Um estudo recentemente realizado em Portugal, na Noruega e na Croácia revela que uma percentagem de 10% a 20% de homens declara ter períodos longos de falta de interesse sexual. Esta percentagem foi considerada "elevadíssima" pela cientista que coordenou a parte do estudo realizada em Portugal.
Talvez estimulados por séries americanas que mostram, por exemplo, pessoal hospitalar a intercalar as suas funções profissionais com a prática sexual mútua, a sociedade "ocidental" atual convenceu-se de que é normal, adequado, desejável e saudável que as pessoas, especialmente os homens mas de preferência também as mulheres, estejam permanentemente interessadas e disponíveis, tanto psicologicamente como fisicamente, para copularem entre si. Se não estão continuamente interessadas e disponíveis, então isso é considerado preocupante, anormal e, eventualmente, patológico, imediatamente se mobilizando os especialistas, armados de terapias e drogas, para ajudar @ infeliz que padece dessa falta de interesse ou desejo sexual.
(Significativamente, nunca se fala do efeito contrário, de pessoas que possam sofrer de um desejo e de um interesse excessivos na prática sexual, nem para curar tais condições se prontificam especialistas, médicos e terapeutas, eventualmente armados de drogas que, por exemplo, ajudem a suprimir a excitação sexual.)
Eu diria que é uma sociedade hiper-sexualizada, obcecada pela cópula, esta em que toda a gente é suposta estar permanentemente interessada em, e com disponibilidade para, fazer sexo.