Retrato de Luís Lavoura

Está a ser festejado com grande regozijo, e a ser motivo de muitas felicitações ao ministro das Finanças, o facto de Portugal ir hoje pedir emprestado à taxa de juro de 5%.

Eu considero isto trágico e insustentável: tanto que o Estado português tenha que pedir dinheiro emprestado para sobreviver, como que aceite pagar uma taxa de juro de 5%.

Não vejo motivo para qualquer regozijo nem quaisquer felicitações, bem pelo contrário.

Retrato de Luís Lavoura

Contrariando as sondagens que o dão como em grave risco, o Partido Democrata Livre (Freie Demokratische Partei) alemão aguentou-se nas eleições regionais da Baixa Saxónia, tendo de facto até aumentado a percentagem de votantes, quase atingindo uns notáveis 10%.

Retrato de Luís Lavoura

Segundo entendi de um artigo na edição desta semana do Economist, o Reino Unido está em vias de introduzir um novo sistema de pensões de reforma, de radical simplicidade: a partir de daqui a alguns anos, todos os reformados passarão a receber uma pensão, idêntica para todos, de 144 libras (cerca de 180 euros) por semana. Deixará de haver uma componente da pensão de reforma proporcional ao salário do trabalhador.

A mim um tal sistema parece-me eminentemente conveniente. É simples: cada trabalhador sabe perfeitamente que pensão espera. Encoraja o trabalho: como a pensão é baixa, o reformado é encorajado a continuar a trabalhar o mais tempo que puder. Pela mesma razão, encoraja a poupança do trabalhador. Finalmente, é um sistema igualitário: todos recebem do Estado a mesma pensão de reforma.

(Naturalmente que pressuponho que também a idade a partir da qual a reforma é auferida seja a mesma para todos. Quer trabalhem até aos 50 ou até aos 80 anos de idade, todos recebem pensão de reforma estatal a partir dos 65.)

Segundo o Economist, embora a muito curto prazo este sistema vá custar mais dinheiro à Segurança Social inglesa, a longo prazo, pelo contrário, induzirá substanciais poupanças em relação ao sistema atual.

É um sistema assim que eu gostaria de ver implementado em Portugal: a mesma reforma para todos, a partir da mesma idade para todos. De acordo com a velha ideia de Friedman de um "rendimento de liberdade".

Retrato de Luís Lavoura

Aquilo que concluo da discussão na caixa de comentários deste post é que os nossos políticos locais não têm o salário que formalmente a lei lhes concede: eles têm o dobro desse salário. Ou seja, eles são pagos principescamente bem.

De facto, o que a lei diz é que qualquer político municipal, desde que ocupe o lugar (de vereador ou presidente de Câmara) por mais de seis anos, tem o direito a que o seu tempo de serviço seja contado a dobrar para efeitos de aposentação, o que na prática quer dizer que se poderá reformar tantos anos mais cedo quantos os anos que serviu como político municipal. Por exemplo, uma pessoa que tenha servido durante três mandatos como vereador de uma Câmara Municipal (um caso em que, penso eu, muitas pessoas estão incluídas) terá cumprido doze anos de trabalho como vereadora e portanto poder-se-á reformar doze anos mais cedo do que a idade normal. O que quer dizer que, além dos doze anos de salário de vereador, auferirá mais doze anos a viver à custa da Caixa Geral de Aposentações, isto é, dos contribuintes. Temos portanto que a generalidade (ou pelo menos uma boa parte) dos vereadores municipais recebe salário a dobrar.

Uma iniquidade e uma pouca-vergonha, é o que isto é.

Retrato de Luís Lavoura

Doi-me quando vejo cidadãos de países pacíficos, como a Noruega e o Japão, serem postos em perigo devido à ação de um país imperialista agressivo como a França.

Acho bem que os islamitas ataquem cidadáos franceses e de outros países da União Europeia, mas não de países pacíficos e que não apoiam a brutalidade francesa.

Retrato de David Cruz

A Freedom House, organização sem fins lucrativos, divulgou o seu relatório anual sobre liberdade no mundo. Os resultados revelam que 46% dos países do mundo são livres, 30% parcialmente livres e 24% não são livres. Desde 1972, ano em que foi elaborado o primeiro relatório, passou-se de 44 para 90 países livres, embora se tenha verificado uma estagnação a partir do início do século XXI. A existência de eleições não implica que determinado país seja considerado livre, pois são englobadas outras dimensões, nomeadamente no campo das liberdades civis. Portugal encontra-se em posição de destaque no ranking, pois detém a pontuação máxima, quer na dimensão dos direitos políticos, quer nas liberdades civis.

A correlação entre este ranking e os níveis de desenvolvimento humano é extremamente elevada. Os dados indicam que do total de Estados com uma classificação de «muito elevado» no Índice de Desenvolvimento Humano cerca de 87% são considerados livres. As excepções são Hong Kong, Singapura, Emirados Árabes Unidos, Brunei, Catar e Bahrein. No outro extremo, do total de Estados com uma classificação «baixo» no Índice de Desenvolvimento Humano, cerca de 89% não são livres. Somente em São Tomé e Príncipe, Senegal, Lesoto, Benim e Serra Leoa, desenvolvimento humano e liberdade não se encontram interligados.

Publicado no nove por dez

Retrato de Luís Lavoura

Um estudo recentemente realizado em Portugal, na Noruega e na Croácia revela que uma percentagem de 10% a 20% de homens declara ter períodos longos de falta de interesse sexual. Esta percentagem foi considerada "elevadíssima" pela cientista que coordenou a parte do estudo realizada em Portugal.

Talvez estimulados por séries americanas que mostram, por exemplo, pessoal hospitalar a intercalar as suas funções profissionais com a prática sexual mútua, a sociedade "ocidental" atual convenceu-se de que é normal, adequado, desejável e saudável que as pessoas, especialmente os homens mas de preferência também as mulheres, estejam permanentemente interessadas e disponíveis, tanto psicologicamente como fisicamente, para copularem entre si. Se não estão continuamente interessadas e disponíveis, então isso é considerado preocupante, anormal e, eventualmente, patológico, imediatamente se mobilizando os especialistas, armados de terapias e drogas, para ajudar @ infeliz que padece dessa falta de interesse ou desejo sexual.

(Significativamente, nunca se fala do efeito contrário, de pessoas que possam sofrer de um desejo e de um interesse excessivos na prática sexual, nem para curar tais condições se prontificam especialistas, médicos e terapeutas, eventualmente armados de drogas que, por exemplo, ajudem a suprimir a excitação sexual.)

Eu diria que é uma sociedade hiper-sexualizada, obcecada pela cópula, esta em que toda a gente é suposta estar permanentemente interessada em, e com disponibilidade para, fazer sexo.

Retrato de Luís Lavoura

O governo organizou uma conferência dedicada a repensar o Estado Social. Parece que o Partido Socialista optou por não enviar qualquer representante a essa conferência.

Porém, à sua canhestra maneira, o PS está a dar uma valiosa contribuição para o repensar do Estado Social. O porta-voz do PS para a área da saúde afirmou ser da opinião que a ADSE deveria ser extinta. Sabe-se que o ex-ministro da Saúde de um governo PS, Correia de Campos, é da mesma opinião. E um importante eurodeputado do PS, Vital Moreira, também é. Porém, a posição oficial do PS é contra a extinção da ADSE, segundo afirma o líder da bancada parlamentar, contrariando a opinião do porta-voz para essa mesma área. O PS está a dar uma importante contribuição para o debate a que não compareceu.

Retrato de Luís Lavoura

Vi ontem na televisão, com estes olhos que a terra há de comer, o ministro da Defesa francês afirmar, sem se rir, que a intervenção da França no Mali era também em autodefesa, em defesa dos países vizinhos, porque, segundo afirmou, o Mali não fica assim tão longe da França.

Este inacreditável argumento fez-me lembrar quando, na década de 1980, Reagan financiava uma guerra por procuração contra a Nicarágua, explicando aos americanos que da Nicarágua ao Texas são apenas 2000 quilómetros, pelo que urgia desde já eliminar esse inimigo antes que ele pudesse invadir o Texas.

É tão triste ver a França fazer figuras que julgávamos reservadas aos EUA.

Retrato de Luís Lavoura

A presidente da Câmara Municipal de Palmela vai, em fevereiro, reformar-se, com 47 anos de idade e 26 de trabalho (começou a trabalhar aos 20). Totalmente de acordo com a lei, segundo somos informados.

Entretanto, a porteira do meu prédio, que começou a trabalhar aos 18, está (ansiosamente) à espera de atingir os 67 de idade para se reformar.

Eu julgava que já tivessem sido alteradas as iníquas leis da reforma (que nem sei quais sejam) que permitem que tal se passe, que uma pessoa se reforme com tal idade. Pelos vistos, ainda não foram. De que está a Assembleia da República à espera?

A Segurança Social estatal só deveria fornecer pensões de reforma a partir dos 65 a 70 anos de idade. Independentemente da idade com a qual as pessoas tivessem decidido deixar de trabalhar.