Retrato de Luís Lavoura

Diz-se que os administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) só aceitam entregar as suas declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional desde que seja mantido o sigilo  sobre essas declarações.

Eu fico espantado com esta condição porque, para mim, é evidente que toda e qualquer declaração de rendimentos de todo e qualquer gestor público deve, automaticamente, ser mantida sigilosa. As declarações de rendimentos de toda a gente são sigilosas, cá em Portugal (noutros países, como na Noruega, não!), e o facto de se ser gestor de uma empresa pública não deve alienar tal direito ao sigilo. Qualquer gestor de uma empresa pública tem o dever de entregar a sua declaração de rendimentos à autoridade tributária (como todos nós) e ao Tribunal Constitucional; mas essas declarações devem ser mantidas sob estrito sigilo. Quer a empresa pública seja a CGD, quer seja outra qualquer.

Portanto, os gestores da CGD têm toda a razão e deve ser feita a sua vontade.

Retrato de Luís Lavoura

Não compreendo a demora de sucessivos governos em fazer o que deveria ser feito, eliminar a base aérea do Montijo com vista a libertar espaço, tanto nos ares para os aviões civis manobrarem, como em terra para fazer um aeroporto civil.

Não vejo razão nenhuma que justifique que, havendo tanto espaço por esse país fora para construir uma base aérea militar, se esteja a sobrecarregar a zona urbana de Lisboa com uma. Os quartéis militares devem estar - e, em Portugal, geralmente estão - longe das cidades, não a ocupar o precioso solo urbano.

Já é tempo e mais que tempo de o governo fazer o que tem a fazer e mandar a base aérea do Montijo para outro sítio qualquer. Quiçá para Beja, onde, ao que consta, há um grande aeroporto que está muito pouco aproveitado.

A TAP é uma empresa muito importante para o país e o seu desenvolvimento não deve continuar a ser impedido por uma base militar que não necessita de estar onde está.

Retrato de Luís Lavoura

Várias pessoas dizem que é preciso resolver o problema das grandes migrações internacionais eliminando as suas causas, nomeadamente, promovendo o desenvolvimento dos países mais pobres.

Mas isto é falso. A migração internacional custa muito dinheiro e raramente são os mais pobres quem emigra. As pessoas só começam a emigrar maciçamente quando saem da miséria. (Por exemplo, em Portugal emigrou-se mais na década de 1960, precisamente quando o país estava a enriquecer de forma acelerada.) Se há hoje muitos chineses e muitos bengalis em Portugal, isso deve-se em grande parte a a China e o Bangladeche serem hoje muito menos pobres do que eram há algumas décadas.

As grandes migrações internacionais são sinal de alguma riqueza, não de miséria absoluta. Eliminar a miséria só trará mais migrações, não menos.

Retrato de Luís Lavoura

Eu sou um português e, não vivendo no continente americano, a política interna dos EUA pouco ou nada me importa. O que me importa é a política externa, nomeadamente as guerras que os EUA fomentam, diretamente ou através dos seus aliados, na Europa (Jugoslávia, Ucrânia) e no mundo árabe (Líbia, Síria).

E, nesta matéria de política externa, a administração Obama foi um desastre completo. E a sua primeira "secretária de Estado" (= ministra dos Negócios Estrangeiros), a sra. Clinton, é muito culpada disso.

Por isso, acho muito bem que ela tenha perdido.

Dizem que Trump tem boas relações com Putin. Talvez isso ajude a acabar algumas das guerras que herdará de Obama (na Ucrânia e na Síria). Mas não tenho muitas esperanças. Todos os presidentes americanos acabam, uma vez eleitos, por seguir a mesma política externa. Como Obama seguiu, ele a quem os europeus atribuíram o Prémio Nobel da Paz quando ainda estava a aquecer a cadeira.

Retrato de Luís Lavoura

O Partido Democrata perdeu a presidência (a qual, aliás, de pouco lhe serviria para a política interna, dada a maioria republicana nas câmaras de deputados) por sua culpa, porque escolheu Clinton em vez de Sanders como candidata. Desde sempre que as sondagens indicavam que Sanders seria um adversário muito mais difícil para Trump do que Clinton. Mas o Partido Democrata preferiu Clinton, e perdeu. É bem feita. Da próxima vez, escolham o candidato que o povo quer.

Retrato de Luís Lavoura

Clinton teve mais votos do que Trump. Mas perdeu. Uma consequência curiosa do sistema eleitoral americano, em que alguns estados têm muitos mais representantes do que outros e em que impera a regra do winner takes it all.

Retrato de Luís Lavoura

Há uns meses a TVI pôs no ar uma notícia alarmista sobre o BANIF. A consequência foi a expetável: desencadeou-se uma corrida ao BANIF e, pouco tempo depois, o banco foi-se abaixo.

Hoje a gracinha foi repetida por um eurodeputado socialista, Manuel dos Santos de seu nome, que lançou a opinião alarmista de que na Caixa Geral de Depósitos os depositantes com mais de 100 mil euros poderão ver o seu depósito transformado em capital da Caixa. Não sei se as pessoas darão tantos ouvidos a Manuel dos Santos quanto à TVI, mas, se derem, as consequências para a Caixa poderão ser bem graves.

Convem que as pessoas pensem um bocadinho antes de lançarem opiniões/notícias alarmistas sobre bancos. De um eurodeportado esperar-se-ia, que diabo, um pouco mais de sentido das responsabilidades.

Retrato de Luís Lavoura

Nos EUA os políticos são considerados inaptos para o cargo quando no passado tiveram aventuras extra-conjugais.
Em Portugal são considerados inaptos para o cargo se tiverem feito declarações falsas sobre serem licenciados.
Em ambos os casos a asneira é a mesma. Não é por se ter tido aventuras extra-conjugais nem por se declarar ser-se licenciado quando não se é que se passa a ser mau político. Estas manias parvas apenas dizem muito sobre as obsessões de cada país. Nos EUA há uma obsessão com o sexo; em Portugal, com as licenciaturas.

Retrato de Luís Lavoura

Ontem ouvi na rádio a seguinte história, da boca de uma pessoa que considero fidedigna. No estado norte-indiano de Haryana, uma rapariga foi violada. O caso foi para tribunal. Os anciãos da aldeia de onde o violador era originário fizeram pressão para que o violador não fosse condenado. Propuseram o seguinte arranjo: o violador aceitaria casar com a rapariga e, em troca, a acusação seria abandonada. Tendo em conta que a rapariga violada dificilmente poderia no futuro arranjar marido, os seus pais aceitaram o "negócio". Fez-se o casamento e a rapariga foi, como é costume na Índia, viver no seio da família do marido. Lá, fizeram-lhe a vida negra: maus tratos físicos e psicológicos e exigências de que a rapariga pressionasse a sua família no sentido de ressarcir a família do violador pelas despesas que esta tinha tido em tribunal. A história arratou-se durante anos e terminou há pouco tempo com o suicídio da rapariga.

Isto é apenas uma história nada atípica de coisas que se passam com mulheres na Índia. Coisas que estão bem documentadas e são amplamente discutidas na Índia. Mas que parece não chegarem aos ouvidos dos europeus, ou não lhes interessarem. Para os europeus, apenas os maus-tratos de que as mulheres são alvo em países de cultura muçulmana interessam. Para muitos europeus o islamismo é horrível porque nos países muçulmanos as mulheres são vítimas de maus-tratos. Mas nenhum europeu diz o mesmo da Índia. Os tratos frequentemente bem piores de que as mulheres são alvo nos países de cultura indiana não interessam aos europeus.

Retrato de Luís Lavoura

É sabido que em Portugal há a mania de distinguir os licenciados do comum dos mortais. Um licenciado tem o direito de ser tratado por "doutor" ou "engenheiro" ou "arquiteto". Um licenciado pode fazer alarde de uma profissão que não exerce nem nunca exerceu; por exemplo, um licenciado em biologia afirma-se "biólogo" ainda que nunca tenha feito investigação científica em biologia, e um licenciado em engenharia diz-se "engenheiro" mesmo quando não aplica nem nunca aplicou a engenharia que aprendeu.

Tudo isto é, evidentemente, ridículo. E, tal como é ridícula esta obsessão de chamar "doutor" a quem é licenciado, também é ridículo o escândalo que se faz quando alguém pede para ser tratado por "doutor" quando não é licenciado. E o cúmulo do ridículo é atingido quando um político é obrigado a demitir-se porque fingiu ser licenciado quando na verdade não o é. Como se, para fazer aquilo que faz - se é que faz alguma coisa -, a licenciatura lhe fosse servir para alguma coisa.