Retrato de Luís Lavoura

Neste post, Vital Moreira propõe que se aumente o IVA sobre certos produtos. As propostas de VM são no entanto deveras asneirentas:

 

Primeira proposta: "a hotelaria, de 6% para 13%, visto que os hotéis não são seguramente serviços de primeira necessidade (pelo menos os de 4 e 5 estrelas) e não se entende que paguem menos IVA do que os restaurantes"

 

Vital Moreira tem parcialmente razão - os hotéis não são serviços de primeira necessidade. Mas não cabe fazer distinção entre hotéis de 5 estrelas e de 1 estrela: o IVA não pode distinguir entre produtos do mesmo tipo consoante a sua qualidade. Logo, se se aumenta o IVA sobre hotéis de 5 estrelas, também se tem que o aumentar sobre hotéis de 1 estrela, pensões e residenciais. As isenções ao IVA não podem depender da qualidade do produto.

 

Segunda proposta: "as touradas: quem gosta desse espetáculo bárbaro não se importará de pagar uma sobretaxa"

 

Que eu saiba, os espetáculos em geral têm uma certa taxa de IVA. Não se pode distinguir entre tipos de espetáculos, o que seria uma política extremamente iliberal. Creio aliás que tal distinção iria contra as regras da União Europeia sobre o IVA. Os espetáculos podem estar sujeitos a uma taxa mais alta ou mais baixa de IVA, mas não é legal considerar um tipo de espetáculo - as touradas - diferentemente dos restantes.

 

Terceira proposta: "a compra e venda de eucaliptos, para compensar as lesões ambientais que a eucaliptização galopante do país provoca"

 

O IVA não é um imposto verde. Os eucaliptos são como as couves, os carvalhos e os alhos: são produtos que se cultiva na terra e que são vendidos em estado não processado a quem os compra.  O valor acrescentado de um eucalipto é o mesmo que o de uma couve, carvalho ou alho - o cuidado de quem o planta e aduba. Não é legítimo o IVA tratar os eucaliptos diferentemente de qualquer outro produto que se cultiva na terra.

Retrato de Luís Lavoura

Parece que em França foi restaurada a pena de morte.

Ontem, dois indivíduos armados apenas de facas entraram numa igreja, mataram o padre e tentaram matar outra pessoa. À saída da igreja, foram abatidos pela polícia. Sem perguntas. Não podiam oferecer resistência, uma vez que estavam armados apenas de facas.

Parece que agora as ordens à polícia francesa são de atirar primeiro e fazer perguntas depois. Deve ser isto o estado de emergência. 

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Hoje causou sensação a notícia de um padre assassinado em França na sua própria igreja.

Mas o assassinato de padres não é inédito. Em 1980 o arcebispo de San Salvador foi abatido com um tiro na cabeça enquanto rezava missa, numa igreja cheia. Dez anos mais tarde, no mesmo país, seis padres jesuítas foram abatidos nas suas camas durante a noite.

Os assassinos de padres nem sempre são maldosos extremistas muçulmanos influenciados por um fanatismo qualquer. Nos esemplos acima, foram pessoas bem instaladas numa sociedade muito católica.

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Marcelo Rebelo de Sousa aplicou mais uma vez bem o seu direito de veto, ao enviar de volta para a Assembleia da República uma lei que pretendia bloquear estatutariamente a entrada de privados no capital dos transportes coletivos do Porto. É claro que é legítima a opção da atual maioria governativa de rejeitar tal entrada, mas não há qualquer razão para que tal rejeição assuma a forma de um bloqueio estatutário. Infelizmente, creio que dificilmente os comunistas na Assembleia (incluindo o Bloco de Esquerda) terão a sensatez de se vergarem ao veto presidencial; pretendem aparentemente tornar irreversíveis as suas conquistas. Mas talvez o PS possa ser chamado à razão.

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Quando eu vivi na Alemanha, durante a primeira Guerra do Golfo (1991), os mídia norte-americanos (CNN) transmitiam notícias bombásticas sobre os sucessos das tropas norte-americanas. A rádio alemã que eu escutava, pelo contrário, era de grande sobriedade e objetividade; limitava-se a informar, tipicamente, qualquer coisa como "sobre a guerra no Iraque não temos notícias a dar, uma vez que todas as informações de que dispomos são de fontes militares e portanto não são confirmadas".

A sobriedade e objetividade alemãs estão hoje de novo a servir de modelo à Europa, na forma como a Alemanha enfrenta os casos de violência e assassínio que nos últimos dias lá têm ocorrido. Sem especular prematuramente sobre a possibilidade de os ataques terem cariz terrorista, sem dar a esses ataques uma medida desproporcionada, sem falar de mais sobre ocorrências menores, e sem empolar esses ataques para fins políticos.

Estão de parabéns os jornalistas e os políticos alemães.

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A polícia francesa cometeu um grave erro no recente morticínio em Nice: abateu, aparentemente sem qualquer necessidade, o assassino no local.

Segundo uma testemunha ocular que ouvi (em português) na rádio, o camião a certa altura parou (talvez por problemas mecânicos) e um popular abriu-lhe a porta, tentando retirar o motorista lá de dentro. O motorista reagiu e seguiu-se uma breve luta entre os dois; a luta foi corpo-a-corpo, o motorista aparentemente não tinha qualquer arma. Depois a polícia chegou e atirou sobre ambos, matando o motorista - e, segundo a testemunha, matando provavelmente também a pessoa que estava a lutar com ele.

É sintomático que ninguém fale disto. Em todas as reportagens sobre o caso, omite-se quase sempre o que aconteceu ao assassino. Ou, quando muito, diz-se que ele morreu. Ou, talvez até, que a polícia o abateu. Mas abateu-o porquê? Não se abate um homem, ainda que seja um assassino, que não oferece resistência às autoridades.

Este foi um grave erro da polícia francesa. Por causa dele, não se pode interrogar o assassino, a saber o que o motivou ou se teve cúmplices.

E ninguém fala disto nos mídia.

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Ontem, três portugueses ganharam medalhas nos campeonatos europeus de atletismo: Sara Moreira (ouro na meia maratona), Patrícia Mamona (ouro no triplo salto) e Tsanko Arnaudov (bronze no lançamento de peso). Num dia em que só se fala de futebolistas cobertos de glória, quero deixar esta nota para estes outros três gloriosos deportistas em quem ninguém parece reparar.

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A direita portuguesa centra grande parte da sua tática política atual na esperança de que Portugal tenha um défice excessivo.

Mas essa é uma tática profundamente estúpida. A direita, se quer defender (representar) aqueles que nela votam, deveria, pelo contrário, fazer tudo o possível para que Portugal tivesse um défice o mais pequeno possível.

Por quê? Porque, se Portugal tiver um défice excessivo, é mais que certo que o governo, de esquerda, irá introduzir novos impostos. E é mais que certo que esses impostos irão afetar sobremaneira os mais ricos portugueses - aqueles que a direita supostamente defende e representa.

E que impostos serão esses? Já se sabe: imposto sucessório, e IMI agravado para segundas e terceiras habitações. São impostos que afetarão sobremaneira os mais ricos e aos quais o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista nada terão a opôr. Nem a Comissão Europeia - grande parte dos países europeus têm estes impostos, e não se compreende que um país em dificuldades orçamentais como Portugal não os tenha também.

A direita, se quisesse minimamente defender aqueles que nela votam, deveria estar a fazer figas para que tais impostos não tivessem que ser introduzidos. Mas a direita portuguesa é estúpida e, pelos vstos, não se preocupa de todo em representar quem nela vota.

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Qual é o sentido de forçar um país que já tem um défice orçamental excessivo a pagar uma sanção (multa) à União Europeia? Pois se essa multa apenas irá agravar ainda mais o seu défice!!!

São precisas sanções que tendam a melhorar (corrigir) o problema, não sanções que o agravem!

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A saída da União Europeia do Reino agora Desunido (porque apenas a Inglaterra e Gales sairão, a Escócia e a Irlanda do Norte já estarão noutra onda) não é muito grave para nós. Trata-se essencialmente de um problema interno do Reino, que em pouco nos afetará.

Muito grave para nós, isso sim, será uma eventual mas bem possível saída da França da União, cortando o acesso por terra ao centro dela, o que será muito grave para a Península Ibérica. Com essa possibilidade sim, temos que nos preocupar. Com as idiossincracias do Reino agora Desunido, podemos nós bem e não nos devemos ralar muito.