Retrato de Luís Lavoura

É um costume já de longa data em Portugal apresentarem-se às eleições para a presidência da república candidatos sectários, de partidos da extrema-esquerda. Aos já costumeiros candidatos do PCP e do MRPP acrescenta-se este ano, seguindo o mau exemplo, um candidato do BE.

Os candidatos sectários não são verdadeiros candidatos a presidente da república. Não têm perfil nem vocação para esse cargo. O objetivo dessas candidaturas é apenas o de marcar a pureza da seita que as apresenta. As seitas são radicais na sua pureza doutrinal: só a sua doutrina é verdadeira, e é inconfundível com a doutrina de qualquer outra seita. Assim, os membros de uma seita só votam com agrado num membro da mesma seita. A seita tem que apresentar um candidato próprio porque, caso contrário, caso apoiasse um candidato exterior à seita, teria que à partida admitir a possibilidade de negociações, ou de cedências na sua pureza doutrinal.

Em candidatos assim, ninguém que tome a sério a eleição do presidente da república pode votar.

Retrato de Luís Lavoura

Cá em Portugal, aparentemente, a presidência da república é assim a modos que um prémio Nobel: uma coisa que se atribui a um indivíduo já deveras idoso, reformado ou prestes a sê-lo, como prémio por aquilo que de bom ele fez há dez, vinte ou mesmo trinta anos atrás.

Os prémios Nobel de ciência são genericamente atribuídos a cientistas já reformados, já na fase dos "after-dinner talks", cientistas que já não fazem ciência. São premiados pela boa ciência que fizeram nos seus anos de glória - quando tinham 30 a 50 anos de idade.

As presidências da república portuguesa, é a mesma coisa. Em vez de escolherem pessoas nos seus anos de força, vitalidade e dinamismo, com 30 ou 40 ou 50 anos de idade, os nossos políticos consideram que candidatos admissíveis são apenas pessoas com mais de 60 anos de idade, pessoas já sem chama nem garra, pessoas com ideias do passado - recauchutadas, quando muito, paa lhes dar uma aparência futurista.

Em candidatos destes, eu não voto.

(desculpas pela falta de acentos -- escrevo de um teclado internacional)

A cultura e’ uma actividade humana cujo alcance parece nao ser compreendido pela generalidade das pessoas. Ate’ certo ponto, e’ uma consequencia da propria natureza da Cultura: imaterial, de efeitos a longo prazo e, acima de tudo, pouco dada a consideracoes racionais. A Cultura faz parte do irracional.

Uma pequena visita ‘a historia da Humanidade mostra que, longe de ser uma construcao moderna e artificial, a Cultura esta presente, no minimo, desde que o homem se ramificou dos restantes mamiferos. Um exemplo de pergunta chave e’ a seguinte: porque razao alguem fez as pinturas rupestres de Foz Coa? Com que intencao? As gravuras nao alimentam ninguem nem sequer ajudam a encontrar o jantar.

Cultura vai muito para alem da Pintura, da Escultura e das Artes Plasticas. E tambem nao esta’ presente apenas quando se possui conhecimentos suficientes para ler uma obra. Cultura e’, antes de mais, um ambiente, uma vivencia instantanea, um efeito interno e intimo de alteracao da realidade perceptivel.

Se o precursor da actividade cultura e’ de dificil identificacao (pelo menos para mim), as suas consequencias sao sempre visiveis. Por alturas do Euro2004, com a mobilizacao de tantas pessoas em torno da seleccao portuguesa, o ambiente de fraternidade e uniao e’ uma consequencia da Cultura. Neste caso, Desporto e’ Cultura e o Euro2004 foi uma manifestacao fortissima de Cultura.

Independentemente das sensibilidades individuais, Cultura e’ um filme que consegue comover alguem, um livro com uma historia viciante, um post-it amarelo numa parede cinzenta, um espelho que nos obriga a pentear ou uma fotografia de um animal recem-nascido.

Acima de tudo, Cultura esta’ muito para alem do belo e do horrivel e muito para alem das pecas fisicas a que se pode dar um preco ditado por tendencias de Mercado. Igualmente, por ser um efeito a posteriori, e’ totalmente impratico admitir que Cultura pode seguir as regras do Mercado – Cultura apenas e’ visivel como efeito a posteriori. Por esta razao, e’ impossivel pedir ‘as pessoas que explicitem o que desejam – como deve ser a principal regra do Mercado. Tambem por esta razao, a Cultura e' uma area onde o Estado deve efectivamente intervir.

Tentando ir directo ao assunto, a Cultura e’ a actividade, material ou imaterial, que produz um estado psicologico de, no minimo, criatividade e bem-estar. Voltando ‘a Historia, todas as grandes civilizacoes antigas (Egipcia, Grecia, Roma, ...) tiveram manifestacoes profundas de arte. Essa mesma arte (generalizando: Cultura) tinha um efeito potenciador de criatividade e bem-estar social. A mesma criatividade gerava mais Cultura, num efeito de realimentacao.

Por outro lado, Cultura esta’ intimamente ligada ao Liberalismo. Por um lado, o individuo tem sempre o direito de criar mesmo que se proponha criar uma peca cuja utilidade nao consiga demonstrar (para que serve um cubo azul em cima de um pedestal?). Por outro, e’ eventualmente a outra metade da existencia humana. A primeira e’ a Economia que nos permite uma existencia fisica digna e facilitada: uma casa, comida no frigorifico, o frigorifico, a electricidade que alimenta o frigorifico, etc.

A segunda metade e’ a Cultura. Sem esta metade o individuo nunca se realiza. Seriamos apenas maquinas de pragmatismo apurado e mergulhados em sentimentos depressivos. E’ a Economia que nos fornece a comida, mas e’ a Cultura que nos permite saborea-la.

Um povo sem Cultura nao produz nada de interessante. Limita-se a sobreviver como consegue.

[a continuar...]

Retrato de Luís Lavoura

Fomos informados há poucos dias que no próximo ano os preços da eletricidade sofrerão um acréscimo de 2% para os clientes domésticos, 15% para os clientes industriais.

A razão da grande disparidade é que, aparentemente, o governo regulamentou que os aumentos da eletricidade para clientes domésticos não podem ultrapassar o valor da inflação.

Na peça televisiva foi-nos explicado que o custo da produção da eletricidade em Portugal aumentou este ano muito mais do que a inflação, devido ao efeito conjugado da seca, que fez diminuir a produção hidroelétrica (mais barata), e do aumento do preço do petróleo. Fomos seguidamente informados que se espera que esses dois efeitos "passem" no próximo ano, isto é, que se espera que no próximo ano chova muito e que o preço do petróleo desça tanto quanto anteriormente subiu. É escusado referir que a probabilidade de tal cenário é mínima, para não dizer nula. Mas não interessa. O governo determinou que, caso a produção de eletricidade no próximo ano continue a ser muito cara, a EDP deverá arcar com os prejuízos respeitantes aos clientes domésticos, os quais serão depois pagos por estes, com juros, ao longo dos próximos N anos.

É difícil, de facto, aranjar esquema mais retorcido, idealista, e irrealista.

Quer dizer: este ano a EDP foi obrigada a vender-nos eletricidade abaixo do preço de custo. No próximo ano (a não ser que o preço do petróleo desça) vai ser obrigada a voltar a fazê-lo. E assim por diante. Num ano longínquo, sabe-se lá quando, um ano futuro muito bom, em que choverá muito e o petróleo será muito barato, nesse ano, pagaremos à EDP tudo de volta.

Isto faz algum sentido???????

Portugal, o governo de Portugal, o povo de Portugal, ainda não se convenceu de uma coisa: o petróleo vai continuar a subir de preço, inexoravelmente, interminavelmente. É impossível que seja de outra forma. Em cada ano futuro, o petróleo será, inevitavelmente, mais caro (em média) do que no anterior. Assim o dita o crescente desequilíbrio entre a oferta e a procura de petróleo.

Logo, a eletricidade terá que aumentar de preço, tanto para clientes domésticos como para industriais.

Pretender adiar esses aumentos por mais um ano, ou mais dois, anos, é uma estratégia suicidária. Está-se a convidar os clientes domésticos a que continuem a desperdiçar eletricidade, a que continuem a gastar eletricidade desconsideradamente, a que adiem o investimento necessário para a poupança de eletricidade. Está-se a subsidiar os estouvados. Está-se a fazer de cigarra, quando se devia fazer de formiga.

Retrato de Miguel Duarte

Não posso deixar de partilhar convosco a publicidade directa enviada por Valentim Loureiro aos seus eleitores. Mais uma vez, estamos perante um caso de sucesso, pois o candidato foi eleito com a percentagem que todos sabemos.

Apenas me pergunto, se não existem aqui indícios de utilização abusiva de bases de dados. Dado que aparentemente, foi enviada publicidade eleitoral para os detentores de um cartão emitido por uma entidade pública...


Comprei uma mala de viagem numa loja "chinesa" e todos que a viram ficaram genuinamente boquiabertos: por menos de EUR 20 temos uma enorme quantidade de "features".

A mala tinha inumeros bolsos, um fole que permitia extender o volume, uma quantidade enorme de pegas e fechos, um sem-numero de partes mecanicas para adaptar a mala 'as mais variadas situacoes, etc. E a cereja em cima do bolo era... uma bussola numa das pegas.

A mala era de mao e tipicamente desenhada para a aceitarem levar no aviao sem ter de ir para o porao. Portanto, a bussola e' um adereco cuja intencao nao se compreende muito bem.

Alias, acho que percebo a motivacao de quem se lembrou de por uma bussola numa mala de aviao: bem, por mais uns trocados poe-se a bussola e a mala fica com mais um ponto de atraccao. Ou seja, fica com mais valor acrescentado.

Generalizando, nessa loja vendiam-se os artigos mais curiosos: desde um radio em forma de pe' cuja antena saia do dedo grande ate' a uma "coisa" que, aparentemente, so' serve para piscar umas luzes coloridas. Ou seja, estou mesmo a ver uma quantidade apreciavel de chineses reunidos numa sala em brainstorm a tentar criar novos produtos. Quando outros venderiam uma mala de aviao, outros vendem um produto que, entre outras coisas, e' mala de aviao.

E' este o genuino espirito de inovacao.

Por ca', cada vez que ouco falar de inovacao, vejo logo uns quantos idiotas a anunciarem cursos de informatica, como se inovacao fosse, unica e exclusivamente, o uso das novas tecnologias.

Nao e'. Inovacao e' o espirito que permite adicionar valor a um objecto comum usando a criatividade.

Ja' agora, a China e a India devem mesmo assustar os empresarios europeus (e os portugueses em especial) nao tanto devido aos baixos salarios -- mais tarde ou mais cedo, numa escala de tempo razoavel, eles vao subir e isso vai deixar de ser vantagem conpetitiva. O grande trunfo deles e' a capacidade nata e intrinseca de inovar.

Retrato de Miguel Duarte

Tenho a honra de anunciar que entrego um prémio simbólico a João Seco Magalhães, candidato à Junta de Freguesia de Maximinos (uma freguesia em Braga), pela grande contribuição que fez para o Marketing Político em Portugal.

Não sei se vai ganhar as eleições. Mas, para quê fazer promessas! Mais vale mesmo oferecer chouriços! Pelo menos quem os recebe pode fazer alguma coisa com eles.

João Seco Magalhães

Retrato de Miguel Duarte

Já votei!

3 votos, 3 partidos diferentes.

1. Para a Câmara Municipal de Lisboa: Optei por ajudar a eleger um vereador de um partido que com um pouco de sorte (votos), o deve conseguir fazer. Não votei em nenhum dos grandes pois, depois do debate na televisão, claramente não merecem o meu voto.

2. Para a Assembleia Municipal de Lisboa: A diversidade é uma coisa boa, por isso votei num outro partido, que também não foi nenhum dos dois grandes. Além disso, é bom que os vereadores da câmara estejam sob o controle de outros partidos e que tenham que negociar com estes.

3. Junta: Apenas aqui um dos grandes mereceu o meu voto. Não resido na dita, mas o trabalho no último mandato foi bom, por isso, merecem continuar.

Uma reflexão:

Parece-me que para a Câmara se devia mesmo votar em pessoas (nomes) e não em partidos. Podendo até haver mais do que uma pessoa do mesmo partido. No fim, os mais votados seriam eleitos para vereadores

O presidente deveria ser eleito pela Assembleia Municipal, sendo obrigatóriamente um dos vereadores eleitos.