Retrato de Miguel Duarte

Lisboa, 5 de Dezembro de 2005 - O MLS considera que deve existir concorrência entre aeroportos: todos os monopólios, públicos ou privados, levam ao aumento dos custos para o consumidor, o que prejudica a competitividade de Portugal.

A actual situação em Portugal, em que uma entidade pública, a Ana - Aeroportos de Portugal, detém o monopólio da exploração dos aeroportos, não é a melhor para o país. Seria ainda pior para o país a substituição de um monopólio público, por um privado, como foi proposto hoje pelo Governo.

É injusto para o consumidor e mau para o turismo em Portugal, a situação em que determinados aeroportos são subsidiados por outros. Sendo que tal situação constitui um incentivo ao desperdício e à utilização irracional dos recursos.

A haver necessidade de subsidiar serviços aeroportuários, quer durante a sua construção, quer durante a sua operação, tal deverá ser sempre feito de uma forma directa e transparente.

O MLS defende por isso, como situação ideal, a livre concorrência entre aeroportos, geridos por entidades privadas e independentes entre si.

Retrato de Luís Lavoura

O primeiro-ministro chinês está de visita a França. Visitou a fábrica dos aviões Airbus, perto de Toulouse. Encomendou 150 aviões para quatro companhias chinesas de transporte aéreo. (Minha interpretação: na China as companhias de transporte aéreo são formalmente distintas, mas quem na verdade as governa a todas é o Estado central.) Negociou também a instalação na China de uma fábrica de montagem dos aviões Airbus.

As duas coisas, que talvez pudessem ser independentes uma da outra, de facto não o são. Elas ilustram o poder da China no consumo mundial, e a "jogada" chinesa para apropriação da tecnologia ocidental. A China aceita comprar aviões Airbus, mas com a condição de a Airbus construir na China uma fábrica de montagem. Claramente, o interesse da China é aprender, para futuramente copiar, a tecnologia com que o Airbus é construído. A partir da fábrica da Airbus na China, os engenheiros chineses aprenderão as diversas tecnologias que estão por detrás do Airbus, e futuramente tentarão copiá-las (certamente que com muito menores custos de produção, mas também com muito menor qualidade) em marcas próprias chinesas.

A Airbus sabe, evidentemente, que é este o golpe que os chineses pretendem dar. Mas dificilmente pode evitá-lo. A Airbus precisa de vender os seus aviões, e o mercado chinês é demasiado grande para poder ser deixado de lado. 150 aviões, é muito avião! Não há outro mercado que substitua o chinês. Por isso, a Airbus aceita este negócio, que a longo prazo se pode demonstrar ruinoso para ela.

Retrato de Luís Lavoura

A Quercus divulga hoje um estudo segundo o qual as emissões de gases com efeito de estufa em Portugal aumentaram substancialmente durante o ano de 2005. A principal culpada foi a produção de eletricidade que, devido à seca, foi feita essencialmente em centrais térmicas, mediante a queima de combustíveis fósseis: gás natural (Carregado, Gondomar), fuelóleo (Setúbal), ou carvão (Abrantes). Pelo contrário, as emissões derivadas do transporte rodoviário diminuiram cerca de 2%, pois a alta dos preços dos carburantes conteve o consumo.

A pergunta que cabe fazer é, porque é que não se fez refletir também sobre o preço da eletricidade a elevação do preço do petróleo, o que teria certamente contido também as emissões derivadas da produção de eletricidade. As pessoas esforçaram-se por diminuir o seu consumo de carburantes rodoviários, dado que viram o seu preço a subir. Pelo contrário, uma vez que o preço da eletricidade não subiu, as pessoas não tiveram qualquer estímulo para diminuir o consumo dela.

De facto, a não subida do preço da eletricidade distorceu o mercado, em casos em que a eletricidade concorre com outras opções. Por exemplo, no aquecimento de uma casa pode-se usar um aquecedor elétrico, ou então a queima de gás natural ou gás de botija. O preço destes dois últimos aumentou substancialmente durante 2005, enquanto que o preço da eletricidade se manteve artificialmente constante. Houve pois uma distorção do mercado a favor da opção eletricidade - a qual é muito menos eficiente em termos energéticos, levando pois a maiores emissões de gases com efeito de estufa.

A política de fixação e não-oscilação do preço da eletricidade tem que acabar. O preço da eletricidade, tal como o de qualquer outo bem, deve oscilar livremente, de mês a mês, em função da situação de seca ou não seca e em função do preço dos combustíveis fósseis.

E' incrivel como as coisas mudam. Apos ter gostado da entrevista a Francisco Louca, detestei esta de Mario Soares. Achei-a baixa e suja.

Passagens:

"Evidentemente
que pode haver Presidentes de direita
se for essa a vontade popular. Agora a
verdade é que nas eleições presidenciais
a esquerda teve sempre maioria.
É um facto e não percebo porque é que
agora devia haver uma alteração."

ou seja, poder pode, mas PR deve ser de esquerda...
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sobre a eventual eleicao de Cavaco Silva

"Aceitarei a sua
legitimidade desde que as eleições
sejam limpas."

Indescritivel golpe baixo. Mas pq 'e que as eleicoes nao haveriam de ser limpas? Mas ja' chegamos a este ponto?
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"Dei aos portugueses provas de que
sou capaz de moderar, mas gostaria
era que passássemos para a minha
candidatura e não para as vossas
hipóteses."

No minimo e' arrogancia; no maximo e' como quem diz "ou se fala do que eu quero ou entao nao brinco"
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"O Banco Central Europeu decidiu agora
aumentar as taxas de juro…
Não é bom para Portugal, mas era
inevitável. É para ver se se consegue
dar um estímulo à Europa."

diga la'...? ah foi por isso?
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"
P: Como é que vê Portugal dentro
de 20 anos?

R: Educação, educação, educação e
qualificação das pessoas, não deixar
que as pessoas cheguem a uma certa
idade e não aprendam mais nada.

P: Qual é a prioridade na educação?

R: Quem faz as reformas é o Governo,
não é o PR.
"

...sem comentarios...
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"
P: Então qual é o sentido exacto da crítica à obsessão
pelo défice?

MS: O défice não é a única preocupação que temos. Hoje
vi que no seu jornal que Blair já aceitou reduzir o cheque
da senhora Thatcher.

P: Isso não tem a ver com o défice.

MS: Tem, porque a França tem défice, a Alemanha tem
défice…
"

a dada altura isto comeca a ser hilariante...

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Bem, isto e' um Mario Soares que nunca tinha visto. Nao sei se e' normal ou se nao, mas seguramente que estava em dia nao. Isto nao e' normal.

Retrato de Luís Lavoura

Todas as figuras gradas do PSD, incluindo todos os antigos dirigentes do partido, alguns deles já dele desligados, compareceram ontem em peso a uma missa em memória de Francisco Sá Carneiro. O episódio, além de nos mostrar a fé que ainda aparentemente une todos os PSD's, atuais e ex, ao malogrado líder, exibe também a fé que ainda aparentemente os une a todos ao catolicismo. Fés nuns casos genuína, noutros casos de mera conveniência. Fés grotescas.

É grotesco que não se encontre melhor forma de lembrar Sá Carneiro (o qual não era um homem particularmente seguidor dos ditames católicos...) do que rezar-lhe uma missa. E é grotesco que todos os dirigentes, atuais e ex, do PSD se sintam bem a comparecer a tal cerimónia. Diz resmas sobre esse partido, sobre este país ao fim e ao cabo.

O Luís Lavoura perguntou porque é que disse que o BE é esquerda radical. Respondo neste post.

P.f. leiam este texto como uma dissertação escrita ao correr da pena e não me vinculem em demasia a ele. É que sinto que (ainda) não tenho o BE tão pensado como gostaria. Considerem as minhas primeiras observações estruturadas.

Já agora, adoraria que alguem do BE as comentasse.

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A pergunta é bem mais sumarenta do que parece: o BE não tem, propriamente, uma ideologia. Acho que a principal razão é ser uma agregação de partidos de esquerda (PSR, UDP, P21, ...) e do tipo de pessoas que (acho) que o compõe -- como adolescentes, universitários e intelectuais de café da baixa (sem desprezar!). Mas acho que, acima de tudo, ainda estão à procura da sua própria identidade.

O BE não se tem posicionado, por estratégia ou acaso, como um genuíno partido político. O BE divide-se em duas partes: a contestação pura sem estratégia e a colagem a causas muito pouco ideológicas que fazem passar por ideológicas.

A parte da contestação é sempre contra a eterna inimiga "direita" (só esta atitude já é muito esquerdista). Apenas contestam, tentando refutar argumentos da suposta "direita", mas sem nunca apresentar grandes alternativas. É uma espécie de partido do não que repete a palavra "esquerda" até à exaustão, como se por si contivesse toda a verdade do mundo, cada vez que têm de justificar a contestação.

As causas pouco ideológicas: o aborto, as drogas, os direitos LGBT, as preocupações ecológicas, liberdade religiosa, etc. Isto não são causas ideológicas. Metade são direitos humanos sagrados (como os direitos LGBT) e a outra metade é bom-senso pos-moderno como as drogas.

Daí que muitas vezes ache que o BE é um partido de adolescentes. E dos piores que há: adolescentes na fase do não. ;)

A esquerda radical e extrema. Bem, basta ir ver uma acta qq do partido (não consegui apanhar a carta de princípios). Existe um documento, aliás, que adorei quando o encontrei. Está aqui: http://www.bloco.org/pdf/por%20uma%20plataforma%20de%20democra.pdf

Algumas passagens:
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"O bloco (...) renova a herança do socialismo."

Nao leiam este "socialismo" como o socialismo do PS. É aquele tal socialismo que precede o comunismo.
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"A política emancipatória contrapõe-se à realidade da
exploração e opressão, e propõe assim uma ruptura com a civilização
capitalista.”

Isto parece tirado a papel químico do Kapital de Marx. :) Notem o estilo. A realidade de exploração e opressão fazia muito sentido na sociedade proletária que era explorada até morrer enquanto o capitalista ficava com os lucros da fábrica. Hoje isto não faz sentido tal como está, mas tb pode ser lido noutro contexto. Seja como for, o estilo diz tudo.
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"Desde a sua fundação, o Bloco de Esquerda
reivindica a necessidade de refundação da
ESQUERDA, sem negar as diversas tradoções
políticas que procuram uma alternativa ao
modelo capitalista. Aponta concretamente o socialismo
como modelo alternativo ao capitalismo."

Mais uma vez, o socialismo que eles falam não é o do Mário Soares nem o do Manuel Alegre...
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"Temos sido acusados de falta de definição ideológica e é verdade."

(sem comentários!)
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"Quantos de nós conhecemos mesmo a obra de Marx e restantes “magníficos clássicos”?"

Até me arrepia imaginar de que "magníficos clássicos" estavam a falar... ;)
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e por aí fora . . . .

Para concluir: prezo muito o BE, prezo muito as pessoas que o compõe (incluindo a Ana Drago com quem me fui cruzando em Coimbra) e admiro imensamente o Francisco Louçã. Já o Fernando Rosas não posso com ele e as suas histórias do imperialismo.

E, sff, leiam este post na desportiva, principalmente se forem simpatizantes do BE.

Saudações ideológicas.

Retrato de Luís Lavoura

Cavaco Silva afirmou que é preciso ter cuidado com as privatizações, pois elas fazem correr o risco de que os centros de decisão nacionais sejam tomados por estrangeiros.

Cavaco Silva, evidentemente, não é liberal. Já se sabia, e esta sua afirmação só vem realçar esse facto.

Cavaco Silva, como os outros candidatos do G5 à exceção de Louçã, é um homem velho, que se guia por critérios e teorias políticas do passado. Os "centros de decisão nacionais" é uma dessas teorias, perfeitamente ridícula no tempo presente.

Num tempo de acelerada mudança, como é o atual, são necessários políticos jovens, aptos a aperceberem-se dos sinais dos tempos, da direção da evolução, e a adaptarem-se. Políticos na idade da reforma dificilmente podem manifestar tais capacidades.

O que são os tão (mal-)afamados "centros de decisão nacionais"? São isto: a possibilidade de algumas empresas ditas "portuguesas" poderem explorarem a seu bel-prazer o consumidor português, desprovido que ele se encontra da possibilidade de procurar alternativas.

É bom que os políticos percebam os tempos presentes. As empresas não têm pátria, são apátridas. Investem onde mais lhes convem. A Portugal Telecom é hoje largamente uma empresa brasileira. A Jerónimo Martins é hoje largamente uma empresa polaca. Só de nome e tradição tais empresas são portuguesas.

Os centros de decisão dessas empresas (ainda) estão em Portugal. Mas isso dificilmente torna essas empresas melhores para os portugueses do que as outras empresas, ditas "estrangeiras".

Francisco Louca deu uma entrevista ao Publico que saiu no dia 1 de Dezembro 2005.

Qto a Francisco Louca (que estou habituado a ouvir) sou claro: nao gosto das ideias de esquerda radical e extrema e detesto o estilo com que as pratica.

Independentemente de tudo, gostei sinceramente da entrevista. Muita coisa nao concordo (principalmente a que ele nao diz e que esta' subjacente), mas numa saudabilissima discordia intelectual. Mas houve outras coisas que concordo, apoio e teria o meu voto se apenas fosse isso que importasse.

Destaco 3 passagens:

(I)
A proposito de um Presidente da Republica ter de ser um economista.

"Acho bom que [tambem] saiba de economia, porque a
economia determina a nossa vida social. A
economia não é números, é pessoas. A economia
é como as pessoas vivem (...)"

Nao podia estar mais de acordo. Alias, lamento mesmo que onde vejo liberalismo vejo logo a palavra "economia" associada. A Economia, como se infere da citacao, nao e' um fim em si mesmo. E' uma ferramenta. Para alem disso, a Economia tem de ser humanizada no tratamento que a ela se da'. O defice e' numero e um mero indicador. Mas prova-se (ao que sei) que existe uma relacao entre o defice e o emprego (por exemplo). Mas nunca nos podemos esquecer que o que interessa e' o emprego e nao o defice, indicador economico. Da mesma forma, o "mercado" e' um dos espacos onde a existencia decorre. Para alem de haver mais espacos, a existencia que decorre, em ultima analise, e' que tem importancia.

(II)
A proposito do endividamento do sportugueses:
"Mas há um aspecto que é
mais fundamental e que tem que ver também
com a palavra do Presidente: a informação
ao consumidor. A criação de uma cultura de
exigência em relação à clareza da informação
ao consumidor é indispensável."

Confesso que dos anuncios publicitarios que mais de incomodam sao os que promovem o credito. Acho, realmente, que o Estado deveria regular melhor o tipo de publicidade que este tipo de mercado usa. Mas cuidado: a nao-ingerencia na economia e' fundamental. E' por isso que esta regulacao deve ser feita, acima de tudo, com campanhas informativas. Nao pode ser, como se poderia imaginar, condicionar a liberdade dos criativos publicitarios e as estrategias de marketing dos bancos. Ou seja, a solucao e' o Estado servir de contrapeso ao mundo de felicidade que e' sugerido por essa publicidade. Como, ja' agora, a DECO fez ainda ha' pouco tempo, alertando para os perigos deste tipo de creditos faceis.

(III)
A cultura.

"A criação cultural é resultado
da diversidade. O que faz falta
em Portugal é abrir a cultura,
destruir a ideia de que a criação
da mediocridade populista é a
cultura de que o povo precisa e
de que o povo gosta."

Para alem de Manuel Alegre, e' o unico candidato que fala em Cultura. Mas ha' uma diferenca: enquanto Manuel Alegre fala da cultura associada a nichos de erudicao, parece-me que Francisco Louca tem, efectivamente, uma ideia bem formada e devidamente complexa sobre o que e' e para que serve a Cultura.

E esta Cultura vai muito mais alem de esculturas que ninguem compreende muito bem para que servem. Isso e' arte qq-coisa. Cultura e' a envolvente.

Liguei a TSF e estava alguem a falar (um professor de Vouzela?) que, entre outras perolas, disse estas coisas:

- Cuba e' um exemplo porque erradicou a sida

- o governo deveria mandar uma lei a proibir o celibato [porque...] os quarteis e seminarios sao potenciadores da homossexualidade

- a igreja fez bem, porque a homossexualidade, como preversao, ...

- o governo deveria criar o teste compulsivo 'a sida para toda a gente [porque] senao morremos todos

e a melhor de todas:

- o preservativo e' bom, mas nem sempre da' tempo para por

e apanhei o homem a meio! adorava ter ouvido desde o principio.
pela voz, parecia-me alguem suficientemente novo (abaixo dos 50 anos).

eu nem quero imaginar como sera' uma aula deste homem... :)

(...)
Posto isto, a questao central e' esta: onde estao as conviccoes de Cavaco Silva? Ate' que ponto Cavaco Silva deixa de falar como economista e transmite a sua conviccao pessoal, intima?

Daqui saem as duas fragilidades.
(...)

2. Fosso governado/governante.

O estilo de austeridade e algum pseudo-despotismo parecem-me vir de duas direccoes.

Primeiro, a nocao que ele tera' de que a esmagadora maioria das questoes sao tecnicas, matematicas e economicas.. logo nao se discutem, aplicam-se. Ou entao, discute-se, sempre inter pares, a forma fina de implementacao da verdade economica.

Acho que uma vez Cavaco Silva disse que so' aceitava debater (ja' nao me lembro a proposito de que) com outro economista. Nao acho que seja arrogancia nem prepotencia. Simplesmente, nao falarao a mesma linguagem e muito menos com a mesma densidade. Cavaco Silva (tb como academico) nao esta' interessado em discutir trivialidades. Acontece que, o que sao trivialidades da Economia para ele, sao problemas complexos para nos.

Dai a famosa "Eu nunca me engano e raramente tenho duvidas" que leio assim: "se eu tivesse tempo explicava -- mas, mesmo assim, ninguem iria compreender.". Ha' claramente aqui alguma prepotencia. Ate' poderia concordar que eu, por exemplo, nao compreenderia muito bem as teorias economicas que ele usaria como argumento -- mas tb nao e' senhor de uma ciencia absoluta e decerto ha' quem o compreenda.

('A parte: estou ansioso pelo debate entre Cavaco e Louca. Sao ambos economistas, doutorados pelo ISEG mas em cantos bem diferentes. So' espero que Louca se porte bem e nao va' pela demagogia e pelos argumentos soundbytes.)

Em segundo lugar, ha' por ali um enorme sentido de eficiencia. A minha leitura dos crucifixos (entre milhoes de exemplos como o aborto) e' esta: nem e' contra nem a favor, simplesmente quer usar o seu tempo a refletir sobre assuntos que serao bem mais importantes. Se o tempo nao chega para tudo ("deixem-nos trabalhar"), ha' que prioritizar e escalonar devidamente as tarefas que tem entre maos. E entre discutir crucifixos e o desemprego, Cavaco Silva nao tem duvidas. Parece-me que o que o surpreendeu nao foi terem tirado os crucifixos. Ele supreendeu-se com o facto de darem tanta importancia ao assunto.

De facto, os crucifixos pouco impacto terao na economia... Mas ai voltamos 'a primeira fragilidade.

Tb nao quero dizer que acho que os crucifixos sao o pais "real" -- seria a demagogia do costume. Estou exclusivamente a discutir estilos pessoais.

Cavaco Silva numa empresa seria perfeito. Mas acontece que um pais nao e' uma empresa. Tem regras diferentes (para alem de objectivos diferentes, obviamente).

Esta e' a segunda grande fragilidade de Cavaco Silva, do meu ponto de vista. Coloca-se demasiadamente "la' em cima" e nao consegue criar vinculos com as pessoas.

Enquanto as pessoas o virem como eficiente, dedicado, competente, honesto, etc.. e houver resultados, corre bem. A partir do momento em que se desconfia desta superioridade, por qualquer razao, a torre abala e a instabilidade social dispara.

Como e' que se cultiva uma imagem de eficiencia e rigor, mantendo uma certa proximidade e SEM entrar em demagogias?

Andam os politicos todos 'a procura disto. E este problema faz parte das politicas diferentes que tenho a conviccao de que estao para chegar. Como dizia o outro, so nao sei e' quando.