos países europeus - sobretudo países pequenos - terão que ser consideravelmente reduzidos. Países como Luxemburgo e Malta terão que encontrar novas formas de ganhar a vida.

Retrato de Luís Lavoura

É muito interessante acompanhar este sítio, que elenca diariamente as taxas de câmbio em relação ao euro das principais outras moedas.

Nele se pode ver o poderoso efeito que a resolução do problema cipriota, e as palavras do sr Dijsselbloem, tiveram ao derrubar o valor do euro, dessa forma apoiando as exportações da Zona Euro. É que na última semana o valor do euro caiu, literalmente, a pique.

Eu diria que isto é mesmo propositado. Quando o valor do euro começa a subir de mais, os políticos da Zona Euro fazem mais uma trapalhada para o fazer descer e dessa forma impedir que se comece a acumular um défice externo.

Retrato de Miguel Duarte

Lê-se muito na imprensa portuguesa sobre o Chipre, infelizmente, pouco li que tivesse um profundidade suficiente para explicar as verdadeiras causas do que se passou e as razões das decisões tomadas. No geral, leio muitas opiniões populistas e pouco informadas. Estes parágrafos que se seguem tentam explicar um pouco da história e do que nos conduziu à situação atual.

O problema do Chipre começou com uma aposta estratégica do país no seu sistema bancário, que contém depósitos que representam quase 9x o valor do PIB do país. Um sistema bancário com esta dimensão é obviamente extermamente difícil de salvar pelo próprio país. Para atrair depósitos, os bancos ofereciam taxas de juro que ultrapassavam os 6%, além de o Estado oferecer uma taxa de IRC de 10% e taxas sobre os rendimentos também relativamente baixas. A aposta correu bem, até ao dia em que a dívida da Grécia foi "perdoada" em quase 75%.

Com o perdão da dívida grega, os bancos Cipriotas, que tinham investido fortemente em dívida grega, por forma a, em parte, poder oferecer as taxas de juro elevadas que ofereciam (questões de proximidade cultural também foram importantes nesta decisão), viram uma fatia significativa dos investimentos que sustentavam os depósitos a prazo nos seus bancos evaporar-se do dia para a noite.

Chegamos então à história mais recente, em que temos bancos em situação de falência e uma decisão de taxar todos os depósitos a prazo. A razão que levou a desta decisão foi uma tentativa de se salvar o sistema bancário Cipriota, e, ao contrário do que se sugeriu, a proposta e insistência em taxar todos os depósitos a prazo foi uma decisão Cipriota. A proposta que existia em cima da mesa anteriormente era uma proposta que, como se veio a decidir posteriormente, propunha a taxação dos empréstimos superiores a 100.000 (que não estavam cobertos pela garantia bancária). Na minha opinião, ambas as propostas eram incorretas e injustas, pois queriam fazer pagar pelos erros cometidos por dois bancos, todos os depositantes, quer aqueles que tinham depósitos abaixo do valor da garantia bancária, quer aqueles que tinham depositado o seu dinheiro em bancos que tinham sido mais prudentes. A reação pública a esta proposta foi forte e como sabemos, o parlamento rejeitou (e bem) a mesma.

Finalmente, chegamos à situação atual, que apesar de tardia, acabou por ser a solução mais correta. Apenas irão perder uma parte do valor dos seus depósitos os depositantes com montantes acima de 100.000€, nos bancos que estavam em apuros. Vê-se muita incompreensão por parte de muita gente relativamente a esta medida, mas a realidade é que as regras em vigor, no que toca aos bancos, são essas. No caso de falência de um banco, e em situações em que o Estado não salve o banco (como aconteceu em Portugal com o BPN e o BPP), os acionistas e detentores de obrigações dos bancos perdem o seu dinheiro, mas, os depositantes, para os valores acima da garantia bancária (100.000€) também irão perder parte dos seus investimentos. A consequência direta de o Estado não salvar um banco é, os depositantes perderem parte do seu dinheiro. Se Portugal entrasse em incumprimento no que toca à sua dívida, uma consequência direta desse incumprimento seria a falência do sistema bancário português e a perda parcial, mas em montantes significativos, dos valores depositados nos bancos portugueses.

É uma situação impossível querer por um lado que os depositantes não percam parte do seu dinheiro, por outro querer que os Estados não salvem os bancos e geralmente, dizer ainda que os países não devem pagar as suas dívidas (que são ou eram consideradas um investimento seguro e usadas como colateral junto do BCE e investimento pelos bancos com o dinheiro depositado pelos contribuintes). Também não se pode pedir aos restantes países da União Europeia (Portugal incluído) que emprestem montantes ao Chipre que seriam impossíveis de pagar.

Pela parte que me toca, a decisão deveria sempre ter sido deixar-se falir os bancos e assegurar a proteção dos montantes relativos às garantias bancárias. O Estado não pode dizer num momento que os montantes até 100.000€ estão protegidos, e depois, subitamente, "taxar" (roubar seria uma descrição mais aproriada), parte desse valor. Em termos práticos, a economia do Chipre está falida. O Chipre irá ter que criar novas fontes de rendimentos e sofrer muito durante os próximos anos. Mas, tal deve-se exclusivamente às suas apostas estratégicas. O Chipre deveria ter assegurado uma melhor regulação dos seus bancos, para evitar este tipo de problemas, bem como, diversificar as suas "indústrias", por forma a não ficar demasiado dependente de uma, como é o caso.

Retrato de Luís Lavoura

Por quanto tempo mais resistirá o euro a esse desastre que é Jeroen Dijsselbloem?

Retrato de Luís Lavoura

Com o resgate dos bancos cipriotas hoje decidido, decidiu-se também uma coisa surpreendente e nunca vista: pôr-se fim à liberdade de circulação de capitais entre Chipre e o resto do mundo.

Naturalmente que tal medida é imprescindível pois, a partir do momento em que os bancos cipriotas sejam reabertos, toda a gente, quer os cipriotas quer os estrangeiros que têm dinheiro em Chipre, quererá levar o dinheiro para fora do país, para porto mais seguro. Mas, apesar de imprescindível, a medida não deixa de ser surpreendente, porque viola uma liberdade que, desde há muitos anos - mas não desde sempre! -, tem sido considerada indispensável para o progresso económico.

Temos portanto uma valente machadada no liberalismo económico. A partir de agora, os cipriotas ficarão proibidos de, livremente, investirem o seu dinheiro em ações, obrigações, ou quaisquer outros títulos localizados fora do país.

É claro que esta medida é altamente facilitada pelo facto de o Chipre ser uma ilha, porque isto também forçará, em princípio, a controles fronteiriços apertados sobre o dinheiro que cada pessoa leva no bolso para fora do país.

Nada disto é novo, praticava-se quando eu era jovem. Mas, dos anos 80 para cá, passou a ser crescentemente mal visto, económica e politicamente. Apesar de ter sido desta forma - ou seja, sob regime de controles rígidos sobre os fluxos internacionais de capitais - que muitos países se industrializaram.

Retrato de Luís Lavoura

Agora deu na União Europeia a ideia de ir salvar os bancos cipriotas. Todos, por atacado.

Não há razão nenhuma para que tal seja feito. Os bancos cipriotas não colocam qualquer risco sistémico a ninguém. Não há razão para que não sejam deixados falir, tal como qualquer outra empresa pode falir.

Esta mania de salvar bancos está a passar das marcas. Primeiro era o argumento too big to fail: alguns bancos são grandes de mais para que possam falir sem deitar o sistema financeiro todo por terra. Mas agora já não é isso - pelos vistos, nenhum banco pode ser deixado falir!

É tempos de acabar com esta ideia de pôr o dinheiro de todos a ajudar os mais ricos - pois, evidentemente, quem tem muito dinheiro num banco não são certamente os pobres. Os bancos cipriotas devem falir se estiverem em situação disso. O dinheiro que restar nos seus cofres deve ser utilizado para pagar aos depositantes até 100.000 euros. Todos aqueles que tiverem depositado mais do que isso devem ficar sem o remanescente.

Retrato de Luís Lavoura

(1) Começou por cumprimentar "boa noite" quando chegou ao palanque.

(2) Teve a humildade e decência de começar liderando uma oração pelo seu predecessor.

(3) Teve a muito maior humildade de prosseguir pedindo que, ali mesmo, rezassem por ele.

(4) É jesuíta, ordem dos homens mais cultos e cientificamente produtivos da Igreja.

(5) Escolheu um nome único no papado, ainda por cima de dois dos maiores santos da Igreja (um dos quais português).

(6) Em Buenos Aires deslocava-se de transportes coletivos, coisa que os governantes portugueses ainda não aprenderam a fazer (e que teriam legítimo medo de ser insultados ou mesmo agredidos se fizessem).

Infelizmente tem 76 anos e, se calhar, vai acabar mais cedo do que esperaria quem o elegeu.

Retrato de Luís Lavoura

Quando, hoje em dia, vejo entrar em campo a equipa de futebol do Sporting, na maior parte constituída por jogadores ainda não saídos da adolescência, não posso deixar de me lembrar dos últimos meses da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, quando esse país começou a incorporar maciçamente nas suas tropas rapazes de menor idade, à falta de homens de barba rija para combater.

Sabe-se que a Alemanha sucumbiu pouco depois de ter adotado esse procedimento. Suspeito que o mesmo vá suceder ao Sporting.